Segunda, Novembro 30
[top 20 anos 2000: os melhores filmes brasileiros]
Essa lista inaugura uma série de Top 20s que estou preparando como retrospectiva para os anos 2000. Numa década onde o cinema brasileiro se recuperou definitivamente, muitos filmes tiveram que ficar de fora. Na lista, nada de Tropa de Elite, Meu Nome Não é Johnny ou 2 Filhos de Francisco. Os meus melhores estão aqui.

20 Serras da Desordem
Andrea Tonacci, 2006
O retorno de Andrea Tonacci ao cinema ganha a forma de documentário ficcionalizado que tem em seu protagonista adorável sua maior força.

19 Linha de Passe
Walter Salles e Daniela Thomas, 2008
Walter Salles se recupera de tropeços e projetos ambiciosos que ficaram na promessa com um filme simples sobre os laços que unem uma mãe e quatro irmãos.

18 O Invasor
Beto Brant, 2002
Beto Brant promove o encontro entre o cinema urbano brasileiro e o policial contemporâneo num filme que revela um grande ator: Paulo Miklos.

17 Madame Satã
Karim Aïnouz, 2002
A estreia de Karim Aïnouz recupera, com uma fotografia brilhante, um personagem único e revela outro ator de primeira grandeza: Lázaro Ramos.

16 Mutum
Sandra Kogut, 2007
Guimarães Rosa, um autor de difícil adaptação, ganhou tradução delicadíssima nas mãos de Sandra Kogut e um protagonista-mirim impressionante.

15 Juventude
Domingos Oliveira, 2008
Domingos Oliveira reúne os amigos para repassar a vida e homenagear a própria amizade em seu melhor filme em muito tempo.

14 O Signo do Caos
Rogério Sganzerla, 2005
O mestre maior do filme marginal brasileiro em seu réquiem, homenageando sua própria história e seu próprio cinema.

13 O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias
Cao Hamburger, 2006
A Ditadura Militar vista pelos olhos de uma criança. Cao Hamburger troca o ranço pelo carinho e acerta em cheio na composição de uma época e de um turbilhão de sentimentos.

12 Filme de Amor
Julio Bressane, 2004
Júlio Bressane consegue dialogar com o sublime e faz seus personagens voarem para longe de prisões formais em busca de algo além. É a criação que brota do caos.

11 Pro Dia Nascer Feliz
João Jardim, 2007
Um painel sobre o sistema educacional brasileiro, sim, mas mais do que isso uma investigação sobre o jovem que este país forma pelos mais variados prismas.

10 Cidade de Deus
Fernando Meirelles (co-dir. Kátia Lund), 2002
O filme mais famoso da história recente é a promessa de um cinema industrial de primeira qualidade, um exemplo na formação de atores e o projeto mais ambicioso já feito por estas bandas.

9 Cinema, Aspirina e Urubus
Marcelo Gomes, 2005
Marcelo Gomes explora o Sertão com graça invejável, sem nunca espetacularizá-las. Fazia tempo que o cinema brasileiro não contava tão bem e de maneira tão simples uma história

8 O Prisioneiro da Grade de Ferro
Paulo Sacramento, 2004
A câmera entregue aos detentos não pode ser completamente franca, sem cálculo, mas o naturalismo com que os narradores conduzem o filme é a força do documentário.

7 Se Nada Mais Der Certo
José Eduardo Belmonte, 2008
Ao diretor não interessa investigar a perda de parâmetros dos personagens. As motivações estão claras - sustentar a família e a si mesmos. Tudo muito prático, mas nunca simplista.

6 Entreatos
João Moreira Salles, 2004
O político mais popular da história recente destes país visto em close-up no momento em que está prestes a passar de eterna promessa a governante.

5 Cão Sem Dono
Beto Brant e Renato Ciasca, 2007
Os fatos pouco interessam aos diretores Beto Brant e Renato Ciasca. O foco é como o homem lida com suas limitações e com sua inevitável transformação aos moldes do mundo.

4 Lavoura Arcaica
Luiz Fernando Carvalho, 2001
Um livro infilmável e o maior artista da TV brasileira em sua incursão única no cinema, traduzindo-o e explorando suas estranhezas com um lirismo raro.

3 Santiago
João Moreira Salles, 2007
O que encanta é a habilidade de promover linguagem, de reordenar a memória, de construir a partir da desconstrução. Ou este filme é genial ou seu autor é um golpista admirável.

2 Jogo de Cena
Eduardo Coutinho, 2007
O grande documentarista deixa de lado sua cômoda fórmula de cinema para investigar os caminhos da representação e questionar a verdade e a mentira.

1 O Céu de Suely
Karim Aïnouz, 2006
No melhor filme brasileiro dos anos 2000, Karim Aïnouz mostra o Brasil conectado com o cinema contemporâneo, seja nas imagens etéreas seja nos questionamentos da protagonista, uma mulher em busca do seu lugar.
menções honrosas:
Onde a Terra Acaba (2001), de Sérgio Machado; Loki - Arnaldo Baptista (2008), Paulo Henrique Fonetenelle; Person (2005), de Marina Person; No Meu Lugar (2009), de Eduardo Valente; Estamira (2006), de Marcos Prado; Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo (2009), de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes; A Concepção (2005), de José Eduardo Belmonte; Redentor (2004), Cláudio Torres; Houve uma Vez Dois Verões (2002), de Jorge Furtado; e Babilônia 2000 (2001), de Eduardo Coutinho.
E como listas são sempre polêmicas, que tal você deixar a sua, hein?
Quinta, Novembro 26
[do começo ao fim]



