Quinta, Novembro 26
[do começo ao fim]



Verossímil, diz o Houaiss, é aquilo "que parece verdadeiro" ou "que é possível ou provável por não contrariar a verdade; plausível". Verossimilhança é o principal problema de Do Começo ao Fim, um filme em que simplesmente não se consegue acreditar. Essa afirmação, embora possa ter alguma leitura moralista, está longe disso. Justamente porque o único mérito do filme de Aluísio Abranches - guarde o "único" - é tocar num tema tabu. E não existe maior tabu do que o incesto.
Seria, então, o caso de chamar o diretor de corajoso e estender o cumprimento a todos os envolvidos nos longa-metragem, sobretudo os atores que deram a cara a tapa e colocaram em risco a possibilidade de virarem galãs globais. Mas o adjetivo, corajoso, perde qualquer sentido depois de assistir ao filme justamente por causa da verossimilhança. Do Começo ao Fim, a história de amor entre dois irmãos, não oferece o menor conflito. Se não ter conflitos já é pecado mortal para um filme com uma temática convencional, o que dizer de uma obra que toca num assunto tão polêmico?
O diretor parece apostar que o tema já é tão particular que somente o fato de se estar tratando dele é o suficiente. Em momento algum do filme, o maior tabu que existe causa espanto, estranhamento ou gera qualquer tipo de reação contrária. A única cena em que se desenha algo do tipo é resolvida com uma passagem de tempo e uma solução pobre de roteiro, como se fosse uma maneira rápida de se livrar de um incômodo e se abster de falar sobre preconceito. Não passa disso, o que leva a crer que Abranches situa seu filmes numa dimensão paralela, onde a sociedade enxerga o amor entre dois irmãos, homens ainda por cima, como mais uma das brincadeiras da vida. Ê, mundão!
Fica bastante claro que Abranches tem uma boa intenção em adotar essa narrativa rio-sem-correnteza: ele quer que a história de amor entre os irmãos seja vista pelo prisma da história de amor e não pela polêmica. Mas entre entender o namoro dos dois como mais uma possibilidade de relacionamento e simplesmente ignorar como esse namoro seria olhado, entendido, recebido pela sociedade nos padrões em que ela está formada hoje é muita ingenuidade, ou pior, é uma atitude acovardada. Qualquer pessoa com o mínimo de discernimento sabe que uma relação desta natureza enfrentaria percalços bem maiores do que uma viagem para o exterior.
Guardou o "único", né? Pois bem, os problemas de Do Começo ao Fim não se resumem a verossimilhança ou acomodação. O filme é de uma fragilidade dramática que parecia ter sumido do cinema brasileiro. Nada parece realmente sólido no filme. Como se esquiva de fazer um filme inteligente, Abranches dirige como se estivesse num comercial de sabonete, com tudo muito limpinho em cena. Visualmente há momentos constragedores, como a cena em que os dois irmãos ficam pelados na sala: aí percebe-se que Abranches adota uma estética gay (músculos, corpos depilados, riqueza e conforto) para atrair um público específico, que se contenta apenas com beleza.
Não há direção de atores. Como o roteiro não ajuda, mesmo nas cenas mais banais, os intérpretes parecem vagar em busca de alguma coisa que indique o que fazer, que tom adotar. Quem mais sofre são os protagonistas adultos: Rafael Cardoso mantém sua performance a la Malhação, que trouxe da TV Globo, não incomoda. Mas João Gabriel Vasconcellos, a quem cabe manter o clima de sofrimento (ainda que nunca se justifique o sofrimento no filme), aparece com os olhos marejados e a expressão de "tenha dó de mim" em todas as cenas. É quase insuportável, ainda assim, acredite, ele é o menor dos problemas.
Do Começo ao Fim 
Do Começo ao Fim, Aluisio Abranches, 2009
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Comentários
Acho mudaria muito porque o incesto ainda é nosso maior tabu. Eu sinto muito em ver um filme que, como você diz, é o primeiro a mostrar um casal de gay felizes (se bem que não é exatamente o primeiro), ser tão raso na construção dessa felicidade.
É realmente constrangedor.
Pois é, verossimilhança só é coadjuvante em filmes escapistas - e não parece ser a intenção deste aqui.
Espero que o filme não seja tão hipócrita quanto a sua crítica. Só concordo com a questão da verossimilhança e isso parece ser o grande problema para o filme.
Endosso as palavras do Jean Fabian.
http://twitter.com/jantavares
João Gamgi, o público específico de que eu falo é o público gay que só sai de casa para ver filmes com temática gay. Ou você vai ser hipócrita e dizer que esse público não existe?
E sobre a verossimilhança, devo estar errado mesmo, dois irmãos que namoram, transam, se casam não devem chocar tanto o pessoal.
Jean, não quero brigar com ninguém, mas esse filme não tem nada de conto de fadas. Ele pretende tocar numa ferida. Existe essa intenção. O próprio diretor fala isso. O problema é que ele toca na ferida, mas faz isso como se estivesse escondendo justamente o que quis mostrar. Na boa, tem outros filmes muito melhores que mostram um casal gay feliz. Isso não é mérito desse filme.
E, sinceramente, não acho que esse filme seja importante para coisa alguma. Pelo contrário, acho um desserviço.
Gostar de um filme só porque ele mostra gays felizes é muito pouco, não? Um filme que não se aprofunda em nada, que poderia ter um papel contestador importante, mas que morre na superfície. Um longa mal filmado, de plástico, ora... se nem o André Fischer gostou do filme (http://afischer.blog.uol.com.br/), o que mais falar?
Essa estética de comercial de sabonete, como você bem colocou, também reforçou em mim um senso de oportunismo gay bastante idiota - do tipo "meu filme tem dois homens lindos se beijando em um cenário de bom gosto, é claro que você tem que vê-lo".
Exato, Diego, é um filme bastante interessado em levar gays para o cinema. Para anhar dinheiro, claro.
Extremamente bem fundamentada e descritiva de onde e como você percebe que poderia ser melhor.
Críticos assim realmente fazem a diferença no aprimoramento da arte.
Mas nada justifica os péssimos atores mirins e demais atores fracos que parecem recitar receita de bolo. Não achei um lixo, mas isso pesou pra ficar incomodado.
Leo, acho que gostar do filme porque ele é feliz é muito pouco porque ele é muito infeliz enquanto cinema.
Acredito que a proposta do filme como ( iniciante) esta de bom tamanho( so lembrando que infelizmente existe um lado comercial e que tem de ser respeitado ou entao filme brasileiro nao existiria a beleza "limpinha " se faz necessario para a venda. TRagedia grega nao necessariamente deve esta presente em tudo .
POREM JA VI O TRALLE VÁRIAS VEZES E JA ATE ME EMOCIONEIEM VER O AMOR ENTRE DOIS IRMÃO,CONFESSO QUE É UM POUCO ESTRANHO POIS A A HISTÓRIA SE PASSA ENTREW DOIS IRMÃOS O QUE PODERIA SER ENTRE DUAS PESSOAS DIFERENTES AMIGOS TIPO AMIGOS QUE ACABARAM DESCOBRINDO QUE GOSTAVA DO OUTRO COISA ASSIM,MAS TUDO BM NAO FOI ASSIM ME CONTENTO COM O QUE TENMHU QUE VER MESMO SENDO ENTRE DOIS IRMÃOS,QOUE MAIS IMPORTA AGORA É O CINEMA DE ONDE MORO ADQUIRIR O MAIS RÁPIDO POSSIVEL POIS ESTOPU AFIM DE VER ESSA HISTÓRIA.
