Sábado, Outubro 31
[mostra sp 2009, post 11]

Samson and Delilah 


Samson and Delilah, Warwick Thornton, 2009
O maior senão de Samson & Delilah é como o filme parece ter sido feito para dar conta de absolutamente tudo em relação aos aborígenes. O diretor apresenta a dicotomia em que vive o grupo étnico: sua natureza é tradicionalmente ociosa (só caçam quando têm fome, etc), mas a colonização britânica da Austrália impôs o modelo de vida do homem branco. No entanto, protegidos pela condição de nativos e sustentados pelo governo, moram em casas, usam carros, mas não fazem nada o dia todo. Warwick Thornton adota um modelo interessante, como um fichário cronológico do dia-a-dia dos aborígenes numa pequena vila. Ele acompanha cinco dias na vida de dois jovens, um rapaz e uma moça, num crescendo de narrativa que os aproxima e os leva para fora de sua aldeia. É a tradição adaptada à contemporaneidade.
O problema é que, na cidade grande, Thornton pretende denunciar tudo o que pode em relação ao tratamento que os aborígenes recebem e o roteiro começa a ganhar contornos maniqueístas. O casal termina virando bode expiatório e passa por todas as situações que o diretor quer apresentar. Embora seja menos afetado que outros filmes com intenções semelhantes, isso incomoda um pouco. O que equlibra as coisas é que o filme é muito bem fotografado e que acerta em cheio quando mira na delicadeza de pequenos detalhes (Talismã, em espanhol, na fita cassete, por exemplo) e quando constroi a relação da dupla principal.

Dente Canino 
Kynodontas, Giorgos Lanthimos, 2009
Este filme grego é o longa-metragem mais absolutamente dispensável dos últimos tempos. Impossível entender o prêmio no Festival de Cannes já que, se ele tenta ser uma alegoria da superproteção contra o mundo exterior, o resultado que consegue é primário, infantil, afetado e pretensioso. A ideia de denunciar a debilidade virou pelo avesso. É a vitória do ridículo.

Hemingway, Adeus 


Edinstvenata Lyubovna Istoriya, Koyato Hemingway ne Opisa, Svetoslav Ovtcharov, 2008
Filme simples, correto e elegante, com uma trilha sonora bem bonitinha, que narra a passagem curta de Ernest Hemingway pela Bulgária pós-Primeira Guerra Mundial e a relação que ele desenvolve com o guarda de uma estação de trem e sua filha. Curiosamente, a narrativa parece querer guardar segredo sobre a identidade do escritor, o que não faz sentido algum já que espectador já chega ao cinema sabendo de tudo por causa do título e os demais personagens não teriam noção de quem ele seria. No entanto, como um senhor afrmou no fim da sessão: "é o típico conto que o Hemingway adoraria ter escrito".

Bathory 

Bathory, Juraj Jakubisko, 2008
Este filme merece ser visto, apesar de ser medíocre no geral. Primeiro: é uma superprodução histórica eslovaca e tcheca, com direito a cenas de batalha e quilos e quilos de figurinos de época, o que, por si só, já é bastante curioso. Segundo: conta a história da condessa Erzebet Bathory, chamada de vampira e de "maior assassina que já existiu". Por fim, o terceiro e controverso motivo: a concepção novelística da direção, que usa e abusa das fusões, câmera lenta, efeitos, imagens bregas utilizando pombos e rosas e seios e interpretações que abusam do melodrama. Se houvessem homens voadores, poderia facilmente passar por um filme do Zhang Yimou. Ele ficaria orgulhoso.
Resenhas de todos os filmes vistos na Mostra 2009.
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