Quinta, Fevereiro 18
[o que resta do tempo]

Comparar nunca é muito justo, mas é inevitável colocar O Que Resta do Tempo, do palestino Elia Suleiman, na balança junto com Carmel, do israelense Amos Gitai. Os dois filmes, que foram exibidos no Festival do Rio do ano passado, são uma espécie de "livro de memórias" de seus diretores sobre suas vidas durante os anos de conflito entre seus dois países. Gitai busca o formato menos convencional, alternando dramatização, leitura de cartas, imagens da época e intervenções em primeira pessoa. É mais ousado, mas tudo o que faz resulta numa massa sem cabeça, falta unidade.
Já Suleiman, embora intervenha pessoalmente num prólogo e num epílogo estendido, prefere dramatizar todo o resto e obtém um resultado infinitamente superior, em que utiliza suas experiências pessoais como ponto de partida para entender o conflito eterno que seu país vive. Em O Que Resta do Tempo, em exibição em circuito, o palestino usa o mesmo senso de humor melancólico impregnado no seu filme mais famoso, Intervenção Divina, para revisitar suas memórias. Há momentos brilhantes, sobretudo quando ele evoca Chaplin e Jacques Tati. No entanto, o filme cai consideravelmente quando Suleiman entra em cena, no ato final. Ele não é ator, mas acredita que sua performance silenciosa funciona. Não é bem assim.
O Que Resta do Tempo 


The Time That Remains, Elia Suleiman, 2009
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