Do começo ao fim é o maior mico do ano, de longe. Mas um mico anunciado, soubemos antecipadamente que seria ruim. A vantagem que teria um filme desses, é de sermos surpreendidos positivamente por detalhes, o que não acontece em momento nenhum do filme. É um lixo, mas não é motivo para deixar de vê-lo o curioso cinéfilo.
E como você disse, há outros filmes que tocam em tabus ou que mostrem gays sendo felizes. Mas ter isso como "qualidade" é muito, muito pouco para fazer um filme bom.
Estive lendo sobre as postagens e não pude deixar de compartilhar com todos minhas idéias.
Creio que fatores visuais interferem muito nas relações de entendimento do público e, por esta razão talvés tenha-se filmado a certa maneira. Afinal, o insesto nao e um assunto facil de se lidar (ainda mais no cinema, que abrange todo tipo de publico, se mesmo ainda o preconceito entre amor de mesmo sexo ~e.
Creio que as pessoas deveriam olhar sobre um ponto de vista simples O AMOR. Quando tentamos desvendar e criar teorias gigantescas sobre algo, acabamos nos perdendo.
Li algo aqui em que menciona-se sobre alguns dos prismas existentes no mundo e, concordo. Existem muitas situacoes em que as vezes nem sempre o sujeito gostaria de passar (ou sentir) por~em existem e est"ao ali.
Se enxergarmos sobre o prisma do amor, inpependente se ENTENDEMOS ou nao, melhorariamos nosso ponto de vista sobre o preconceito.
O que nao entendemos, nao significa que nao existe ou que nao seja realidade.
Para algume, existe aquela realidade. O que devemos fazer para se ter paz e mantermos uma politica de boa vizinhan~ca (entre todas as cores, credulos, crencas e escolhas), ~e simplesmente nao criticar (se nao concordamos com algo, nao o faremos em nossas vidas pessoais, porem entendemos que existe e nao temos direito de abolir outras pessoas por razoes diferentes).
Creio que o tema deveria mesmo ter sido abordado pelos atores de forma mais s~eria (em sua interpretacao).
Talves algum dia sejamos capazes de entender mais sobre as diversas facetas do amor. Enquanto nao entendemos, estamos convencionados a ser induzidos por figuras limpas visuais para que nosso inconsciente não nos perturbe demais em questoes as quais nao queremos acreditar (porem existem).
O universo é grande, seria realmente um pensamento muito pequeno abordar fatos reais com um certo tom de preconceito sobre algo que nao se tem capacidade de entender.
Achei chocante num aspecto, verdadeiro em outro, inoportuno mas também necessario.
Abraco a todos
Xicão
Achei interessante a construção do filme; digamos assim, a forma "poética" pelo qual o diretor optou por conduzi-lo. Pelo que pude ler por aqui, a opção por quase não passar perto dos "julgamentos" talvez tenha sido proposital, visto que esse aspecto parece ser o mais comentado por aqui, quando já havia sido nitidamente expresso durante a sessão quando pessoas saíram ao longo dela.
Tratar da temática homossexual já provoca reações conservadoras; falar de uma relação incestuosa , homossexual, que não se dá por intermédio da violência, mas talvez pelo ótica daquilo que alguns aqui chamaram de amor, certamente provoca reações ainda mais conservadoras.
Sem querer me ater às diversas questões técnicas ou não do filme, acho que ele tem por mérito nos provocar certo incômodo; potencializá-lo para além de certos moralismos/julgamentos talvez seja o que possamos tirar de melhor dele.
Encerro o breve comentário com uma fala da mãe, presente numa das poucas cenas onde parece haver certo "julgamento", ou seja, ao ser indagada sobre certa intimidade "exagerada" entre os filhos, ela diz:
"Você quer que eu diga a eles que o sentem pelo outro é errado?".
É nesse sentido que me refiro à potência do filme, ou seja, irmos além do certo/errado já seria algo bem interessante.
A escolha de não tratar o incesto gay como tabu foi válida no filme. Ainda que não seja verossimel, pouco importa. A arte pode levar a tudo.
O problema é que o filme tem furos gigantescos, nenhuma escalada dramática e fica vazio.
Numa cena, sabe-se que o pai de uma das crianças morre. Na seguinte, sabe-se que a mãe morre. Na outra, os irmãos tiram a roupa fazendo o strip tease mais frio que já vi na vida. Nenhuma das cenas toca o público. A não ser que se refira a gays querendo ver corpos nus, o que não recrimino, mas não pode ser a razão do filme.
Tenta-se criar um conflito fajuto com a viagem, o interesse de um dos irmãos pela farra... a mulher fatal entra e sai de cena numa boa, e os irmãos voltam a se ver do nada. CONSTRANGEDOR!!! Eu esperava que esse pudesse ser um dos grandes filmes brasileiros. Foi apenas mais um.
Se a intenção do filme era abordar o drama de uma relação incestuosa homossexual entre dois irmãos, falhou. Ou se de fato abordar a ultrapassada temática gay de dois homens que se amam, o segredo de Brokeback Mountain já o fez de maneira mais densa.
O filme do diretor Aluizio Abranches é realmente do começo ao fim, pouquíssimo ousado para o tratamento de um tema que poderia render muita polemica e aproveitamento.
Os atores mirins Gabriel Kaufmann (Thomas), e Lucas Cotrim (Francisco), que vivem os irmãos na primeira fase do filme, é talvez o que há de melhor, não esquecendo também da bela atuação de Julia Lemerts (mãe), que foi pouquíssima aproveitada, “já que a mataram na primeira fase do longa”. Fabio Assunção (pai) atua assim como Helouise Cardoso (mais perdida que cego em tiroteio) como quem faz uma novela das oito, não desmerecendo.
Os atores Rafael Cardoso e João Gabriel Vasconcellos irmãos na fase adulta, são apenas dois modelos bonitos que contracenam, não há nada de intenso nem tampouco intrigante na atuação de ambos.
O filme é ousado no que se diz respeito apenas às cenas de nudez desnecessária, onde os atores não poupam beijos e amassos.
O filme foi muito comentado na mídia antes do seu lançamento, prometendo tratar de um amor impossível e denso, mas na fase adulta dos personagens até esquecemos que são irmãos, parecem viver uma relação normal e tranqüila, e muito bem aceita. Com certeza deixou muitos amantes de um bom filme nacional decepcionado.
Se tratando de um tema tão polêmico, era necessário que houvesse no enredo, todos os conflitos psicológicos dessa relação, as causas e efeitos, traumas e entraves, que sendo uma relação homossexual, assunto que ainda é alvo de muito preconceito no Brasil,é também uma relação incestuosa. Precisávamos sofrer com os personagens, porque sem hipocrisia alguma, um amor desse tipo, o que não acha mesmo é um mar de calmaria, ainda mais numa sociedade tão preconceituosa como a nossa.
