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Sexta, Novembro 6

[mostra sp 2009, post 14]

Christophe Honore

Making Plans for Lena EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Non ma fille, tu n'iras pas danser, Christophe Honoré, 2009

Um filme bastante diferente das últimas três pérolas do diretor. Christophe Honoré muda o tom, que sempre era o da comédia simpática - ainda que os momentos dramáticos estivessem sempre lá - para o do drama familiar tipicamente francês. Em Making Plans for Lena, Chiara Mastroianni, que tem crescido com atriz, interpreta uma protagonista perdida, sem perspectivas e bastante confusa, uma personagem de difícil identificação, o que talvez emperre o ritmo (pelo menos aquele ritmo maluquinho-saudável com o qual estamos acostumados e que encontrou no cineasta seu defensor maior). Os atores estão bem, mas acomodados a um modelo de filme que os salva-guarda de ousadias. A falta de risco é o que mais incomoda neste novo Honoré.

The Mo Brothers

Macabro EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Macabre, The Mo Brothers, 2009

Chupa Jogos Mortais! Esta co-produção de Cingapura e Indonésia deixa a série de filmes do assassino Saw no chinelo, tanto na competência em criar sustos quanto na administração da carnificina. Macabro é bastante violento, mas não pode ser enquadrado como um filme de tortura. O longa se equlibra entre a tradição dos filmes de horror orientais, reciclando estereótipos, mitos, fórmulas, e o cinema de terror mais atual que usa a violência como base, mas cujo domínio de efeitos visuais, maquiagem e trucangens em geral evita o tom meramente apelativo e cria um estofo que justifica os meios. Certamente vai ganhar muitos fãs.

Simon Szabo

Aviões de Papel Estrelinha
Papírrepülôk, Simon Szabó, 2009

Este filme é o maior exemplo de como a câmera na mão ainda é usada com estupidez. Apesar de acertar na paleta de cores, Aviões de Papel, provavelmente na intenção de deixar as histórias de seus personagens "vivas" aposta numa câmera trêmula que é utilizada sem o menor pudor e sem a menor justificativa. Um exemplo bom é o diálogo entre dois personagens, que estão frente a frente, parados, conversando normalmente. A câmera, instalada ao lado dos dois, parece manuseada por alguém com Mal de Parkinson: treme vertiginosamente, sem qualquer função, a não ser a de querer parecer novidade. Esta preocupação excessiva fez com que Simon Szabó não desenvolvesse seus personagens a contento, o que deixou seu filme-mosaico particularmente vazio.

Noa Bressane, Bruno Safadi

Belair EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Belair, Noa Bressane e Bruno Safadi, 2009

O efeito prático deste filme foi me fazer correr até a Livraria Cultura para comprar o DVD de Sem Essa Aranha, do Rogério Sganzerla, cujas cenas encerram este belíssimo documentário. O filme resgata os anos de vida da produtora criada por Sganzerla e Júlio Bressane, que deu origem a algumas das maiores pérolas do cinema marginal brasileiro. Noa Bressane e Bruno Safadi encontram o tom certo para apresentar essa história, capturado o "clima" da época sem se render à nostalgia ou a reverências. O filme é extremamente bem editado, usa com parcimônia a imagens dos filmes produzidos pela dupla e é inteligentíssimo na hora de usar as entrevistas, sempre evitando cair na formalidade.

La Pivellina

A Pequenina EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
La Pivellina, Tizza Covi e Rainer Frimmel, 2009

Um filme que eu não pretendia ver e que, de certa forma, me surpreendeu. A Pequenina tem uma trama bastante simples: uma mulher de meia-idade que vive com o marido palhaço de circo num trailer encontra uma menina de dois anos de idade, abandonada pela mãe numa praça. O plot não deixa dúvidas de que a aposta será no melodrama, ainda mais conhecendo a nacionalidade do filme. E foi, pensando assim, que eu quebrei a cara. O filme se assume como registro do encontro da menina com a senhora, o marido dela e o vizinho adolescente filho de um domador de leões. "Parece um vídeo caseiro", disse uma espectador no fim da sessão. E talvez seja por aí mesmo. Os diretores copiam a câmera dos irmãos Dardenne e se dedicam a mostrar. Não há conflitos, não há momentos lacrimosos, não há excessos. A Pequenina pode não ser um grande filme, mas é bem mais interessante do eu achava que ele seria.

Resenhas de todos os filmes vistos na Mostra 2009.

Comentários rápidos e primeiras impressões no twitter.

posted by Chico Fireman at 01:29:42 | 0 comentário



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