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Sexta, Janeiro 22

[amor sem escalas]

Jason Reitman

Jason Reitman

Jason Reitman

Vez por outra um filme "pequeno" chama atenção dos críticos, ganha um monte de prêmios, vira favorito para concorrer o Oscar e... não me convence nem um pouco. Este é justamente o caso de Amor Sem Escalas, o terceiro trabalho de Jason Reitman, um diretor que ganhou, nos últimos anos, um status que não merece. Obrigado por Fumar é um daqueles exemplos de filmes moderninhos sem substância, que apostam na polêmica. Vale só pela atuação de Aaron Eckhart. Já Juno é uma surpresa, um filme que parecia moldado para agradar culturetes e que se revelou uma obra fiel às contradições de um adolescente.

A primeira metade de seu novo filme evoca o cinismo de Obrigado por Fumar na maneira de olhar o mundo dos profissionais pagos para demitir pessoas. E é até mais eficiente do que o primeiro longa do diretor porque não parece forçar a barra na composição dos personagens nem busca um discurso de choque para se fazer valer. Tudo acontece como se espera que aconteça, mas a parceria com George Clooney garante um certo quê de refinamento. A sequência do encontro do personagem de Clooney com a de Vera Farmiga é charmosíssima. O filme parecia ser uma viagem, classe executiva, agradável a um mundo fechado, mesmo que num modo padrão.

Mas o roteiro pedia uma virada e essa virada, além de não buscar desesperadamente um estalo para acontecer - e não encontrar - acontece da forma menos justificada possível. O solteirão convicto que adorava sua condição de espírito livre resolve repensar suas prioridades assim, do nada, de repente. E o filme, que tinha por foco aquele ambiente ferino passa, sem nenhum aviso, a ser sobre um filme sobre solidão. O maior problema é que esse filme sobre solidão tem a visão mais careta, antiquada e tradicional possível sobre felicidade. Se a primeira metade parecia oferecer um produto básico, mas charmosinho, o resto do filme cai numa mediocridade incômoda.

Como George Clooney está exatamente idêntico a seu último papel (que já era igual ao antepenúltimo e por aí vai) e Anna Kendrick tem um papel muito mais complexo do que ela pode dar conta, ainda que se esforce para isso, somente Vera Farmiga, cuja personagem é a mais bem resolvida do filme (e que garante que a mesmice não tome conta completamente de Amor Sem Escalas), é a única atriz do filme que merece os louros. Está adorável. Muito melhor do que filme.

Amor Sem Escalas EstrelinhaEstrelinha
Up in the Air, Jason Reitman, 2009

posted by Chico Fireman at 20:00:26 | 7 comentários



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Comentários




Eu devo rever o filme esses dias, mas UP IN THE AIR também ficou bem abaixo das minhas expectativas. Na verdade, acho que o problema é justamente esse: prêmios demais, expectativas altas demais, para um filme que não tem nada demais. E também me incomodei com essa visão careta de felicidade, até porque bem tava gostando do discurso do personagem, o papo da mochila e tal... hehe, já tava pensando em virar um seguidor dele...
Mas gosto do Clooney, impecável no papel, na minha opinião. E acho que a Anna Kendrick dá conta do recado sim.
22.01.10 @ 20:21


Jason vem se tornando um favorito das premiações com seus pequenos filmes medíocres. Acredito que apesar de seus filmes serem bons, eles não merecem tanta atenção assim por parte das premiações.

http://cinemaemdvd.blogspot.com/
24.01.10 @ 12:27


Tadeu Nascimento · http://comendofilmes.blogspot.com
Que pena, pois tinha grande expectativa em torno do filme,
25.01.10 @ 23:42


É, versatilidade não é um forte de Clooney, no que se refere a seus talentos dramáticos.
26.01.10 @ 15:11


flávio
tadeu não desanime por que alguém criticou ou se empolgue por que alguém elogiou.assista e tire suas conclusões.
esse ano tá mais fraco que o ano passado as premiações chico?
26.01.10 @ 20:45


Assino embaixo do Flávio, Tadeu. Eu acho que tá meio fraco mesmo, Flávio.
27.01.10 @ 19:51


se não existisse uma certa Mo'Nique...
Vera Farmiga teria seu oscar esse ano...
20.02.10 @ 14:43


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