Quinta, Janeiro 28
[invictus]



Clint Eastwood parece ter dedicado seus últimos anos a provar que o cinema bom pode sair do mais simples. Invictus é mais um capítulo em sua missão de converter histórias repletas de clichês em obras delicadas sobre temas tão banais quanto companheirismo, amizade e heroísmo. O filme é um recorte da recente história da África do Sul, que acompanha a ascensão de Nelson Mandela ao poder e sua tentativa de unificar seu país, rachado pelo apartheid, através de um desacreditado time de rugby. A missão do presidente e dos atletas só não é mais difícil do que a de Clint: retirar dessa história de altruísmo um filme que não se apoiasse em mecanismos de coopção do espectador pelo bom mocismo dos personagens.
Mas, vejam só, é exatamente isso o que Clint não faz. O velho diretor aposta justamente nos clichês. Na verdade, em como administrá-los de uma maneira que quem assista ao filme perceba que está sendo intimado a torcer para que o plano do personagem dê certo, mas não se sinta nem um pouco incomodado por isso. Melhor: decida que isso é a coisa certa a fazer. A tática do cineasta é trabalhar num tom abaixo do que filmes com histórias semelhantes costumam ser conduzidos. As decisões tomadas por Mandela, na visão de Clint, não são grandiosas nem merecem celebração antecipada. O personagem enxerga o mundo com bastante clareza e suas ações parecem prolongamentos naturais do que a situação exige. O Mandela de Clint trabalha com a demanda.
E para compor um personagem sem excessos, Clint contou com um ator que há tempos não nos oferecia uma interpretação tão boa. Morgan Freeman constrói um Nelson Mandela absolutamente espontâneo, linear, naturalmente correto. É imensamente fácil se apaixonar por ele e pela maneira simples e direta como ele se manifesta. Freeman evita a caricatura, mas não economiza nos artifícios para deixar seu personagem encantador. E é exatamente isso o que Clint faz no longa como um todo. Há frases de efeito, cenas que flertam com o maniqueísmo e um uso indiscriminado da câmera lenta para dar cabo do projeto deste filme, mas nenhum desses maneirismos parece abalar a estrutura sedimentada pelo diretor. Pelo contrário, eles reforçam a proposta do cinema de Clint. Invictus parte do básico, do óbvio, do simples para resgatar o fundamental.
Invictus 


Invictus, Clint Eastwood, 2009
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Comentários
Achei muito constante, mas as atuações
estão ótimas.
Uma semana antes tinha visto um filme
com o Morgan Freeman fazendo o papel
de Nelson Mandela (End Game), e em
Invictus ele foi incrivelmente melhor
fazendo o mesmo personagem
Gildinho, concordo que haja uma empostação, mas eu acho que isso parece tão natural no filme que as qualidades ultrapassam os lugares comuns.
Na sessão que eu vi todos esperaram até os créditos para verem as fotos do jogo real.
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péssimo 