Ao sair do cinema, temos a sensação de que gastou – se um cartucho desnecessário, uma bala perdida sem que nem pra que.
Quem não viu veja, talvez não concordem comigo, e nem é preciso.Valeu a intenção, mas isso só não vale.
Se a intenção do filme era abordar o drama de uma relação incestuosa homossexual entre dois irmãos, falhou. Ou se de fato abordar a ultrapassada temática gay de dois homens que se amam, o segredo de Brokeback Mountain já o fez de maneira mais densa.
O filme do diretor Aluizio Abranches é realmente do começo ao fim, pouquíssimo ousado para o tratamento de um tema que poderia render muita polemica e aproveitamento.
Os atores mirins Gabriel Kaufmann (Thomas), e Lucas Cotrim (Francisco), que vivem os irmãos na primeira fase do filme, é talvez o que há de melhor, não esquecendo também da bela atuação de Julia Lemerts (mãe), que foi pouquíssima aproveitada, “já que a mataram na primeira fase do longa”. Fabio Assunção (pai) atua assim como Helouise Cardoso (mais perdida que cego em tiroteio) como quem faz uma novela das oito, não desmerecendo.
Os atores Rafael Cardoso e João Gabriel Vasconcellos irmãos na fase adulta, são apenas dois modelos bonitos que contracenam, não há nada de intenso nem tampouco intrigante na atuação de ambos.
O filme é ousado no que se diz respeito apenas às cenas de nudez desnecessária, onde os atores não poupam beijos e amassos.
O filme foi muito comentado na mídia antes do seu lançamento, prometendo tratar de um amor impossível e denso, mas na fase adulta dos personagens até esquecemos que são irmãos, parecem viver uma relação normal e tranqüila, e muito bem aceita. Com certeza deixou muitos amantes de um bom filme nacional decepcionado.
Se tratando de um tema tão polêmico, era necessário que houvesse no enredo, todos os conflitos psicológicos dessa relação, as causas e efeitos, traumas e entraves, que sendo uma relação homossexual, assunto que ainda é alvo de muito preconceito no Brasil,é também uma relação incestuosa. Precisávamos sofrer com os personagens, porque sem hipocrisia alguma, um amor desse tipo, o que não acha mesmo é um mar de calmaria, ainda mais numa sociedade tão preconceituosa como a nossa.
Ao sair do cinema, temos a sensação de que gastou – se um cartucho desnecessário, uma bala perdida sem que nem pra que.
Quem não viu veja, talvez não concordem comigo, e nem é preciso.Valeu a intenção, mas isso só não vale.
Cito dois filmes que adoramos...
ANDER- flme basco...excelente
e croncamente inviável...roteiro ágil e muito bom de se ver...
Nessa sociedade extremamente libertária construída pelo diretor, não existem necessidades básicas nem outras necessidades sociais. Ninguém precisa de nada e de fazer nada. As pessoas somente fazem o que querem e porque querem fazer. São felizes e querem que os outros sejam felizes.
Quanto ao vislumbre do que seria o ponto máximo de uma sociedade perfeita - tão fácil de conseguir – esse filme me encanta.
Quanto a todo o resto, à edição, ao tempo, aos diálogos que parecem argumentos dissertativos, à atuação descompassada, à trilha sonora e à gratuidade/teatralidade de certas cenas, o filme me deixa furioso.
Esse filme não teve a pretensão de discutir a homossexualidade, suas causas e efeitos, nem tampouco o incesto e suas nuances...
Apenas pretendeu relatar a história de amor entre duas pessoas, um amor que extrapolou qualquer conceito ou preconceito, de tão grande, puro, bonito e verdadeiro e que nem cabia em si... História que poderia ser entre héteros, gays, lésbicas, negros, nordestinos, indianos, chineses, petistas ou peemedebistas, estranhos ou irmãos. Isso não era o mais importante.
E fez isso através de uma estética de comercial de sabonete sim, com atores bonitos, cenários bonitos, fotografia bonita. Tudo de encher os olhos.
Chega de achar que cinema nacional só pode mostrar pobreza, fome, violência, prostituição, mazelas sociais e chagas as mais diversas e só assim poderá ser cinema nacional de qualidade. Para se ver isso, basta abrirmos a janela de nossas casas e olhar para fora.
Chega de achar também que filme que trata a temática amor-gay só pode mostrar sofrimento, dor, culpa. Que um amor nesses termos nunca pode dar certo, ser feliz. Que tem que ser punido. Isso é o que a Igreja tentou (e conseguiu) incutir na cabeça das pessoas ao longo de séculos e séculos de dominação. E ainda faz isso!
Isso sim, é discriminação, homofobia, preconceito.
Assim como em frente à tv temos o livre-arbítrio para mudarmos de canal, nas salas de cinema podemos escolher assistir a um filme sobre Corínthians, sobre o Lula, sobre Os Filhos de Francisco ou Do Começo ao Fim. Isso é democracia, liberdade de escolha.
Ou pode ainda ir a um estádio ver uma final de campeonato de futebol, com todos os seus desdobramentos de violência e barbárie que presenciamos no último fim de semana. E isso parece ter se tornado normal, de tão banal que é (se tornou).
Cada um escolhe o que quer ver. E ser.
Kiko, todos nós podemos escolher o que quisermos, inclusive, ver um filme péssimo como este.
Raphael, pelamordedeus, defender um filme por causa do trailer nem merece comentário.
O filme é polêmico, sim, mas porque tem um incesto gay. O Abranches foi o maior oportunista do mundo porque pegou o tema como se fosse discuti-lo e não fez absolutamente nada. Qualquer filme para adolescentes estúpidos têm um roteiro melhor.
Os personagens de "Do Começo ao Fim" são bonitos, ricos, moram numa casa gigante, se amam e não têm nenhum problema na vida. Isso é absolutamente ridículo, ridículo, ridículo.
Decretei: este filme é o pior filme do ano.
Vai ver os filmes do Corinthians e do Lula e achar ótimos, em contraposição a esse seu "pior filme do ano"?
Decretei: cinema também é entretenimento.
Kiko, essa é a questão: aquilo NÃO É ARTE.
Douglas, o problema é que até os ricos, lindos e que moram bem têm problemas. Eles não.
Erica, é tudo verdade.
"Ê mundão!"
Se tem algum "plot" inserido aí, ele tenta se sustentar na homossexualidade dos personagens. Não dá pra fazer cinema sem conflito ou pelo menos alguma coisa que sustente o roteiro. Isso não é cinema e muito menos vida real. Não quero ver uma novela se todos os personagens são perfeitos e lindos, num conto de fadas sem a bruxa má.
Isso pode ser visto como clichê, mas não é. São recursos que, se bem trabalhados, conseguem compor um filmão.
Enfim, sou jornalista, trabalho agora no Terra, e quando assisti ao filme, fiz uma crítica curta e até porca, bondosa, por falta de entusiasmo. Mesmo assim, teve gente que meteu o pau em mim porque eu estava sendo homofóbico (isso sem ele ter estreado). Detalhe: eu sou gay.