Verossímil, diz o Houaiss, é aquilo "que parece verdadeiro" ou "que é possível ou provável por não contrariar a verdade; plausível". Verossimilhança é o principal problema de Do Começo ao Fim, um filme em que simplesmente não se consegue acreditar. Essa afirmação, embora possa ter alguma leitura moralista, está longe disso. Justamente porque o único mérito do filme de Aluísio Abranches - guarde o "único" - é tocar num tema tabu. E não existe maior tabu do que o incesto.
Seria, então, o caso de chamar o diretor de corajoso e estender o cumprimento a todos os envolvidos nos longa-metragem, sobretudo os atores que deram a cara a tapa e colocaram em risco a possibilidade de virarem galãs globais. Mas o adjetivo, corajoso, perde qualquer sentido depois de assistir ao filme justamente por causa da verossimilhança. Do Começo ao Fim, a história de amor entre dois irmãos, não oferece o menor conflito. Se não ter conflitos já é pecado mortal para um filme com uma temática convencional, o que dizer de uma obra que toca num assunto tão polêmico?
O diretor parece apostar que o tema já é tão particular que somente o fato de se estar tratando dele é o suficiente. Em momento algum do filme, o maior tabu que existe causa espanto, estranhamento ou gera qualquer tipo de reação contrária. A única cena em que se desenha algo do tipo é resolvida com uma passagem de tempo e uma solução pobre de roteiro, como se fosse uma maneira rápida de se livrar de um incômodo e se abster de falar sobre preconceito. Não passa disso, o que leva a crer que Abranches situa seu filmes numa dimensão paralela, onde a sociedade enxerga o amor entre dois irmãos, homens ainda por cima, como mais uma das brincadeiras da vida. Ê, mundão!
Fica bastante claro que Abranches tem uma boa intenção em adotar essa narrativa rio-sem-correnteza: ele quer que a história de amor entre os irmãos seja vista pelo prisma da história de amor e não pela polêmica. Mas entre entender o namoro dos dois como mais uma possibilidade de relacionamento e simplesmente ignorar como esse namoro seria olhado, entendido, recebido pela sociedade nos padrões em que ela está formada hoje é muita ingenuidade, ou pior, é uma atitude acovardada. Qualquer pessoa com o mínimo de discernimento sabe que uma relação desta natureza enfrentaria percalços bem maiores do que uma viagem para o exterior.
Guardou o "único", né? Pois bem, os problemas de Do Começo ao Fim não se resumem a verossimilhança ou acomodação. O filme é de uma fragilidade dramática que parecia ter sumido do cinema brasileiro. Nada parece realmente sólido no filme. Como se esquiva de fazer um filme inteligente, Abranches dirige como se estivesse num comercial de sabonete, com tudo muito limpinho em cena. Visualmente há momentos constragedores, como a cena em que os dois irmãos ficam pelados na sala: aí percebe-se que Abranches adota uma estética gay (músculos, corpos depilados, riqueza e conforto) para atrair um público específico, que se contenta apenas com beleza.
Não há direção de atores. Como o roteiro não ajuda, mesmo nas cenas mais banais, os intérpretes parecem vagar em busca de alguma coisa que indique o que fazer, que tom adotar. Quem mais sofre são os protagonistas adultos: Rafael Cardoso mantém sua performance a la Malhação, que trouxe da TV Globo, não incomoda. Mas João Gabriel Vasconcellos, a quem cabe manter o clima de sofrimento (ainda que nunca se justifique o sofrimento no filme), aparece com os olhos marejados e a expressão de "tenha dó de mim" em todas as cenas. É quase insuportável, ainda assim, acredite, ele é o menor dos problemas.
Do Começo ao Fim 
Do Começo ao Fim, Aluisio Abranches, 2009
Segunda, Novembro 23
[lua nova]



Fenômenos adolescentes como Lua Nova são muito curiosos porque lidam como um material completamente fora do universo cinematográfico, mas causam um impacto inegável. Filmes como este seriam o futuro do cinema? A esperança dos produtores para atrair legiões como nos velhos tempos? Bem, o filme teve a maior bilheteria de um primeiro dia na história dos Estados Unidos: US$ 72 milhões. Não dá para negar isso. O filme deve, então ter algum mérito. Eu só não consegui descobrir bem qual é.
Em primeiro lugar, há a comparação com Crepúsculo. Se o filme original tinha o frescor da novidade, ainda que uma novidade envernizada, uma reciclagem de toda a mitologia relacionada aos vampiros, este aqui tem um grande problema: tenta metabolizar o universo fantástico, deturpando lendas pelo excesso, tornando os personagens irritantes de tão onipotentes. Sua invencibilidade é inversamente proporcional à capacidade de os combates entre eles nos envolverem.
Pior ainda é quando estes combates são mal filmados. Chris Weitz assume a série, elevando a virtualidade à décima potência, dedicando-se com devoção a criar um filme de grande impacto visual, mas produzindo um dos longas mais bregas dos últimos tempos. A utilização da câmera lenta é quase criminosa. Praticamente todas as cenas tem esse efeito em maior ou menor grau. Numa delas, uma vampira tem uma visão do futuro e o casal de protagonistas aparece correndo, em slow, claro. O efeito soa tão deslocado que a plateia veio abaixo. Parecia uma cena de piada de um programa de humor.
O longa anterior tinha um comandante melhor. Catherine Hardwicke, diretora de Aos Treze, tinha um material mais interessante na mão, e sobre transformá-lo num filme de adolescentes com elementos fantásticos. Como Crepúsculo era muito mais um filme teen do que um longa de ação, as coisas se equilibravam. Aqui, com a ação como espinha dorsal da narrativa, as coisas se complicam. A introdução dos lobisomens, além do aspecto carnavalesco, multiplica a quantidade de CGI. Assim como a incompetência em administrá-la.
O texto de Stephanie Meyer é muito frágil. Para movimentar sua história, ela abre mão de seu protagonista durante 70% da trama e isso tem dois impactos diretos. O primeiro é que o filme acontece em dois planos, completamente distintos. Num estão os lobisomens, a apresentação de sua história e sua mitologia, e uma nova história de amor. Em outro, os vampiros e a obrigatoriedade em dar sequência ao filme e ao romance anteriores, com uma ampliação tosca das lendas envolvendo os personagens. O tráfego entre esses dois planos é muito incompetente. Nenhuma mudança de cenário parece natural, o que deixa o filme completamente truncado.
O segundo problema da ausência do protagonista é que sua falta tenta ser suprida de todas as formas: para dar densidade à história de amor interrompida, o roteiro pede um sofrimento irrestrito dos atores, o que resulta num festival de testas franzidas, respirações ofegantes e pausas excessivas que nem encontram substância no texto muito menos habilidades nos atores. Kristen Stewart e Taylor Lautner, o novo galã, garantem a canastrice. Para completar, Robert Pattison dá as caras em sucessivas aparições no melhor estilo fantasminha camarada. Bem, mas isso não deixa de ser interessante.
Lua Nova 
The Twilight Saga: New Moon, Chris Weitz, 2009
Segunda, Novembro 16
[mostra sp 2009: top 20 e afins]
Estou atrasado, eu sei. Mas a semana foi bem difícil. Aqui fica meu registro final sobre minha décima Mostra Internacional de Cinema de SP, um festival em que bati meu recorde (e em que saí na Vejinha). Foram 63 filmes vistos em São Paulo e outros 38 herdados do Festival do Rio. Ao todo, 101 filmes da seleção. A quantidade gerou qualidade. Vi vários filmes que possivelmente não veria caso tivesse que me dedicar a nomes conhecidos. Alguns terminaram entrando na minha lista de melhores. Outros não chegaram a tanto, mas foram gratas surpresas. Fico devendo resenhas sobre os sete filmes que vi na repescagem. Esta semana, tento fazer. A minha Mostra 2009 foi esta aqui;
top 10 Mostra SP 2009

