Segunda, Março 15
[clássicos do terror]

Banquete de Sangue 
Blood Feast, Herschell Gordon Lewis, 1963
O primeiro filme gore da história dos EUA só vale para constar no currículo. Banquete de Sangue, de Herschell Gordon Lewis, tem a vantagem do pioneirismo, mas é ruim em tudo. Os atores são pés-si-mos. Com todas as pausas e hífens. A direção é mega tosca e o roteiro, uma bobajada - a explicação das motivações do assassino como apontou o Ailton Monteiro, por exemplo, é risível. O filme não é divertido, o que garantiria o atrativo do trash. Vale uma espiada.

A Noite do Terror Cego 



La Noche de Terror Ciego, Armando de Ossorio, 1971
Um filme com cavaleiros templários já chama a atenção. Se eles são zumbis cegos, as coisas ficam bem mais animadas. E quando se descobre que o longa é uma coprodução da Espanha e de Portugal rodada em 1971, qualquer cinéfilo que se preze tem a obrigação de ficar alucinado. Chamar o filme de Armando de Ossorio de independente é pouco. Mas o diretor resolveu muito bem seu principal desafio: a composição visual dos cavaleiros é suja, as caveiras são secas, sem pele, os trajes são farrapos imundos, o que funciona bastante bem. O roteiro, no entanto, tem inúmeras falhas e ingenuidades (a garota se refugia numa cidade em ruinas, liga seu radinho de pilha para ouvir um jazz, fuma seu cigarro e lê um livro antes de dormir), além de umas soluções de montagem engraçadas, como o grito da mulher, logo depois dos créditos iniciais, sem conexão com nada. No entanto, há uma certa sofisticação, ainda que bruta, na proposta e na criação de algumas cenas, como nas sequências da oficina de manequins, com soluções visuais estilosas tanto com os bonecos quanto com os jogos de luzes.

O Exército do Extermínio 



The Crazies, George A. Romero, 1973
A refilmagem que chega aos cinemas ainda este ano pode ter uma produção bem maior, mas, antes de ver, duvido que tenha o mesmo punch do Exército do Extermínio original, que George A. Romero lançou em 1973. O longa é excepcional, um dos melhores sobre o tema (contaminação cercando uma pequena comunidade - alguém aí lembrou dos mortos-vivos?). O cineasta usa toda sua habilidade para administrar o suspense, criando sequências que namoram com o cinema de ficção fatalista que dominou a década de 70. Como Romero nunca é solene, o filme é muito naturalista, quase que no sentido jornalístico, com algumas cenas em que a montagem acelerada vira representação da tensão dos personagens.

Noite de Terror 




Black Christmas, Bob Clark, 1974
Em tempos em que o cinema de terror recorre aos instrumentos de tortura para cooptar o espectador, nada melhor do que assistir a uma obra-prima como Noite de Terror, clássico absoluto dirigido por Bob Clark em 1974. O filme é um exercício de adminsitração do suspense, com roteiro e montagem extremamente afinados com a direção segura de Clark. Além disso, o filme já tem a falta de pudor, o politicamente incorreto e a sacanagem que veríamos sete anos depois no longa mais famoso do diretor, Porky's. Apesar de Olivia Hussey, a Julieta de Franco Zeffirelli, ser a mocinha do filme. Margot Kidder, a eterna Lois Lane, é quem está genial. Completamente amoral, no sentido sexual ou não. Uma das melhores cenas do longa é quando o pai da moça desaparecida fala ao fone sobre como as amigas "decentes" da filha o ajudam a procurá-la e Margot Kidder no fundo dá uísque pra um moleque. A fotografia de Noite de Terror também impressiona porque é extremamente criativa, mesmo num ambiente tão fechado. A cena da morte na cama, em meio a peças de cristal, é brega e linda.
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Comentários
Gosto muito de "Exército de Extermínio". Ele entra fácil na lista dos melhores do Tio Romero. De todos os seus filmes, este ao meu ver é o mais agressivo do cineasta no que se refere a crítica social. Diria que a montagem acelerada citada por você, reflete muito o cinema rústico que o diretor realizou durante seus primeiros filmes (Martin é outro exemplo parecido).
E sempre tive curiosidade para assitir "Noite de Terror". A refilmagem batizada de "Natal Negro" é bem decepcionante ainda mais pelo fato do diretor Glen Morgan ter acertado na outra refilmagem que realizou (o interessante Vingança de Willard).
E quando teremos algum dos filmes do Lucio Fulci comentado por aqui?
Parabéns pelo Blog!!!
Abraços.
Danilo Areosa.
E fiquei doidão pra ver o BLACK CHRISTMAS!
Eu, se fosse você, baixaria agora, Ailton.
Danilo, vi poucos filmes do Fulci e não me senti à vontade para escrever sobre uma obra de que conheço quase nada. Mas "Zombie 2" me deixou impressionado e ganhou uma vaguinha no meu último 100 mais.
Forte abraço a todos.
Alexandre, acredito que nenhum tenha sido lançado em DVD no Brasil, mas posso estar enganado.
Aliás, aproveitando aqui, eu assisti Ilha do Medo e adorei. O seu último parágrafo expõe maravilhosamente bem a ideia de representação de gêneros pelo Scorsese no filme. É uma espécie de descontrole sob controle.
Forte abraço.
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