Enfim, péssimo, péssimo. Assino embaixo que é o pior filme do ano. By the way, excelente crítica. Como poucas.
ainda bem que ainda podemos ter opiniões, e diferentes.
Chico, quantos filmes você já dirigiu mesmo? E quantos foram sucesso de bilheteria?
Ahamm...
O filme tem suas fraquezas, mas vale a pena vê-lo!!!
Ah Kiko, pelamordedeus, se seu argumento vai ser esse aí (crítico [e cineasta frustrado), ou seja, um argumento ridículo e agressivo, tadinho de você porque todo mundo vai ver que você não sabe defender o que quer. Eu não sou crítico de cinema. Só tenho um blogue onde escrevo o que EU ACHO sobre os filmes em que vejo. Se você não gostou do que eu escrevi, certamente achará outro lugar com "críticos" mais condescendentes com essa porcaria horrorosa que é um demérito para qualquer tentativa de fazer um filme gay decente no Brasil.
Danilo, valeu.
José Mauro, não há nada de preconceituoso nisso. Quer dizer que falar mal de qualquer coisa que tenha gay no meio é ser preconceituoso? O diretor claramente faz um filme para agradar um público gay interessado em corpos bonitos e apartamentos grandes. Mas eu não diria que ele atinge esse público porque tem muita gente inteligente que não caiu na armadilha.
Léo, acho que vale a pena vê-lo para se ter noção de como nunca se fazer um filme.
Mas reitero o fato de que o filme possui seu valor - além daquele de "como não se fazer um filme". Afinal, o cinema não é lugar onde justamente se pode sonhar? Onde por algumas poucas horas esquecemos as agruras da realidade e viajamos para um mundo irreal mas fantástico? Porque essa viagem tem que ser sempre para uma outra realidade também de agruras e sofrimento? Não compro muito este discurso de que o fato de ser dois homens belos fizeram com que os críticos rejeitassem o filme, mas me pergunto se fosse um casal de irmãos heteros- exatamente como o filme foi feito - se ele não teria a mesma recepção; acho que seria mais "bem-visto". Entendo a arte e o cinema como manifestações em que somos tocados de alguma maneira. Do começo ao fim toca em algumas pessoas e não em outras, da mesma forma que -sei lá- um disco de mpb de um artista qqr toca ou não alguém.
São essas reações apaixonadas que justificam o fato do filme ter sido feito.
Porém pena q "AMOR" só existe em
CONTOS DE FADA e NOVELA/FILME.
Só quem consegue ler as entrelinhas poderá entender e gostar do filme.
O que há de errado no fato dos personagens não terem conflitos? Acredito que isto seja um ponto que deixa o público incomodado... e é esta a premissa do filme!
Segundo ponto é o fato dos personagens do filme serem gays e terem um final feliz! Apesar de se reclamar tanto o fato dos filmes, com temática homo, serem marcados por tragédias... ainda assim se sente a necessidade disto.
Eles são irmãos, homossexuais, sem conflitos e felizes! Simplesmente porque se amam! Ponto.
Não fui agressivo com você. Apenas discordo com sua postura de que apenas os que concordam com você estão certos.
Que o filme possa soar algo inconsistente, tudo bem. Mas você há de concordar com o Léo em seu comentário acima que "Afinal, o cinema não é lugar onde justamente se pode sonhar? Onde por algumas poucas horas esquecemos as agruras da realidade e viajamos para um mundo irreal?"
Uma mensagem só cumpre seu papel quando provoca no público receptor uma reação.
Espero que esse filme sirva para fazer com que os avestruzes tirem suas cabeças dos buracos e enfrentem o incesto e a homoafetividade como algo real (não apenas bom, ruim, feio ou bonito) e os Narcisos observem algo além de sua própria imagem refetida no lago e enxerguem que não apenas eles são belos. Negar a existência das coisas não vai fazer com que elas deixem de existir.
Isso será um passo no sentido de aceitarem que o diferente não é necessariamente mal ou errado, mas apenas diferente. E que a convivência entre os diferentes pode ser pacífica e harmoniosa.
Valeu!
Ansiei pela cena de transição do amor fraternal para o desejo, e o que vi foi PATÉTICO. Morre o pai de um, a mãe dos dois e então eles estão na sala tirando suas roupas...ah, e dizer que aquela cena é metafórica não cola nem pra leigo como eu.
Alguém aqui citou Brokeback Mountain... e foi exatamente uma saudade dessa densidade e da expressão de Heath Ledger que senti ao deixar a sala. Não precisa ser escuro...mas tb nao precisa ser comercial de leite em pó, para não redundar em sabonete.
CONCORDO : Rafael Cardoso se salva por pouco... mas o João Gabriel irrita com cenas de risinhos bobos, e evidente esforço para convencer que não é o ator bonitão chamado pra ficar nu e atrair o tal "público corporal". Quantas possibilidades... Julia, Louise...e tudo acabou em lençol branco.
José Mauro, não está escrito de maneira nenhuma. Eu escrevi: "para atrair um público específico, que se contenta apenas com beleza". Esse público não é o público gay, mas o público gay burro, aquele que ignora inteligência e cultura e só se liga em roupas, futilidade e sexo. Esse público existe, mas, como eu disse, é "específico". A carapuça pode ser usada por quem quiser.
talvez até para mim tambem.
É como a felicidade:
eu só nao quero sentir um frio na barriga quando me der conta que deixei de acreditar nela. Não é a realidade que nós imaginamos que exista, é apenas realidade atrás da qual muitos correm, e correrão, talvez, até a morte.
Não recomende, José Mauro. Mas me odeie pelos motivos errados.
Pensando bem, quem sabe eles fazem o 2!!!hehe dârt
Para muitas pessoas, felicidade parece inacessível demais, utopia. Preferem ver o lado feio das coisas, talvez por se identificarem mais com ele.
Quando eu disse lá atrás que a Arte não precisa imitar a vida eu pretendi dizer que a visão do artista é única, singular, inapropriável, porque dele.
E o cineasta é um artista, um poeta das imagens. E por falar em poeta, Gilberto Gil resumiu tudo isso em sua belíssima música/letra Metáfora: "Por isso, não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudo nada cabe
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível"
João Alfredo - CE,
As pessoas têm medo do simples, pois imaginam que simplicidade é sinônimo de falta de conteúdo. E preferem falar muito sem dizer nada, sem perceberem o vazio que as ronda.
A cena de estupro de Almodôvar talvez chocaria mais e provocaria uma grande polêmica se fosse entre dois homens.
Acho que mais do que o tema, o que incomodou verdadeiramente a alguns/muitos nesse filme é que um casal gay conseguiu ser feliz, apesar de tudo. E se a felicidade dos outros incomoda, a felicidade de dois gays incomoda muito mais.
Qual o nome disso? Tente imaginar...
Discordo também quando muitos falam do conservadorismo e preconceito da sociedade dos dias de hoje. Besteira. Hoje há muito menos preconceitos que décadas atrás. Sem dúvida estamos melhor e se o filme fosse só para ganhar dinheiro teria saído em circuito nacional normal. Poucas cidades tem a oportunidade de passá-lo.
