Segunda, Março 1
[um olhar do paraíso]



A primeira meia hora do novo filme de Peter Jackson tem todas as qualidades de seu cinema. Jackson é um dos poucos diretores que sabem transformar o imenso em particular. Seus blockbusters correm muito próximos ao espectador. É também o diretor de uma fluidez única, um mestre da narrativa clássica, do conto popular, de um cinema das antigas ou à moda antiga. Um Olhar do Paraíso, nesta primeira hora, tem tudo isso. E ainda tem uma fotografia inspirada, uma direção de arte belíssima, uma trilha acertada e a maior atriz infanto-juvenil do momento, Saoirse Ronan, ótima.
Mas passados estes trinta minutos iniciais, tudo passa a ser questionável no novo filme de Jackson. Adaptado de um romance espírita, onde uma adolescente narra os fatos que levaram a sua morte, parte mais palatável, à medida que conquista seu lugar ao sol no paraíso, caminho que inevitavelmente transita pelo gosto duvidoso. O mais curioso é que Saoirse, de longe a melhor coisa do filme, está na parte mais complicada de Um Olhar do Paraíso. Sua interpretação corre distante do tom do resto do filme. Mesmo sem o fator "novidade" de seus primeiros trabalhos, a garota conquista com uma performance madura e difícil.
O restante do filme, no entanto, nunca se equipara a interpretação de Saoirse. Nem mesmo Stanley Tucci, correto e indicado ao Oscar no papel do vizinho. Saoirse narra e transita pelo melodrama de kitsch de Jackson sem se contaminar com a escandalosa breguice das imagens. Escandalosa mesmo. De fazer vergonha ao currículo do cineasta em alguns momentos. A parte factual do filme, a investigação sobre o crime, ainda passa, mesmo que o restante do elenco não passe do ordinário. No entanto, a cota metafísica do longa fica perdida entre Amor Além da Vida e a novela A Viagem. É constrangedor em suas composições simplistas e multi-coloridas do destino final de uma alma perdida.
Um Olhar do Paraíso 

The Lovely Bones, Peter Jackson, 2009
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Comentários
a menina está demais,o ator que faz o vizinho depravado está demais,o marc halbergh se não é brilhante não e pessimo.a trilha do filme
e emocionante.se junta a um homem serio,bastardos inglorios,a fita branca e guerra ao terror para mim como os melhores do ano .
Flávio, você é um herói.
Vinícius, eu apostava no Jackson.
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péssimo 







