Sexta, Fevereiro 5
[mother]



A primeira cena de Mother já indica o que virá pela frente. Num momento antológico para o cinema recente, a personagem-título dança num campo aberto. Estes minutos iniciais já valem o ingresso dxa sessão, mesmo que as imagens, de uma melancolia irresistível, só façam sentido perto do fim o filme, quando se integram definitivamente à narrativa. Mas quando engrena sua trama, Bong Joon-ho não abandona o cuidado com suas imagens. Há pelo menos outros dez momentos, todos discretos, em que ângulos, iluminação ou movimentos de câmera transformam Mother numa pintura.
Mas este é o novo filme do diretor da obra-prima O Hospedeiro e, como aquele, é um filme extremamente pop e, apesar de esconder nuances e detalhes, é bastante simples: conta a história de uma mãe que tenta provar a inocência do filho deficiente, acusado de um assassinato. Bong aposta no drama policial, terreno em que já havia pisado no ótimo Memórias de um Assassino. Bong se apropria de elementos do suspense clássico, que servem para compor uma mistura de história de amor incondicional, retratada com pequenas delicadezas, e thriller de primeira grandeza, com roteiro inteligente e cenas assustadoras.
Mesmo com todo o domínio de cena que o diretor exibe, Mother não seria a metade do que é sem sua protagonista. A atriz Kim Hye-Ja, genial, equilibra a força e as fragilidades de sua personagem com imensa desenvoltura numa das performances mais sensíveis dos últimos tempos. Ela valoriza a cena final do filme, quando a protagonista faz uma escolha definitiva e celebra o que está por vir.
Mother 



Madeo, Bong Joon-ho, 2009
P.S.: alguém me explica porque um filme coreano é lançado com o título em inglês e um subtítulo em português?
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Comentários
"Mother - Essa mamãe é da pesada"?
"Mother - A Busca pela Verdade". Qual é o problema de colocar "Mãe"?
Ainda por cima o filme só foi lançado em duas cópias digitais. Triste.
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