E se levou heteros para ver o filme e estes sairam dizendo constrangedor, essas pessoas, na verdade, são preconceituosas e fingem ser críticas só porque foram ver um filme gay que ficou polêmico na internet.
Concordo sobre as atuações e faltas de conflitos que pesam, como o autor da matéria diz, "em questão de cinema". Mas acho ele muito necessário para a sociedade em modo geral.
Tenho um relacionamento tabu. Gay namorando um menor de idade 7 anos mais novo. Nossos famílias se conhecem e temos uma relação ótima, sem preconceitos e constrangimentos. Assim, como MUITOS, MUITOS casais gays no mundo, e há muito tempo. Se críticos querem discutir sobre temática gay em cinema deveriam ir, no mínimo, ao festival mix brasil que tem uma base forte de documentários para realmente saber como está a sociedade hoje e não fingir serem inteligentes a ponto de explicar a sociedade de hoje, coisa que nem gigantescos estudiosos tem gabarito para fazer hoje (pois esses estudos só podem ser feitos anos após a data).
Richard
Não há como negar deficiências técnicas e as diferentes explicações para elas. De qualquer forma isso não invalida a proposta do trabalho, e as diferentes reações que provoca no público. Por esse motivo acredito que seja um filme que deva ser visto.
O tema é bastante intenso, e apesar da discussão não ser aprofundada, acredito que esse trabalho gere a discussão necessária. Os diferentes pontos de vista colocados nesse blog são bastante interessantes, mas não devemos caminhar por uma direção muito passional.
Acredito que esse trabalho, mesmo assim, seja um marco...
Não poderia deixar de comentar aqui, depois de ter passado 30 min. lendo quase tds os posts aqui realizados... Não irei criticar, nem idolatrar, nem falar bem ou mal do filme, mas...alguem aqui ja parou pra ouvir uma musica,não pelo que ela é, mas pelo simples sentimento que ela quer passar? ver o corpo de outra pessoa sem medo de estar sendo observando? dizer "eu te amo", sem resquicios de arrependimento?.... me perdoem todos que postaram algo contra ou a favor... mas não tentem advinhar o q o autor quis passar com o filme, pois só o mesmo, pode dizer isso. Entrefins, o que seria o amor, quando se ama? Tragedia?
humor?ação?realismo? perfeccionismo de cena ?arte?
Talves, devamos pensar que o que fez esse filme vir a tona seja o simples fato de alguem denominar o amor a sua forma.. e quem assistir, denomina-lo novamente a sua forma.
Novamente peço desculpas se fui muito meloso, mas ainda assim acredito que existe um pouco de inocencia e pureza no ser humano.
Sou gay, gostei de ver o filme e não me considero burro ou vazio por isso... Se existe um público específico que se contenta com futilidades, de acordo com essa visão, eu teria necessariamente que me ver encaixado nesse grupo...Isso sim é ridículo. Cinema é arte e entretenimento. A sensibilidade é não se coaduna com o sabor amargo da crítica indelicada, que se contenta em sentir-se inteligente, por ser vil, na verdade.
Glória, eu acho que se o filme com um casal de irmãos heteros adotasse o mesmo tom deste aqui, o resultado seria bem parecido.
Andy - Fortaleza, eu gosto MUITO de "Onde os Fracos Não Têm Vez" e sei que ele é um filme mais complicado de se gostar porque quebra as nossas expectativas de começo, meio e fim, mas acho que a comparação não tem sentido porque se trata de duas coisas bem diferentes. Então, não generalize.
João Alfredo, você não entendeu porcaria nenhuma do que eu quis dizer aqui e vem querer atacar com quatro pedras na mão. Como não tem argumento para defender esse filme, resolve agredir chamando quem não gostou de intelectualóide, entediado e amargurado. Que pobreza, meu amigo. Vamos trabalhar mais esse discurso, eu, ao contrário do que você possa achar, TORÇO para que você um dia tenha sucesso em fazer um comentário realmente fundamentado sobre o filme. Aí, eu voltarei a te responder.
Richard, se você achou o filme tudo isso mesmo, não tenho mais do que dizer. Mas, tipo assim, só tente falar sobre o filme. Agressões pessoais só desacreditam seu comentário. Fica raso, rasteiro, burro. Tipo "Do Começo ao Fim".
Bruno, seu comentário é tão estapafúrdio que eu só posso desejar que vc veja alguns filmes básico (comece pelos desnhos da Disney mesmo pra não dar muito choque) para a gente poder discutir sobre qualquer coisa.
ONO DO BLOG” e com certeza, se todos os que pensam diferente de você fizerem o mesmo, limpando seu espaço de comentários que com certeza você acha de uma pobreza cruel, certamente o seu espaço deixará de ser um local de debate sobre cinema e se tornará consenso, o local onde os súditos do REI sempre baterão palmas fortalecendo sua egolatria. Obrigado Glória, algumas pessoas acham que eu forcei um pouco a barra em classificar "Thelma e Louise" como um filme de temática gay. Realmente faz bastante tempo que eu vi o filme, mas acho que aquele amor entre as duas, mesmo nunca se consumando, pode ser interpretado dessa forma. Preciso rever.
O Chico elogiou a Glória! Será porque ela concordou com ele? Será que de quem discorda dele ele só consegue achar que estão fazendo ataques pessoais, que não sabem argumentar, que os argumentos perdem a credibilidade e consistência?
Volto a dizer: O cineasta é o poeta das imagens, e no poema dele tudo cabe (parafraseando Gil).
Ou será que o Chico vai também falar mal dos poemas de Drummond, Fernando Pessoa e que tais, dizendo que eles deveriam ter suprimido isso ou acrescentado aquilo?
Depois quando eu digo que crítico de cinema é cineasta frustrado, acham que estou fazendo ataques pessoais...
O Aluísio Abranches fez o filme dele (que ele idealizou). Quem quiser que faça o seu. Quem quiser que conte outra!!!
Cara, vc não tem um argumento, impressionante. Só faz se repetir. Ataques pessoais ("o Chico elogiou a Glória" - e daí?) e conjecturas ("será que é porque..."?). E o pior é que vai aumentando o grau (Drummond, Pessoa, etc). Mas, no fundo eu concordo com vc, o Abranches fez o filme que ele idealizou. Pena que foi uma bosta de filme. Pena. Poderia ter feito um filme simples e bonito sem recorrer a tantos clichês. Poderia ter tocado num tema tabu sem fazer escândalo, mas de uma maneira que pudéssemos acreditar na história que vemos na tela. Pena que ele fez um filme tão porcaria. Mas tudo bem. Muitas reencarnações virão, diria o Allan Kardec.
Sim, muitas reencarnações virão, prá todos nós que ainda não aprendemos nada. Principalmente a quem não consegue se desvencilhar da soberba.
abç
Vocês reclamam de tudo então bota minoria pra sofrer quero ver no que vai dar.
Bem, eu parei por aqui com "Do Começo ao Fim". Obrigado a todos que comentaram neste post. Tanto quem concordou comigo quanto quem discordou. Tentei deixar meus argumentos claros. Ninguém é obrigado a concordar. Feliz ano novo para todos.