1 A Família Wolberg, Axelle Ropert

2 Vício Frenético, Werner Herzog

3 Mother, Bong Joon-ho

4 A Fita Branca, Michael Haneke

5 A Religiosa Portuguesa, Eugène Green

6 Seguindo em Frente, Hirokazu Kore-eda

7 Vencer, Marco Bellocchio

8 Polícia, Adjetivo, Corneliu Porumbouiu

9 Ninguém Sabe dos Gatos Persas, Bahman Ghobadi

10 Belair, Noa Bressane e Bruno Safadi
e mais:
11 O Que Resta do Tempo, Elia Suleiman
12 As Ervas Daninhas, Alain Resnais
13 Mau Dia para Pescar, Alvaro Brechner
14 Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, Karim Aïnouz e Marcelo Gomes
15 Singularidades de uma Rapariga Loura, Manoel de Oliveira
16 Soul Kitchen, Fatih Akin
17 Distante Nós Vamos, Sam Mendes
18 O Fantástico Senhor Raposo, Wes Anderson
19 Hotel Atlântico, Suzana Amaral
20 Aconteceu em Woodstock, Ang Lee
melhores atores
1 Nicolas Cage, Vício Frenético
2 Won Bin, Mother
3 François Damiens, A Família Wolberg
4 André Dussolier, Ervas Daninhas
5 Julio Andrade, Hotel Atlântico
melhores atrizes
1 Kim Hye-Ja, Mother
2 Giovanne Mezzogiorno, Vencer
3 Krystyna Janda, Alga Doce
4 Sabine Azèma, Ervas Daninhas
5 Nisreen Faour, Amreeka
melhores atores coadjuvantes
1 Burghart Klaußner, A Fita Branca
2 Leonard Proxauf, A Fita Branca
3 Michael Fassbender, Fish Tank
4 Paul Schneider, Brilho de uma Paixão
5 Filippo Timi, Vencer
melhores atrizes coadjuvantes
1 Imelda Staunton, Aconteceu em Woodstock
2 Susanne Lothar, A Fita Branca
3 Blanca Portillo, Abraços Partidos
4 Allison Janney, Distante Nós Vamos
5 You, Seguindo em Frente
os fimes vistos
35 Doses de Rum 

, Claire Denis
(500) Dias com Ela 

, Marc Webb
À Procura de Eric 

, Ken Loach
Abraços Partidos 

, Pedro Almodóvar
Aconteceu em Woodstock 


, Ang Lee
Adam 

, Max Mayer
Alga Doce (Doce Perfume) 

, Andrzej Wajda
O Amor Segundo B. Schianberg 
, Beto Brant
Amreeka 

, Cherien Dabis
Antes que o Mundo Acabe 
, Ana Luiza Azevedo
O Apedrejamento de Soraya M. 

, Cyrus Nowrasteh
Aquiles e a Tartaruga 

, Takeshi Kitano
Aviões de Papel
, Simon Szabó
Backyard 
, Carlos Carrera
A Batalha dos Três Reinos 
, John Woo
Bathory
, Juraj Jakubisko
Belair 


, Noa Bressane e Bruno Safadi
Brilho de uma Paixão 


, Jane Campion
Carmel
, Amos Gitai
Cinzas e Sangue
, Fanny Ardant
Coco Chanel & Igor Stravinsky 

, Jan Kounen
Czar 
, Pavel Lounguine
Colin
, Marc Price
Corações em Conflito 
, Lukas Moodysson
O Cronometrista
, Louis Bélanger
Cúmplices 

, Ferederic Mermoud
Dente Canino
, Giorgios Lanthimos
O Dia da Transa 
, Lynn Shelton
Os Dispensáveis 

, Andrea Arnstedt
Distante Nós Vamos 


, Sam Mendes
Dzi Croquettes 

, Tatiana Issa e Raphael Alvarez
Enfermaria Número 6 
, Karen Chakhnazarov
Entre Dois Mundos
, Vimukthi Jayasundara
As Ervas Daninhas 


, Alain Resnais
Esburacando 
, Henrik Hellström, Fredrik Wenzel
Eu, Ela e Minha Alma
, Sophie Barthes
Eu Matei a Minha Mãe 
, Xavier Dolan
A Falta que nos Move 
, Christiane Jatahy
A Família Wolberg 



, Axelle Ropert
O Fantástico Senhor Raposo 


, Wes Anderson
O Filho do Caçador de Águias 
, Renè Bo Hansen
Fish Tank (Aquário) 

, Andrea Arnold
A Fita Branca 


, Michael Haneke
A Guerra dos Filhos da Luz contra os Filhos das Trevas
, Amos Gitaï
Hemingway, Adeus 

, Svetoslav Ovtcharov
Hotel Atlântico 

, Suzana Amaral
I Love You, Philip Morris 
, Glenn Ficarra e John Requa
Ibrahim Labyad 

, Marwan Hamed
A Ilha de Bergman 

, Marie Nyreröd
Independência 

, Raya Martin
O Inferno de Clouzot 
, Serge Bromberg e Ruxandra Medrea
Insolação
, Daniela Thomas e Felipe Hirsch
Jogos do Leste 
, Kamen Kalev
Julie & Julia 

, Nora Ephron
Katalin Varga 

, Peter Strickland
Lebanon 

, Samuel Maoz
London River 

, Rachid Bouchareb
Luas-de-Mel 

, Goran Paskajlevic
Macabro 

, The Mo Brothers
Making Plans for Lena 

, Christophe Honoré
Mau Dia para Pescar 


, Alvaro Brechner
Maradona 

, Emir Kusturica
Metropia 
, Tarik Salleh
Montanha de Abandono 

, Yo Song Kim
Morrer como um Homem 

, João Pedro Rodrigues
Mother 


, Bong Joon-ho
O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus 

, Terry Gilliam
Ninguém Sabe dos Gatos Persas 


, Bahman Ghobadi
Nova York, Eu Te Amo 
, vários
Oye Lucky! Lucky Oye! 

, Dibakar Banerjee
A Peça da Discórdia 
, Ali Özgentürk
A Pequenina 

, Tina Cozzi e Rainer Frimmel
Perseguição
, Patrice Chéreau
Polícia, Adjetivo (Politist, Adjectiv) 


, Corneliu Porumbouiu
O Primata
, Jesper Ganslandt
O Que Resta do Tempo (The Time That Remains) 

, Elia Suleiman
A Religiosa Portuguesa 


, Eugène Green
A Ressurreição de Adam 

, Paul Schrader
Ricky 

, François Ozon
Samson and Delilah 

, Warwick Thornton
Sede de Sangue 
, Chan-wook Park
Sedução 

, Lone Scherfig
Seguindo em Frente 


, Hirokazu Kore-eda
A Sereia e o Mergulhador
, Mercedes Moncada Rodríguez
Sherazade, Conte uma História 
, Yousry Nasrallah
Shirin 
, Abbas Kiarostami
Singularidades de uma Rapariga Loura 


, Manoel de Oliveira
Soul Kitchen 


, Fatih Akin
Super Star 

, Tahmineh Milani
Sussurros ao Vento 

, Shahram Alidi
Todos os Outros
, Maren Ade
Tokyo! 

, Bong Joon-ho, Leos Carax e Michel Gondry
A Town Called Panic 

, Stéphane Aubier e Vincent Patar
Trilogia II: A Poeira do Tempo 
, Theo Angelopoulos
Tyson 

, James Toback
O Último Dançarino de Mao
, Bruce Beresford
Vencer (Vincere) 


, Marco Bellochio
Viagens do Vento 

, Ciro Guerra
Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo 

, Karim Aïnouz e Marcelo Gomes
Vício Frenético (The Bad Lieutenant) 



, Werner Herzog
Uma Vida Real 

, Sarah Leonor
Vinte
, Abdolreza Kahani
Voluntária Sexual 
, Kyeong-duk Cho
Domingo, Novembro 15
[mostra sp 2009: top 10 dos leitores]
Pela primeira vez, convidei os leitores do Filmes do Chico para eleger os melhores filmes da Mostra de Cinema de São Paulo. Entre os dez mais votados, nomes consagrados, novatos e dois brasileiros polêmicos.



