Quarta, Dezembro 16
[abraços partidos]

Pedro Almodóvar foi um grande cineasta. Mas isso acabou em 2004, quando o espanhol dirigiu o auto-biográfico Má Educação, um filme frouxo e tímido, que não tem nem a elaboração visual nem o domínio de cena de suas três obras anteriores (Carne Trêmula, Tudo Sobre Minha Mãe e Fale com Ela), uma melhor do que a outra. Almodóvar se recuperou com Volver, que é pouco mais do que um filme correto, mas nunca voltou ao mesmo patamar de antes. Abraços Partidos confirma essa teoria.
O filme noir de Almodóvar começa perto do brilhante, tecendo uma trama cheia de nuances, que respeita e subverte as regras do gênero, sem deixar o universo típico do cineasta, como nas cenas das leituras labiais, com uma inspiradíssima Lola Dueñas. Assim como o noir, Almodóvar nunca teve problemas em experimentar os limites entre o sério e kitsch - e neste filme faz isso de novo. A costura do diretor ainda inclui múltiplas referências cinematográficas, com filmes e cineastas sendo citados constantemente, além de referências a seu próprio cinema, com as presenças de atrizes que marcaram sua carreira, como Kiti Manver, Chus Lampreave, Rossy de Palma - todas em papéis menores, mas inpirados - e Blanca Portillo, perfeita, na melhor performance do longa.
No entanto, no terço final do filme, o cineasta liberto de outrora se prendeu a uma obrigatoriedade narrativa boba que não está à altura do restante do longa. Embora o epílogo mostre um Almodóvar revigorado, retrô, auto-referente, o desenlace da trama policial é frustrante e excessivamente explicadinho.
Abraços Partidos 


Los Abrazos Rotos, Pedro Almodóvar, 2009
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Comentários
Pois é, como vc mesmo confirmou, o Almodóvar nunca mais foi tão bom.
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péssimo 







