Segunda, Outubro 26
[mostra sp 2009, post 5]

Tyson 


Tyson, James Toback, 2008
Um filme muito melhor do que se poderia esperar, com Mike Tyson se revelando uma figura muito mais interessante do que se imagina. Claramente favorável ao lutador, que é produtor executivo do longa, Tyson anula esse caráter oficialesco com o verbo solto. Lutas armadas, traição, drogas, comentários preconceituosos, xingamentos a Don King. Tudo isso se reveza com a história do maior boxeador dos últimos tempos, narrada com um farto material de arquivo pessoal e com ideias inventivas de edição. A cópia digital estava um lixo.

Vinte 
Bist, Abdolreza Kahani, 2009
Este filme é tão acomodado que nem dá muita vontade de escrever um parágrafo sobre ele. O diretor Abdolreza Kahani aposta na simplicidade de sua história (funcionários de um salão de festas tentam impdir o fechamento do local) e na miséria em que vivem seus personagens para cooptar o espectador. O roteiro preguiçoso não aprofunda os perfis e se encerra sem nem a intenção de causar qualquer espécie de conflito.

Sussurros no Vento 


Sirta La Gal Ba, Shahram Alidi, 2009
Difícil um filme aparecer com uma fotografia mais bonita (e mais meticulosamente calculada) na Mostra deste ano. O iraquiano Sussurros ao Vento, altamente indicado ao circuito, parece influenciado por dois cineastas do vizinho inimigo, os iranianos Mohsen Makhmalbaf e Bahman Ghobadi. Do primeiro, ele surrupia a composição dos quadros, construindo a beleza mesmo quando ela não aparece tão fácil, e o cuidado com as cores. De Ghobadi, Shahram Alibi rouba a opção de tratar de questões sociais e políticas através dos olhos do homem simples e suas pequenas histórias. Um ponto para o cinema iraquiano.

Backyard 

Backyard, Carlos Carrera, 2009
Para um diretor que já fez aquela versão moderna de O Crime do Padre Amaro, este filme - selecionado pelo México para concorrer a uma vaga no Oscar - é um avanço e tanto. O longa acompanha a investigação do desaparecimento e assassinato em série de dezenas de mulheres na Ciudad Juarez, no México. E Carlos Carrera até que faz direitinho: demonstra mais domínio da câmera e administra com certo talento o gênero policial e os momentos de suspense, mesmo quando produz cenas clichês para denunciar a corrupção. O resultado, até então correto, cai no final, quando o cineasta resolve transformar seu filme num documento definitivo sobre o assunto, num tom de reportagem investigativa, divulgando em GCs os dados sobre os números de mulheres mortas e desaparecidas em vários lugares do mundo. Não era cinema?
Resenhas de todos os filmes vistos na Mostra 2009.
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