1 Mother, Bong Joon-ho
2 A Fita Branca, Michael Haneke
3 Seguindo em Frente, Hirokazu Kore-eda
4 Polícia, Adjetivo, Corneliu Poroumbiu
5 Vício Frenético, Werner Herzog
6 Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, Karim Aïnouz e Marcelo Gomes
7 O Que Resta do Tempo, Elia Suleiman
7 Distante Nós Vamos, Sam Mendes
9 Os Famosos e os Duendes da Morte, Esmir Filho
9 Vencer, Marco Bellochio
O próximo post trará minha lista final de favoritos e, na segunda-feira, serão anunciados os vencedores do II Prêmio Pedro de Lara de melhores da Mostra, escolhidos por convidados deste blogue.
Sexta, Novembro 6
[mostra sp 2009: os piores filmes]
A Mostra de SP 2009 teve bons filmes, mas muitos deles merecem o ostracismo, o esquecimento e entrar na minha lista de piores. Seguem meus piores filmes da edição de 2009:

1 Dente Canino 
Kynodontas, Giorgos Lanthimos, 2009

2 Insolação
Insolação, Daniela Thomas e Felipe Hirsch, 2009

3 O Primata 
Apan, Jesper Ganslandt, 2009

4 Eu, Ela e Minha Alma 
Cold Souls, Sophie Barthes, 2008

5 A Sereia e o Mergulhador 
La Sirena y el Buzo, Mercedes Moncada Rodríguez, 2009

6 Cinzas e Sangue 
Cendres et Sang, Fanny Ardant, 2009

7 Perseguição 
Persécution, Patrice Chéreau, 2009

8 O Cronometrista 
The Timekeeper, Louis Bélanger, 2009

9 Aviões de Papel 
Papírrepülôk, Simon Szabó, 2009

10 Vinte 
Bist, Abdolreza Kahani, 2009
Resenhas de todos os filmes vistos na Mostra 2009.
Comentários rápidos e primeiras impressões no twitter.
Enquete: quais foram os melhores filmes da Mostra de Cinema de São Paulo 2009? Mande um email para filmesdochico@gmail.com e liste, na ordem de preferência, os 5 (cinco) melhores filmes da Mostra 2009. Os votos serão recebidos até domingo, dia 8 de novembro.
[mostra sp 2009, post 15]

Shirin 

Shirin, Abbas Kiarostami, 2008
A proposta radical funciona muito bem... mas só como proposta. Kiarostami nos convida a acompanhar uma filme sem ver uma única imagem da obra, apenas assistindo as reações de dezenas de mulheres que olham para a tela. O desafio seria testar nossa capacidade de adaptação. A provocação, medir nosso comodismo visual em relação ao cinema. Um experimento válido, mas que não leva a lugar nenhum. Abbas não propõe um novo olhar sobre a fruição de uma obra, não constrói um discurso sobre o novo formato. E ainda parece oferecer muito pouco (a história da princesa armênia é ruim e desinteressante) propositadamente como se fizesse uma piada. A presença de Juliette Binoche entre as dezenas de rostos iranianos só faz reforçar essa ideia.

Cinzas e Sangue 
Cendres et Sang, Fanny Ardant, 2009
O primeiro filme de Fanny Ardant como diretora mostra que a musa do Truffaut ainda tem muito o que aprender. Ousada, ela foi: resolveu levar para o cinema a história de duas famílias vizinhas que se odeiam na Romênia, material original de Ismail Kadaré. Não é à tôa que Cinzas e Sangue lembra aqui e ali Abril Despedaçado, outra obra baseada no escritor, outro filme em que o diretor não acerta o tom e não dá relevo aos personagens a ponto de seu comportamento violento parecer, como todos querem, herança de família. Ardant cria alguns momentos inteligentes visualmente, mas eles duram uma cena - às vezes, uma imagem. No resto, o filme parece querer justificar sua fragilidade com o excesso. Ronit Elkabetz rosna, maquiada como a princesa das trevas.

Perseguição 
Persécution, Patrice Chéreau, 2009
Patrice Chéreau conseguiu fazer um thriller psicológico tão chato quanto vazio. Parece um pastiche de muitas coisas. A cena no metrô lembra Haneke em Código Desconhecido e a obsessão de Jean-Hugues Anglade me fez lembrar de Mulher Solteira Procura, mas as ambições de psicologia do diretor aproximam o filme de alguns longas B norte-americanos com pretensões artísticas. Nem o bom elenco faz a trama idiota funcionar.

A Ilha de Bergman 


Bergman Island, Marie Nyreröd, 2006
Apesar do formato parecer o de um programa do Multishow, A Ilha de Bergman nos oferece a oportunidade única de invadir a intimidade de um cineasta conhecido pela reclusão. O filme posiciona a Ilha de Farö, onde o diretor viveu até sua morte, na história pessoal e na filmografia de Bergman. Utilizando bastante material de arquivo, inclusive cenas de bastidores inéditas, o longa peca na forma, mas acerta na organização do acervo. Os depoimentos do diretor em casa valem ouro, sobretudo aquele em que ele revela a farsa por trás de Gritos e Sussurros.

Lebanon 


Lebanon, Samuel Maoz, 2009
A projeção ao ar livre, cadeiras de plástico e a ameaça de chuva sempre iminente (e concretizada nos 15 minutos finais do filme) garantiram a sessão de cinema mais bizarra da minha vida. Por isso, acredito que minha visão inicial de Lebanon tenha sido prejudicada e seja possivelmente injusta. Mas a primeira impressão que tive do filme, que ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza neste ano, foi a de que trata-se de mais do mesmo. Samuel Maoz não é um mau diretor: delineia os personagens com uma razoável competência, decreta seu território (o tanque) como limite máximo a percorrer, cria um clima de claustrofobia bastante real, acerta nas cenas iniciais de ataques que traduzem bem suas idéias sobre a guerra. No entanto, os maneirismos aparecem ao longo do filme em personagens secundários, que exalam clichês, e no processo esquizofrênico de um dos protagonistas, acelerado e óbvio demais.
Resenhas de todos os filmes vistos na Mostra 2009.
Comentários rápidos e primeiras impressões no twitter.
Enquete: quais foram os melhores filmes da Mostra de Cinema de São Paulo 2009? Mande um email para filmesdochico@gmail.com e liste, na ordem de preferência, os 5 (cinco) melhores filmes da Mostra 2009. Os votos serão recebidos até domingo, dia 8 de novembro.
[mostra sp 2009, post 14]

Making Plans for Lena 


Non ma fille, tu n'iras pas danser, Christophe Honoré, 2009
Um filme bastante diferente das últimas três pérolas do diretor. Christophe Honoré muda o tom, que sempre era o da comédia simpática - ainda que os momentos dramáticos estivessem sempre lá - para o do drama familiar tipicamente francês. Em Making Plans for Lena, Chiara Mastroianni, que tem crescido com atriz, interpreta uma protagonista perdida, sem perspectivas e bastante confusa, uma personagem de difícil identificação, o que talvez emperre o ritmo (pelo menos aquele ritmo maluquinho-saudável com o qual estamos acostumados e que encontrou no cineasta seu defensor maior). Os atores estão bem, mas acomodados a um modelo de filme que os salva-guarda de ousadias. A falta de risco é o que mais incomoda neste novo Honoré.