"O desprestígio do amor talvez venha da pressa de viver, da urgência dos dias, da necessidade de “aproveitarmos” cada instante. Francamente, o que se aproveita, de fato, quando não se sente coisa alguma? A resposta é: coisa alguma.Do que se conclui que o amor nunca será preso e lilmitado, pois nada é mais revolucionário e poderoso do que o que a gente sente. Nada. Nem mesmo o que a gente pensa.
Bjos e bom Ano Novo à todos
O filme é uma PIADA. Não sei porque estçao dando tanta ênfase ao preconceito da sociedade e esquecendo-se dos conflitos internos de alguém que se apaixona pelo próprio irmão.
Existem muitas pessoas que vivem o drama de serem abusadas por irmãos (de idades próximas, inclusive) e acabam desenvolvendo conflitos em sua sexualidade, outras se apaixonam pelo irmão, ou pela irmã por diversos outros fatores. Difícil é crer que um sentimento deste se desenvolva por mero acaso. Alguém que se apaixona por um irmão sofre não pelo preconceito da sociedade, mas sim pela sua própria rejeição em relação ao que sente. E digo isto porque já conversei com algumas pessoas que passam ou passaram por isso. NINGUÉM transa com o próprio irmão e continua com sua saúde mental intacta!
O filme é piada para quem vive ou viveu a realidade do insesto! Talvez o autor deveria ter ouvido relatos reais para construir um roteiro mais consistente.
Mas já que o mundo é gay, os atores são lindos, o requinte e o "romantismo" são abundantes vamos lá, né! Isso é Brasil! Vamos assistir e achar lindo! Afinal, o brasileiro gosta mesmo é de festa! Que conflito, que nada!
Aluisio perdeu a oportunidade de produzir uma obra com a qual pessoas reais pudessem se identificar!
Me parece que resolveu mesmo criar um universo paralelo.
Bem, tratar este tema, mostrando como se fosse algo "natural", "tranquilo", uma família (pai e mãe) que aceita(m), apesar de preocupados.
Como diz a mãe: "Não sei se deveria desde já dizermos que isso é ruim", apesar de se assumir preocupada na conversa que mantém com o pai (argentino) de Francisco.
Ora, isso deve de ser um choque aos conservadores. Mostrar que uma relação como essa pode ser encarada com normalidade. E que a sexualidade pode ser construída a partir de uma relação afetiva, mesmo a entre irmãos.
O tema já é polêmico.
O tratamento dado a ele é polêmico.
Quanto aos atores, fica a pergunta:
Quais atores tão bons hoje topariam fazer este filme?
Porque foram estes os escolhidos?
Bem, só queria dizer que gostei do filme.
Me deu prazer. Me senti bem.
Me fez bem à alma.
E não foi só uma "droga" passageira, não.
O filme fala da intimidade numa relação. Do cuidado, do respeito, enfim...
Desculpem a minha acriticidade, mas ele conseguiu fazer bem a minha alma.
Tão simples que não é digno de conflitos (positivos ou negativos) por causa dele.
Só tá gerando essa confusão toda porque são dois homens e irmãos. Mas existem centenas de filmes, com um homem e uma mulher, neste mesmo nivel de simplicidade que agradam, ou deixam um tom de neutralidade.
Eu gostei do filme. Não posso deixar de concordar que os aspectos tecnicos não são os melhores, e que os dois temas poderiam ser aprofundados mais, só que não foram, isso não faz do filme "o pior filme do ano". O autor não é um idiota tapado, ele deve saber o que fez, e foi válido...basta vc olhar para a barra de rolagem ao lado.
É um filme calmo, sem altos e baixos, sem grandes conflitos, mas bom.
É dificil um relacionamento deste tipo, ser assim, mas, tudo é possivel, felicidade é possivel...e se essa felicidade for impossivel? Qual o problema? É filme pow, assitam 2012 e voces vao ver o que é utopia! Mentiras que querem ser verdades são presentes na maioria dos filmes.
"Afinal, o cinema não é lugar onde justamente se pode sonhar? Onde por algumas poucas horas esquecemos as agruras da realidade e viajamos para um mundo irreal mas fantástico?"(Léo)
"Só quem consegue ler as entrelinhas poderá entender e gostar do filme." (Jean)
"A sensibilidade não se coaduna com o sabor amargo da crítica indelicada, que se contenta em sentir-se inteligente, por ser vil, na verdade."(Andy - Fortaleza)
Publico Gay. No país em que vivemos, quando que um filme, onde dois homens se beijam todo o tempo, não é para gays (independente do nivel intelectual dos mesmos)? talvez seja para heteros compreenderem o mundo 'pink', né?!
E outra o diretor tem o direito de fazer um filme, com cara de
comercial de sabonete/margarina/leite em pó, SE esse for o objetivo goste quem gostar...
Saí do cinema bem (não posso dizer satisfeito), e o que disse foi: "É, legal. Não é o melhor filme que já assisti, mas só o fato de não ter uma parada gay, como um dos ambientes do filme, faz pensar em coisas pertinentes aos relacionamentos entre dois homens, irmãos, talveZ.
E discutir arte, o que é, ou o que não é arte...é querer ser muito mais do que de fato se é.
Gente, deixa de hipocrisia, dá para ser feliz? Contos de fadas temos aos montes, e ninguém até hoje reclamou disso. E, no fundo, eles nos ensinam a viver, a sonhar, a ser feliz.
Você disse tudo. O belo é simples. Parabéns pela sua clareza de idéias e sua concisão. E quem quiser que se degladie entre si.
Deixem o poeta colocar o que quiser em sua lata...
Feliz 2010 para TODOS!
primeiramente obrigada por ter se dirigdo a mim de forma educada e delicada. Eu compreendo sua queixa qdo diz que o crítico foi exageradamente incisivo em suas colocações, sobretudo quanto aos que apreciaram o filme. Porém, te pergunto, e essa é uma inquietação minha tb, qdo as pessoas gostam de filmes ruins? Eu sei que o critério da recepção é subjetivo, mas se só assim fosse, tudo prestaria. Eu não desrespeito as pessoas que gostaram do filme, mas apenas anseio por argumentos convincentes por terem gostado. E em nenhum momento achei que eu ou vc fosse melhor ou pior por gostar ou não. Seja como for, feliz 2010 e que a gente algum dia goste de um mesmo filme e comente a respeito.
Não perca seu tempo. Esse é aquele tipo de filme que, tão logo saia de cartaz, cairá no ostracismo.
Incesto, homossexualismo e nudez podem render boa bilheteria. Mas é preciso ter maestria para bem manejá-los. Jogá-los simplesmente na telona ao som de músicas entediantes é, no mínimo, um grande desrespeito à inteligência de homens e mulheres, héteros ou não.
