Quarta, Dezembro 30
[ervas daninhas]



É surpreendente como Alain Resnais, aos 87 anos, mantém seu cinema tão cheio de frescor. O texto de seu novo filme, adaptado de um livro de Christian Gailly, é de uma fluidez de fazer inveja a muitos realizadores novatos. Resnais conduz tudo com uma leveza impressionante até mesmo quando ganha contornos mais dramáticos mais arriscados. O diretor se alimenta de cada palavra para construir o perfil do personagem de André Dussolier, numa interpretação excelente. Um personagem que se transforma incessantemente. Transformações ousadas, mas que nunca fazem o personagem perder sua humanidade. Pelo contrário.
O cineasta utiliza as transformações de Dussolier determinar a própria estrutura e a narrativa do filme, que muda à medida que o protagonista ganha um novo contorno. Resnais, no entanto, conduz esse passeio por gêneros, formatos, brincadeiras - chamem como quiserem - com uma naturalidade que não se perde nem quando o filme se afasta da verossimilhança. O resultado é único.
Ervas Daninhas 



Les Herbes Folles, Alain Resnais, 2009
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