Macabro 


Macabre, The Mo Brothers, 2009
Chupa Jogos Mortais! Esta co-produção de Cingapura e Indonésia deixa a série de filmes do assassino Saw no chinelo, tanto na competência em criar sustos quanto na administração da carnificina. Macabro é bastante violento, mas não pode ser enquadrado como um filme de tortura. O longa se equlibra entre a tradição dos filmes de horror orientais, reciclando estereótipos, mitos, fórmulas, e o cinema de terror mais atual que usa a violência como base, mas cujo domínio de efeitos visuais, maquiagem e trucangens em geral evita o tom meramente apelativo e cria um estofo que justifica os meios. Certamente vai ganhar muitos fãs.

Aviões de Papel 
Papírrepülôk, Simon Szabó, 2009
Este filme é o maior exemplo de como a câmera na mão ainda é usada com estupidez. Apesar de acertar na paleta de cores, Aviões de Papel, provavelmente na intenção de deixar as histórias de seus personagens "vivas" aposta numa câmera trêmula que é utilizada sem o menor pudor e sem a menor justificativa. Um exemplo bom é o diálogo entre dois personagens, que estão frente a frente, parados, conversando normalmente. A câmera, instalada ao lado dos dois, parece manuseada por alguém com Mal de Parkinson: treme vertiginosamente, sem qualquer função, a não ser a de querer parecer novidade. Esta preocupação excessiva fez com que Simon Szabó não desenvolvesse seus personagens a contento, o que deixou seu filme-mosaico particularmente vazio.

Belair 



Belair, Noa Bressane e Bruno Safadi, 2009
O efeito prático deste filme foi me fazer correr até a Livraria Cultura para comprar o DVD de Sem Essa Aranha, do Rogério Sganzerla, cujas cenas encerram este belíssimo documentário. O filme resgata os anos de vida da produtora criada por Sganzerla e Júlio Bressane, que deu origem a algumas das maiores pérolas do cinema marginal brasileiro. Noa Bressane e Bruno Safadi encontram o tom certo para apresentar essa história, capturado o "clima" da época sem se render à nostalgia ou a reverências. O filme é extremamente bem editado, usa com parcimônia a imagens dos filmes produzidos pela dupla e é inteligentíssimo na hora de usar as entrevistas, sempre evitando cair na formalidade.

A Pequenina 


La Pivellina, Tizza Covi e Rainer Frimmel, 2009
Um filme que eu não pretendia ver e que, de certa forma, me surpreendeu. A Pequenina tem uma trama bastante simples: uma mulher de meia-idade que vive com o marido palhaço de circo num trailer encontra uma menina de dois anos de idade, abandonada pela mãe numa praça. O plot não deixa dúvidas de que a aposta será no melodrama, ainda mais conhecendo a nacionalidade do filme. E foi, pensando assim, que eu quebrei a cara. O filme se assume como registro do encontro da menina com a senhora, o marido dela e o vizinho adolescente filho de um domador de leões. "Parece um vídeo caseiro", disse uma espectador no fim da sessão. E talvez seja por aí mesmo. Os diretores copiam a câmera dos irmãos Dardenne e se dedicam a mostrar. Não há conflitos, não há momentos lacrimosos, não há excessos. A Pequenina pode não ser um grande filme, mas é bem mais interessante do eu achava que ele seria.
Resenhas de todos os filmes vistos na Mostra 2009.
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Quinta, Novembro 5
[repescagem mostra sp 2009]
06/11/2009 - Sexta
CINEMATECA - SALA PETROBRAS
Sessão 1445 - 17:00
TROCA DE TRENS (OMBYTE AV TÅG), de Hasse Ekman (92'). SUÉCIA. Falado em sueco. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1446 - 19:00
HIMALAYA - TERRA DOS VENTOS (HIMALAYA WHERE THE WIND DWELLS), de Jeon Soo-il (90'). CORÉIA DO SUL, FRANÇA. Falado em inglês, nepalês, coreano. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1447 - 21:00
QUEM O VIU MORRER? (OLE DOLE DOFF), de Jan Troell (110'). SUÉCIA. Falado em sueco. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
CINE BOMBRIL 1
Sessão 1448 - 14:00
FORMOSA TRAÍDA (FORMOSA BETRAYED), de Adam Kane (103'). EUA, TAILÂNDIA. Falado em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 12 ANOS.
Sessão 1449 - 16:10
1ª VEZ 16MM (1ª VEZ 16MM), de Rui Goulart (140'). PORTUGAL. Falado em português. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 12 ANOS.
Sessão 1450 - 18:50
A ILHA DE BERGMAN (BERGMAN ISLAND), de Marie Nyreröd (84'). SUÉCIA. Falado em sueco. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1451 - 20:40
Montanha de Abandono 

(TREELESS MOUNTAIN), de So Yong Kim (89'). CORÉIA DO SUL, EUA. Falado em coreano. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 12 ANOS.
Sessão 1452 - 22:30
LEBANON (LEBANON), de Samuel Maoz (92'). FRANÇA, ALEMANHA, ISRAEL, LÍBANO. Falado em hebraico, árabe, inglês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 ANOS.
CINESESC
Sessão 1453 - 14:00
CORTEJANDO CONDI (COURTING CONDI), de Sebastian Doggart (107'). EUA, REINO UNIDO. Falado em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 12 ANOS.
Sessão 1454 - 16:10
ASHKAN, O ANEL ENCANTADO E OUTRAS HISTÓRIAS (ASHKAN, ANGOSHTAR-E MOTEBAREK VA DASTAN-HAYE DIGAR), de Shahram Mokri (92'). IRÃ. Falado em farsi. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 ANOS.
Sessão 1455 - 18:00
AINDA ADORÁVEIS (LOVELY, STILL), de Nicholas Fackler (90'). EUA. Falado em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1456 - 19:50
CINZAS E SANGUE
(CENDRES ET SANG), de Fanny Ardant (105'). FRANÇA. Falado em francês. Legendas em português. Indicado para: 12 ANOS.
Sessão 1457 - 22:00
O Inferno de Clouzot 
(L'ENFER D'HENRI-GEORGES CLOUZOT), de Serge Bromberg, Ruxandra Medrea (94'). FRANÇA. Falado em francês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 ANOS.
Sessão 1458 - 00:00
VOLUNTÁRIA SEXUAL (SEX VOLUNTEER), de Kyeong-duk Cho (123'). CORÉIA DO SUL. Falado em coreano. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 ANOS.
07/11/2009 - Sábado
UNIBANCO ARTEPLEX 1
Sessão 1459 - 00:00
Ninguém Sabe dos Gatos Persas 


(KASI AZ GORBEHAYE IRANI KHABAR NADAREH), de Bahman Ghobadi (101'). IRÃ. Falado em farsi. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 12 ANOS.
CINEMATECA - SALA PETROBRAS
Sessão 1460 - 15:00
GABRIELLE (GABRIELLE), de Hasse Ekman (90'). SUÉCIA. Falado em sueco. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1461 - 17:00
A GRANDE AVENTURA (DET STORA ÄVENTYRET), de Arne Sucksdorff (94'). SUÉCIA. Falado em sueco. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Curta: RITMO DE UMA CIDADE (MÄNNISKOR I STAD), de Arne Sucksdorff(18'). Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1462 - 19:20
MY HOME IS COPACABANA (MITT HEM ÄR COPACABANA), de Arne Sucksdorff (88'). SUÉCIA. Falado em sueco, português. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1463 - 21:10
Ibrahim Labyad 