Falaram que esse filme vai ser esquecido em breve, acho difícil que isso aconteça, pois em minha cidade (Fortaleza) ele já está em cartaz há quase um mês com sessões lotadas, esse Site aqui não para de discutir sobre o filme desde novembro, outros sites estão fazendo o mesmo, colecionadores e admiradores do filme já fizeram até uma trilha sonora adaptada e já circula pela Net uma cópia de qualidade muito boa, além disso, como pode um filme ser esquecido logo, se foi o primeiro a ter coragem de tocar nesse assunto de uma forma tão explícita e deixar uma mensagem que o amor pode vencer qualquer coisa.
Outro detalhe, a turma que detona o filme diz que a turma que gosta não tem argumentos suficientes para mostrar que o filme presta, como isso pode ser verdade, se todos os que gostaram falaram da direção impecável, atuações convincentes, trilha sonora muito boa, enredo diferenciado das tragédias do dia-a-dia e por aí vai, só que além dessas observações, muitos de nós falamos de coisas subjetivas e sensações positivas que o filme nos passou, algo que não pode ser estudado em cursos de como aprender a olhar e criticar tecnicamente um filme. A grande maioria de nós falou de sensações e reflexões que o filme nos deixou e que permanece até agora fazendo com questionemos o quanto a sociedade é cruel ao proibir que um amor nascido em um leito de proteção e afeto seja demonizado, enquanto o “Show de realismo da violência” cause tanta admiração e entretenimento nas pessoas”. A beleza que vimos nos olhares, nos toques e nas entrelinhas, e principalmente na forma bela e sutil de mostrar uma história FICTÍCIA de amor sem punições ou maiores traumas e tragédias, acrescentou algo em nossas vidas, entramos no cinema de uma forma e saímos bem melhores dele, mesmo que pouco tempo depois a ficha do mundo real tenha caído, por alguns instantes pudemos sonhar e nos deliciarmos com momentos de ternura e de construção de laços de compreensão e amor no seio familiar.
Por fim, que venham outros filmes com coragem suficiente para mostrar histórias de amor não convencionais, mesmo que os próximos filmes sejam elogiados pela crítica intelectual por mostrarem cenas de violência familiar nas favelas mais violentas desse país ou no sertão árido e pobre do nordeste, com interpretações de atores “não globais” vindos das escolas alternativa de teatro, caracterizados com uma ausência total de beleza física, falta de dentes, feridas pelo corpo, ou até com deficiências físicas ou membros amputados, para tornar o cenário mais real e agonizante, pois afinal perversões desse tipo tem que ter todo esse complemento de tristeza e desgraça. Que haja também miséria ao extremo, cenas de espancamento e intolerância religiosa, que sejam ambientados em locais de extrema pobreza de grana, valores humanos e principalmente que tenha um final trágico, para que todos só confirmem que quem ousa ser diferente ou resolva “amar de uma forma devassa” tem que ser punido com a “Ira” de Deus e todo o furor dessa sociedade extremamente altruísta, honesta, coerente e super humana e justa, pois afinal “CINEMA AINDA É A MAIOR REALIDADE”.
Todos os personagens conseguem passar uma lição de vida e atitude correta diante das situações diversas.
O elenco está de parabéns! todos estão simplesmente maravilhosos, atuando com sinceridade e sentimento que chega a emocionar a cada cena. Dizer que a atuação deles deixou a desejar é ter parcos conhecimentos de interpretação, francamente...!!!
Como foi dito no filme “existe sempre o lado bom e o outro…” este filme consegue mostrar o lado bom!!! e deixemos para as pessoas amargas enxergar o outro!
Existe tanta porcaria no cinema, e ninguém sequer perde tempo comentando. Algum valor esse filme terá.
Se é verdade quase tudo que os que não gostaram escreveram, sobre os atores, roteiro e direção, eu prefiro, apesar de reconhecer todas as falhas, ver no filme uma coisa muito bonita.
Para mim, o valor está exatamente em ser inverossímil, tratar de um amor impossível.
Neste mundo.
Porque, um mundo onde aquela relação (na vida real, não a dos fracos atores) fosse possível, pelo menos eu acho, seria muito melhor do que este.
Este filme é vergonhoso de tão ruim. Mal dirigido, mal interpretado e eu diria até mal roteirizado, mas como não tem roteiro... Um desserviço para os gays
É premente considerar que o cinema é uma arte que se apropria de outros meios como o teatro, a literatura, pintura e fotografia e criou sua própria linguagem e se firmou como a arte do homem moderno. Nenhuma manifestação artística reflete tão claramente este homem e toda sua compreensão estética de encarar o cotidiano. O filme do Começo ao Fim é um dominante tátil que prevalece no próprio universo da ótica, o objeto atualmente mais importante da ciência da percepção e que os gregos denominavam um dos seus aspectos de estética e hoje muito modernizada pela Semiótica. Esta abordagem semiótica é totalmente esquecida no cinema brasileiro e muito utilizada no cinema mundial. Existem várias estéticas e o filme do Começo ao Fim envereda pela estética do espírito, do sensitivismo através de uma história de amor. E afirmo, em momento nenhum o filme vulgariza o sexo. A fotografia empregada, de altíssimo nível, diafaniza as cenas, como compete a uma boa produção o que torna poética as cenas mais despojadas. O roteiro é linear e foi concebido para tornar o tema do filme menos agressivo ao público. Curioso notar, que apesar de estabelecida, a estética cinematográfica nunca se apresentou como totalitária em suas formas de apresentação e não seria diferente no filme do Começo ao Fim. Da nouvelle vague aos blockbusters americanos, a linguagem estética sofre alterações que logo são assimiladas pela apropriação cinematográfica. E lamentavelmente no Brasil isso não segue o mesmo dinamismo. Há de se parabenizar os produtores do filme por apresentarem algo novo, totalmente diferente do claudicante formato cinematográfico brasileiro, de trajédias, favelas, imigrantes e violência urbana.
Na década de noventa, vários tipos de produções cinematográficas alteraram de certa forma a maneira do espectador ver um filme. De movimentos como os independentes e o Dogma 95 até a estranha e reducionista concepção cinema de países, vide a quinta geração chinesa e o cinema iraniano, o Brasil viveu um período de calidez, só agora recuperada. O filme do Começo ao Fim está incluído nesta mudança de percepção estética, ainda nova para os críticos e intelectuais ultrapassados. Esta mudança, no Brasil, foi mais evidente com a atuação de profissionais tanto no meio televisivo quanto no cinema. Nos anos 80 despontaram os principais atuantes do cinema da década de 90. A maioria com experiência televisiva em produções independentes que se constituíam claramente como manifestações do desejo de se fazer cinema, um período de recuperação da apatia. E este momento inovador deve prosseguir se apropriado de novas formas e conceitos sociais de se fazer cinema. A interpretação dos atores do Começo ao Fim é invejável. Eles conseguiram transmitir ao público todo o sentimento dos personagens, a necessidade de cumplicidade entre os dois, além de se enquadrarem na modernidade imagética do cinema, aliada a experiência cinematográfica do diretor do filme.