(IBRAHIM LABYAD), de Marwan Hamed (134'). EGITO. Falado em árabe. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 18 ANOS.
CINE BOMBRIL 1
Sessão 1464 - 14:00
LEBANON (LEBANON), de Samuel Maoz (92'). FRANÇA, ALEMANHA, ISRAEL, LÍBANO. Falado em hebraico, árabe, inglês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 ANOS.
Sessão 1465 - 16:00
A GUERRA DOS FILHOS DA LUZ CONTRA OS FILHOS DAS TREVAS (LA GUERRE DES FILS DE LA LUMIÈRE CONTRE LES FILS DES TÉNÈBRES), de Amos Gitai (102'). FRANÇA. Falado em francês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1466 - 18:10
London River 

(LONDON RIVER), de Rachid Bouchareb (90'). REINO UNIDO, FRANÇA, ARGÉLIA. Falado em inglês, francês. Legendas em português. Indicado para: 12 ANOS.
Sessão 1467 - 20:00
CARMO (CARMO), de Murilo Pasta (100'). BRASIL, ESPANHA, POLÔNIA. Falado em português, espanhol. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 ANOS.
Sessão 1468 - 22:00
Metropia 
(METROPIA), de Tarik Saleh (85'). SUÉCIA. Falado em inglês. Legendas em italiano. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 12 ANOS.
Sessão 1469 - 23:50
MACABRO 

(DARAH), de The Mo Brothers (90'). CINGAPURA, INDONÉSIA. Falado em indonésio. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
CINESESC
Sessão 1470 - 14:00
DOR-FANTASMA (PHANTOMSCHMERZ), de Matthias Emcke (98'). ALEMANHA. Falado em alemão. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1471 - 16:00
Independência 

(INDEPENDENCIA), de Raya Martin (77'). FILIPINAS, FRANÇA, ALEMANHA, HOLANDA. Falado em tagalo. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: LIVRE.
Sessão 1472 - 17:40
A Religiosa Portuguesa 


(A RELIGIOSA PORTUGUESA), de Eugène Green (127'). PORTUGAL. Falado em português, francês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 12 ANOS.
Sessão 1473 - 20:10
A 40ª PORTA (40-CI QAPI), de Elchin Musaoglu (81'). AZERBAIJÃO. Falado em azerbaijano. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1474 - 21:50
Mau Dia para Pescar 


(MAL DIA PARA PESCAR), de Alvaro Brechner (110'). ESPANHA, URUGUAI. Falado em espanhol. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1475 - 00:00
A Ressurreição de Adam 

(ADAM RESURRECTED), de Paul Schrader (102'). EUA, ALEMANHA, ISRAEL. Falado em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 ANOS.
08/11/2009 - Domingo
CINEMATECA - SALA PETROBRAS
Sessão 1476 - 15:00
A Peça da Discórdia 
(YENGEC OYUNU), de Ali Özgentürk (80'). TURQUIA. Falado em turco. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1477 - 17:00
ANDANDO COM A LUA (VANDRING MED MÅNEN), de Hasse Ekman (105'). SUÉCIA. Falado em sueco. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1478 - 19:10
KIMJONGILIA (KIMJONGILIA), de N.C. Heikin (74'). EUA, CORÉIA DO SUL, FRANÇA. Falado em coreano. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1479 - 21:00
EXPRESSÃO JOVEM (TEENAGE RESPONSE), de Eleni Ampelakiotou (160'). ALEMANHA. Falado em alemão. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: LIVRE.
CINE BOMBRIL 1
Sessão 1480 - 14:00
I LOVE YOU PHILLIP MORRIS (I LOVE YOU PHILLIP MORRIS), de Glenn Ficarra, John Requa (100'). EUA. Falado em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 ANOS.
Sessão 1481 - 16:00
Fish Tank (Aquário) 

, de Andrea Arnold (124'). INGLATERRA. Falado em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1482 - 18:30
ARTE INCONSEQUÊNCIA (ART INCONSEQUENCE), de Robert Kaltenhaeuser (61'). ALEMANHA. Falado em alemão. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1483 - 20:00
CÚMPLICES (COMPLICES), de Frederic Mermoud (93'). FRANÇA, SUÍÇA. Falado em francês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1484 - 22:00
Eu Matei a Minha Mãe 
(J´AI TUÉ MA MÈRE), de Xavier Dolan (100'). CANADÁ. Falado em francês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 18 ANOS.
CINESESC
Sessão 1485 - 14:00
LUCIANO (LUCIANO), de Gian Vittorio Baldi (80'). ITÁLIA. Falado em italiano. Legendas eletrônicas em português. Curta: LUCIANO, VIA DEI CAPPELLARI, de Gian Vittorio Baldi(12'). Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1486 - 16:00
LEBANON (LEBANON), de Samuel Maoz (92'). FRANÇA, ALEMANHA, ISRAEL, LÍBANO. Falado em hebraico, árabe, inglês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 ANOS.
Sessão 1487 - 18:00
Os Dispensáveis 