Nas considerações expostas por alguns, é necessário convidá-los a conhecer José Guilherme Merquior, um excelente autor aquilatado sobre o pensamento contemporâneo. Este autor interpreta as concepções de Lévi-Strauss quanto à arte contemporânea: “Em vez de vociferar sobre a verdade ‘factual’ da ‘morte da arte’, conviria colocar a problemática implicada por essas teses em relação a uma das tendências mais fecundas do estruturalismo – sua vontade de ultrapassar as análises estanques dos domínios culturais (arte, religião, ciência, etc..), de encorajar a pesquisa de afinidades estruturais e funcionais entre esses ‘campos’, sem jamais esquecer que são todos faces de uma mesma realidade: o espírito humano” (MERQUIOR, 1975). E é voltado para o espírito humano, que o Filme do Começo ao Fim é direcionado: a possibilidade do amor, abnegando tabus e gêneros. O cinema já está repleto de edipianismo, porém como o exposto no filme em comento, é inovador, e repito, o tema não foi tratado com a vulgaridade que muitos desavisados esperavam que fosse ou afirmam que é.
E por falar em Édipo, já dizia Freud, também contemporanizado no cinema: Toda condenação omite um recalque...
(Este texto eu também publiquei em outro espaço, sobre o mesmo filme).
Toda a Mise-en-scéne do filme O Começo ao Fim é riquíssima, com muitos travellings e muita alternância de planos próximos e médios com planos gerais para dar dimensão dos acontecimentos com os personagens. Como somos transportados para dentro do mundo de Francisco e Thomaz em todas as locações, seguimos os atores, câmeras com gruas, ou mesmo só travellings que nos colocam como um personagem em contato com a ação. A música e harmoniosa torna cada cena uma bela montagem de composição entre imagem e som. “Essa liberdade de reagrupar os planos e fazer experiências com eles na sala de corte diminuiu consideravelmente: em parte, porque o som sincronizado amarra a imagem e, em parte, porque o custo da produção da filmagem sonora é tão alto que normalmente é impossível consumir muita metragem em planos que não chegarão a ser utilizados. (...) a ordem final dos planos, nas seqüências que empregam som direto, deve ser planejada com maior antecedência”. (KAREL Reisz e GAVIN Millar. A técnica da montagem cinematográfica). Nesse contexto o filme do Começo a Fim apresenta uma bela sincronia de som e imagens.
O filme apresenta também planos com câmera no ombro para mostrar o olhar um do outro, panorâmica para mostrar os objetos que circunda os personagens. O texto é uma tentativa de sedução profundamente romântica entre os personagens na fase adulta.
O uso das sombras engrandecendo os personagens na fase adulta, sendo filmados na linha do tronco torna os personagens "materiais". Temos dois discursos, o texto verbal e o não verbal (como sempre) durante a mesma cena, há muitas trocas de olhares que denota a cumplicidade dos personagens. Nas cenas de nudez se faz sempre alternância de mesmos planos, exemplo: se foi usado planos médios na sala é o mesmo que foi usado para mostrar as cenas de banheiro. Isso não causa choque e aproxima todos. Para contextualizar-nos de tempos em tempos mostra-se o s rostos ou por um travelling de cenas externas como pessoa ou com uma steadycam. Isso também nos coloca junto aos personagens, a sua reação nos dando uma visão global da ação e reação das cenas.
O filme, apesar do tabu de incesto e homossexualidade é uma forma aplicada a estética sensitivista, voltada ao romantismo.
Achei maravilhoso!!!!!
Cabe salientar que todo ambiente do mundo de Francisco e Thomaz funciona como conectivo de uma atmosfera de caracterização onde o figurino, a maquiagem e objetos tem um valor forte, emoldurada por uma trilha sonora suave e uma atuação impecável. É um mundo só deles, onde o amor é o eixo da relação e não conflitos de identidade de gênero como muitos ativistas queriam...
O uso do artifício da verossimilhantas é muito antigo na indústria cinematográfica hegemônica e não acarreta nenhuma modificação no modo como a visão reduzida destas indústria representam outros grupos. É fabuloso como a desculpa de "mostrar os outros como os outros são" é um marketing, o culturalismo apropriado como uma maneira de vender. Nisso o culturalismo acadêmico se aproxima do midiático: os outros agora são palatáveis, são produtos. A tradição de normalizar a identidade de pessoas de um determinado grupo, através da seleção de traços característicos formando estereótipos é antiquíssmia.O filme do Começo ao fim é uma renovada experiência no qual aquilo que difere do que algum estereótipo homo é interpretado fora daquilo que os críticos julgam conheceer. Lamentavelmente a maioria dos críticos esquecem que o contato intercultural reforça a identidade.
Na antiga visão de cinema brasileiro, em prol de uma verossimilhança, tais estereótipos abundam no modo como os imigrantes, violência e sexualidade são apresentados. Comidas, gestos, modos de vestir, falas tudo é exibido conforme o estereótipo. No filme Do Começo ao Fim a vida homossexual é mostrata com normalidade, sem o estereótipo gay. É um filme pós conflito.
Nisso a miopia dos críticos nacionais não conseguem enxergar o valor dessa riqueza de elementos cênicos e sociais de abordar um relacionamento homoafetivo como um acontecimento social peculiar a qualquer ser humano, ainda mais entre dois meio irmãos.. isso é inovador cinema...
A riqueza do filme do Começo ao Fim é reduzida por esses ditos críticos em uma mesma resposta - eles não são como nós, eles são diferentes de nós. E da diferença, o valor: eles são piores que nós. E exuberância do outro demonstra sua fraqueza, seu desperdício, seu excesso. Essa temática é tão antiga, como demostra a a peça como Os persas, escrita há dois mil e quinhentos anos atrás por Ésquilo. Decorrido todo este tempo, os críticos aqui não se modernizaram.... O que mais choca é acreditar que ainda existem pessoas que acreditam que para se fazer cinema tenha que se usar o argumento da verossimilhança que parece ser o fundamento para diversificar a arte cinematográfica. Politicamente em nome da verossimilhança o ridículo e absurdo procedimento de colocar gente sempre
do jeito que mípoes criticos acham que a sociedade funciona. Todavia a sociedade tem vários nuances e o Filme do Começo ao Fim representa uma dessas nuances...
A dita verossimilhança representacionalmente é um empobrecimento das possibilidades de construção das referências e das expectativas do cinema. Educacionalmente é uma desgraça, pois basta colocar esteriótipos e se tem uma solução para o comodismo e inércia social, e assim a sociedade padecerá de mudanças.
'' dizem que as pessoas mais felizes são aquelas que não precisam fazer história. as que fazem enfatizam através de seus feitos a luta pela vida, o eterno embate. ''
''É, a vida é assim, né? Na vida as coisas tem dois lados.
como assim?
Um lado bom e… o outro.
É tudo assim?
quase.''
Eles foram felizes, eles nao fizeram historia, eles viveram historia. Um amor deles, pra eles, que ninguém pode dizer que é errado.
Um filme ótimo, feito como uma linda poesia. Eles viveram a vida vendo apenas o lado bom, eles conseguiram apenas olhar o lado bom. TENTEM TAMBÉM!
Enquanto acharmos que será difícil nao conseguiremos encarar com êxito.
Adorei!
As falas parecem tiradas de livros de auto ajuda, de mensagens de livros sobre amor...A cena em que eles tiram as roupas é péssima, não tem porquê e pra quê. São dois atores bonitos se exibindo.
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