(DIE ENTBEHRLICHEN), de Andreas Arnstedt (110'). ALEMANHA. Falado em alemão. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 10 ANOS.
Sessão 1488 - 20:10
QUERIDO LEMON LIMA, (DEAR LEMON LIMA,), de Suzi Yoonessi (87'). EUA. Falado em inglês, espanhol, linguagem de sinais americana. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1489 - 22:00
O ÚLTIMO DANÇARINO DE MAO (MAO´S LAST DANCER), de Bruce Beresford (117'). AUSTRÁLIA. Falado em inglês, mandarim. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
09/11/2009 – Segunda-feira
CINE BOMBRIL 1
Sessão 1490 - 14:00
ALMAS ALEMÃS - A VIDA NA COLÔNIA DIGNIDAD (DEUTSCHE SEELEN - LEBEN NACH DER COLONIA DIGNIDAD), de Martin Farkas, Matthias Zuber (92'). ALEMANHA. Falado em alemão. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1491 - 16:00
ZERO (ZERO), de Pawel Borowski (110'). POLÔNIA. Falado em polonês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 ANOS.
Sessão 1492 - 18:10
PIXO (PIXO), de João Wainer, Roberto T. Oliveira (61'). BRASIL. Falado em português, inglês. Legendas em português. Indicado para: 16 ANOS.
Sessão 1493 - 19:40
O ABRAÇO CORPORATIVO (O ABRAÇO CORPORATIVO), de Ricardo Kauffman (75'). BRASIL. Falado em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1494 - 21:20
O SOL DO MEIO-DIA (O SOL DO MEIO-DIA), de Eliane Caffé (106'). BRASIL. Falado em português. Legendas em inglês. Indicado para: 14 ANOS.
CINESESC
Sessão 1495 - 14:00
PAPAI FOI CAÇAR PTÁRMIGA (PAPA À LA CHASSE AUX LAGOPÈDES), de Robert Morin (91'). CANADÁ. Falado em francês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1496 - 16:00
PALÁCIO (PALACIO), de Luis Alaejos, Raul Diez Alaejos (100'). ESPANHA. Falado em espanhol. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: LIVRE.
Sessão 1497 - 18:00
O APEDREJAMENTO DE SORAYA M (THE STONING OF SORAYA M), de Cyrus Nowrasteh (114'). EUA. Falado em farsi, inglês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 18 ANOS.
Sessão 1498 - 20:20
SAÍDA A NADO (ALLT FLYTER), de Måns Herngren (102'). SUÉCIA. Falado em sueco. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1499 - 22:30
DZI CROQUETTES (DZI CROQUETTES), de Tatiana Issa, Raphael Alvarez (110'). BRASIL. Falado em português, inglês, francês. Legendas em português. Indicado para: 14 ANOS.
10/11/2009 – Terça- feira
CINE BOMBRIL 1
Sessão 1500 - 14:00
VIDEOCRACIA (VIDEOCRACY), de Erik Gandini (84'). SUÉCIA. Falado em inglês, italiano. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1501 - 15:50
WOLSON: ÁRIA DE FRONTEIRA (WOLSON: KAIKYO NO AIRA), de Ota Shinichi (119'). JAPÃO. Falado em japonês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1502 - 18:10
HUMAN ZOO (HUMAN ZOO), de Rie Rasmussen (110'). FRANÇA. Falado em inglês, francês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 16 ANOS.
Sessão 1503 - 20:20
CONTINUAÇÃO (CONTINUAÇÃO), de Rodrigo Pinto (71'). BRASIL. Falado em português, inglês. Legendas em inglês. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1504 - 22:00
TOM ZÉ ASTRONAUTA LIBERTADO (TOM ZÉ ASTRONAUTA LIBERTADO), de Ígor Iglesias González (90'). ESPANHA. Falado em português, espanhol. Legendas em português. Indicado para: 14 ANOS.
CINESESC
Sessão 1505 - 14:00
A Batalha dos Três Reinos 
(CHI BI), de John Woo (150'). CHINA. Falado em mandarim. Legendas em português. Indicado para: 16 ANOS.
Sessão 1506 - 16:50
O CERCO - A DEMOCRACIA NAS MALHAS DO NEOLIBERALISMO (L´ENCERCLEMENT - LA DÉMOCRATIE DANS LES RETS DU NÉOLIBÉRALISME), de Richard Brouillette (160'). CANADÁ. Falado em francês, inglês. Legendas em espanhol. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1507 - 19:50
SOLO (SOLO), de Ugo Giorgetti (72'). BRASIL. Falado em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1508 - 21:30
OS INQUILINOS (OS INQUILINOS), de Sergio Bianchi (103'). BRASIL. Falado em português. Indicado para: 14 ANOS.
11/11/2009 – Quarta-feira
CINE BOMBRIL 1
Sessão 1509 - 14:00
ALEXANDRE, O GRANDE (MEGALEXANDROS), de Theo Angelopoulos (210'). GRÉCIA, ITÁLIA. Falado em grego. Legendas em francês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1510 - 17:50
SEQUESTRO (SEQUESTRO), de Wolney Atalla (94'). BRASIL. Falado em português. Legendas em inglês. Indicado para: 18 ANOS.
Sessão 1511 - 19:50
A RAÇA SÍNTESE DE JOÃOSINHO TRINTA (A RAÇA SÍNTESE DE JOÃOSINHO TRINTA), de Paulo Machline, Giuliano Cedroni (72'). BRASIL. Falado em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1512 - 21:30
UM HOMEM QUALQUER (UM HOMEM QUALQUER), de Caio Vecchio (90'). BRASIL. Falado em português. Indicado para: 14 ANOS.
CINESESC
Sessão 1513 - 14:00
UM OLHAR A CADA DIA 


(TO VLEMMA TOU ODYSSEA), de Theo Angelopoulos (176'). GRÉCIA, FRANÇA, ITÁLIA, ALEMANHA. Falado em inglês, grego, búlgaro, albanês, sérvio, romeno. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1514 - 17:20
A ETERNIDADE E UM DIA 

(MIA AIONIOTITA KAI MIA MERA), de Theo Angelopoulos (130'). GRÉCIA, FRANÇA, ITÁLIA. Falado em grego, inglês. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1515 - 19:50
TRILOGIA - O VALE DOS LAMENTOS 

(TRILOGIA: TO LIVADI POU DAKRYZEI), de Theo Angelopoulos (185'). GRÉCIA, FRANÇA, ITÁLIA. Falado em grego. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português. Indicado para: 14 ANOS.
Sessão 1516 - 23:10
OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE (OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE), de Esmir Filho (101'). BRASIL, FRANÇA. Falado em português. Indicado para: 14 ANOS.
Segunda, Novembro 2
[mostra sp 2009, post 13]

A Família Wolberg 




La Famille Wolberg, Axelle Ropert, 2009
As relações familiares, segundo Axelle Ropert. A diretora estreante demonstra uma maturidade fora do comum para compor um painel dos Wolberg, a família do prefeito de uma pequena cidade no interior da França. O patriarca, que ganha vida nas mãos do excelente François Damiens, é um homem de oratória sedutora, cujo maior talento é o de arquiteto das palavras. Na vida pública, sua habilidade funciona em favor de sua carreira, mas sua tendência a centralizar o poder causa atritos dentro de casa. Com um plot destes, Ropert poderia seguir caminhos fáceis, mas ela emoldura a relação de Simon Wolberg com cada um de seus próximos com materiais mais consistentes e, como os personagens nunca caem na caricatura, mesmo com esses atritos sobra amor entre os membros da família. O filme foge completamente do que se pode esperar dele, seja nos diálogos excepcionais, ou na construção das cenas, em que a diretora compulsivamente desvia o foco principal para assuntos mais íntimos e segredos dolorosos. Sempre com suavidade. Ropert sabe como poucos introduzir revelações.

Ninguém Sabe dos Gatos Persas 



Kasi az Gorbehaye Irani Khabar Nadareh, Bahman Ghobadi, 2009
Desta vez, Bahman Ghobadi realmente surpreendeu. O diretor abandona seu olhar sobre o homem comum, geralmente vítima da guerra, e mira no Irã urbano, cosmopolita (da maneira que consegue ser) e cheio de jovens dispostos a fazer música. Rock. O casal de protagonistas - os dois interpretam algo muito próximo de si mesmos, clássico modelo iraniano - têm um objetivo: completar sua banda de indie rock para poder fazer shows pela Europa. Ghobadi acompanha essa busca pelas ruas de Teerã com uma câmera agitada, que reflete a angústia dos jovens enquanto, lentamente, apresenta o país em que eles vivem. A estrutura do filme parece hollywoodiana. Há um guia fanfarrão, o ótimo Hamed Behdad, e, em cada parada, o trio conhece personagens diferentes (com rocks diferentes, muitos deles muito bons) que ajudam a entender a complexidade do Irã atual, um país num conflito eterno entre o próprio umbigo e todo o resto.

Entre Dois Mundos 
Ahasin Wetei, Vimukthi Jayasundara, 2009
Que tipo de pai leva o filho de dez anos para assistir um filme do Sri Lanka no cinema? Como era de se esperar, a dupla não resistiu até o fim da sessão. Mas tudo bem. Eles não foram os únicos. A sala do Reserva Cultural estava bem cheia de gente ansiosa para ver o filme de Vimukthi Jayasundara, mas o cinema do cingalês não empolgou quase ninguém. O problema maior talvez seja como o diretor abusa de simbolismos para costurar seu longa, que ora parece querer retratar a história recente do país e, em outros momentos, assume mitologias e aspectos culturais que não faz o mínimo esforço para tornar assimiláveis. Então, a fotografia bonita parece puro grafismo e o filme fica perdido numa tentativa de transgressão que bate e volta pro mesmo lugar.

A Religiosa Portuguesa 



A Religiosa Portuguesa, Eugène Green, 2009
O filme português do francês Eugène Green se auto-ironiza o tempo inteiro. A história da atriz parisiense que chega a Lisboa para fazer um filme cabeça (com dois atores, sem diálogos, "aborrecido?", pergunta a cabeleireira) começa com esse tom já no diálogo entre a protogonista e o recepcionista do hotel. Hilário. Esse sarcasmo cria um contraponto interessantíssimo ao formato adotado por Green: planos fixos, câmera aberta, interpretações deliberadamente artificiais (aos atores, sobretudo a Leonor Baldaque, parece ter sido pedido para não fazer expressões faciais, o que inclui piscar). O encontro de tons dá a A Religiosa Portuguesa um caráter único de filme sério que ri de si mesmo sem se desmerecer. O diretor ainda encontra espaço para defender o amor, discutir a religiosidade e dizer que, mesmo sendo um intelectual, acredita no acaso e no destino.

Enfermaria Número 6 

Palata N°6, Karen Chakhnazarov, 2009
Essa releitura de Chekhov se apoia numa estrutura de falso documentário para parecer inovadora. Mas Karen Chakhnazarov usa uma fórmula em que muitos já se esbaldaram e o resultado é um filme aborrecido que não consegue estar à altura da discussão do texto, os limites entre a lucidez e a loucura. A projeção digital de última qualidade também não ajuda.

Aquiles e a Tartaruga 


Akiresu to Kame, Takeshi Kitano, 2008
Takeshi Kitano utiliza aqui a mesma estratégia de Glória ao Cineasta em sua trilogia sobre vocações: uma mistura entre o drama delicado e o humor pastelão. Ao contrário do capítulo anterior, Aquiles e a Tartaruga funciona melhor. O protagonista, um jovem herdeiro incentivado pelo pai mecenas a ser pintor, tem que buscar seu próprio talento depois que fica órfão. Essa ideia inicial é conduzida com sensibilidade por Kitano até que, depois que o personagem fica adulto, a comédia escrachada (ainda que em tom melancólico) toma conta. Kitano exagera aqui e ali, mas o filme nunca perde a tristeza inicial.
Resenhas de todos os filmes vistos na Mostra 2009.
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[mostra sp 2009, post 12]

Seguindo em Frente 



Aruitemo, Aruitemo, Hirokazu Kore-eda, 2008
Hirokazu Kore-eda retorna em grande estilo com um drama familiar que evoca o cinema de Yasujiro Ozu e mira na transformação da sociedade japonesa. Seguindo em Frente acompanha uma reunião de família no aniversário de morte do irmão mais velho. Kore-eda usa um microscópio para examinar tradições e costumes e os contrapor com as idiossincrasias do mundo contemporâneo. O diretor faz uma investigação bastante cuidadosa das relações familiares, guardando espaços fartos para demonstrações de carinho e pequenas maldades, mas não abre a guarda para lugares comuns. Não se trata de um filme de redenção ou de acertos de contas. É um recorte da vida.

Soul Kitchen 



Soul Kitchen, Fatih Akin, 2009
O turco-alemão Fatih Akin se livra da temática social que estraga Contra a Parede, sem entrar o drama étnico pesado de Do Outro Lado, e, de quebra, realiza seu melhor filme. Embora as questões que dominam a obra do diretor (identidade, tolerância) ainda estejam por perto, Soul Kitchen acerta por apostar na história simples, nos personagens simpáticos (e bem trabalhados) e numa capacidade até então desconhecida do diretor de comandar a comédia. Das piadas refinadas ao humor popular, Akin, sem nunca parecer grosseiro ou podado, garantiu algumas das gargalhadas mais gostosas dos últimos tempos.

A Peça da Discórdia 

Yengec Oyunu, Ali Özgentürk, 2009
O último filme de Ali Özgentürk, que fez parte do júri da Mostra 2009, tenta compor um painel de como a mulher é tratada pela sociedade turca nos últimos tempos. O diretor contrapõe a história da protagonista, uma mulher com um grande trauma familiar, a um crime que aconteceu 90 anos atrás e que serve de objeto de estudo para os alunos dela. Mas, na maior parte do tempo, o tratamento que a direção e o roteiro dão à história parece ingênuo - ou talvez didático e óbvio demais - e a denúncia não tem a força que poderia ter.

O Filho do Caçador de Águias 

Die Stimme des Adlers, Renè Bo Hansen, 2009
Um exemplo muito bom de como se faz filmes apenas para exaltar o exotismo. Dirigido por um sueco e rodado na Mongólia e no Cazaquistão, com atores locais, conta uma daquelas histórias ultra-simples que tentam se apoiar apenas no carisma de seus personagens, na singeleza das imagens, mas ter apenas a cultura e as paisagens como diferencial não garante estofo suficiente ao filme. O que sobra no ótimo Tulpan, destaque da Mostra no ano passado, falta aqui.

Luas-de-Mel 


Honeymoons, Goran Paskaljevic, 2009
Depois de Barril de Pólovora, Paskaljevic retorna com um filme bastante interessante, que se apresenta como comédia de costumes que contrapõe dois casamentos (um realizado na Sérvia e outro na Albânia). Somos levados ao confronto à distância entre as tradições dos dois países até que as diferenças se transformam em semelhanças quando os dois casais de protagonistas, sempre distantes, pensam na imigração. Numa estratégia bem amarrada, Paskaljevic aproxima as etnias pelo preconceito. O filme pode até não se aprofundar na questão, mas oferece uma visão bem mais ampla dos dois lados de um conflito. Dois lados que, no fundo, estão em busca da mesma coisa.

A Sereia e o Mergulhador 
La Sirena y el Buzo, Mercedes Moncada Rodríguez, 2009
Absolutamente fake. A sinopse oferece um toque fantástico que se resume aos intertítulos. De resto, temos imagens documentais de povoados à beira-mar na Nicarágua que a diretora acredita embasar, justificar, traduzir sua proposta. Mas isso não acontece. O filme soa forçado e pretensioso. Morreu na praia.

Jogos do Leste 

Eastern Plays, Kamen Kalev, 2009
A cópia digital de péssima qualidade deve esconder os méritos deste filme búlgaro que tenta oferecer um olhar contemporâneo sobre o país. Esconde bem porque esses méritos são difíceis de se achar. O tom pessimista parece ser a única pilastra que mantém em pé a história dos dois irmãos (um artista bêbado e pobre e um adolescente que começa a andar com um grupo ariano). Os personagens nunca ganham aprofundamento, nem quando suas tramas particulares se encontram.
Resenhas de todos os filmes vistos na Mostra 2009.
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