Quinta, Outubro 8
[festival do rio 2009, post 13]

Mais Tarde Você Vai Entender 


Plus Tard, Amos Gitai, 2008
O segundo filme de Amos Gitai no Festival do Rio é outro longa memorialístico, mas desta vez a história não é em primeira pessoa - e funciona melhor. Gitai cria um personagem incomodado em Hyppolit Girardot, um homem que quer a todo custo reconstituir o passado de sua família. Sua busca, ainda que aconteça mais na palavra do que qualquer coisa, é bem válida. O filme termina funcionando como um grande inventário - de bens e de lembranças - de uma família judia na Paris da Segunda Guerra.

Deuses 

Dioses, Josué Méndez, 2008
O segundo filme peruano que eu vi neste ano - e provavelmente na vida toda - é uma coleção de histórias de personagens incomodados com suas vidas. O diretor Josué Méndez demora a engrenar o desenvolvimento destas histórias, mas consegue dar algum estofo ao material, sobretudo na personagem da filha mimada e dadeira. No entanto, não consegue sustentar as sub-tramas no terço final do filme, deixando o resultado desequilibrado. A atriz que interpreta a empregada mais jovem viria a ser a protagonista de A Teta Assustada.

An Education 


An Education, Lone Scherfig, 2009
Passei metade da sessão de An Education, que aqui vai ganhar o esperto título Sedução, pensando no porquê este filme ganhou tantos admiradores e é um dos favoritos para ser indicado ao Oscar. Bem, o roteiro de Nick Hornby, que não recorre a multi-referenciação, é bastante correto, sobretudo na caracterização da protagonista e extremamente simpático, mas não tem nada de notável. Carey Mulligan, a jovem atriz principal, é um poço de energia e tem momentos encantadores e Peter Sarsgaard reaparece com uma interpretação que devia há tempos. Mas a dupla també não transforma este filme numa obra especial. Então, só pude chegar à conclusão que Lone Scherfig deu o tom da identificação seu novo filme. E realmente é muito fácil se encantar com a história, se envolver com os personagens; aquele comecinho dos anos 60 é irresistível. Mas passa.

Coco Antes de Chanel 

Coco Avant Chanel, Anne Fontaine, 2009
Cinebiografia convencional sobre Coco Chanel, passando por sua infância, juventude como cantora de cabaré e "dama de companhia" até o momento em que se transforma numa estilista famosa. A narrativa é de novelão, o que desperdiça a chance de mexer na estrutura já que acompanha diferentes épocas. No geral, o filme é fraco e peca pela absoluta falta de inventividade visual: a direção de arte é acomodada e a fotografia de uma pobreza inexplicável. Coco Chanel & Igor Stravinsky, que começa do ponto em que este acaba - parece até que os diretores fizeram um acordo - é bem melhor resolvido, encenado e criativo. No entanto, perde no quesito atriz. Audrey Tatou não carrega nas tintas e entrega uma performance bastante equilibrada.

Corações em Conflito 

Mammoth, Lukas Moodysson, 2009
O melhor filme que eu vi nos cinemas em 2001 foi Bem-Vindos, um filme ensolarado, mas nunca bobo, sobre uma comunidade hippie na Suécia dos anos 70, que conquistava não apenas por seu roteiro bem escrito e seus personagens carismáticos, mas por sua maneira de enxergar o mundo. Pois bem, oito anos se passaram e eu pergunto: onde foi mesmo que o bom cineasta que foi o Lukas Mooddysson se perdeu? Corações em Conflito, a princípio, parece ser do gênero "o mundo é uma merda e as pessoas não valem muita coisa", da qual Crash e Babel são os maiores expoentes, mas, obrigadosenhor, o roteiro não se estrutura em incidentes que misturam histórias e acreditam teorizar sobre a maldade humana.
No filme de Moodysson, as tramas separadas por oceanos de distância não dependem necessariamente umas das outras. Ao contrário de Bem-Vindos, os personages deste filme são tristes e solitários. O diretor lança sobre eles um olhar de piedade que incomoda à primeira vista, mas que, depois que o longa toma corpo e os personagens ganham estão estabelecidos, se transforma numa observação silenciosa, sem julgamento. Há, no meio disso tudo, um personagem muito bem construído, o da garotinha, filha do casal americano. Mas a trama não deveria parecer satisfatória para Moodysson que apela para cenas pobres e didáticas, como a do lixão, e soluções fáceis, como a do garoto filipino para provocar movimento na história. A costura final passa por cenas maniqueístas feitas para comover o espectador e, apesar dos caminhos não serem necessariamente os mesmos, há mais paralelos com o filme de Alejandro Gonzalez Iñarritu do que manda o manual do bom senso.
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Outros filmes do festival: 35 Doses de Rum, (500) Dias com Ela, Abraços Partidos, Aconteceu em Woodstock, Adam, Amália, O Amor Segundo B. Schianberg, Amreeka, Antes que o Mundo Acabe, The Bad Lieutenant: Port of Call, New Orleans, Barba Azul, Uma Barragem contra o Pacífico, Boogie, Boy, Brilho de uma Paixão, A Casa Nucingen, Coco Chanel & Igor Stravinsky, Cornucópia, A Criada, O Dia da Transa, Distante Nós Vamos, Distrito 9, Doce Perfume, An Englishman in New York, Erótica Aventura, Eu Matei a Minha Mãe, Eu, Ela e Minha Alma, A Física da Água, A Fita Branca, Hotel Atlântico, Insolação, Julie & Julia, Lake Tahoe, London River, Luisa, Maradona, Marching Band, The Messenger, Mommo, Morrer como um Homem, Mother, Nova York, Eu Te Amo, Pequeno Soldado, Politist, Adjectiv, Porco Cego Quer Voar, As Praias de Agnes, O Rei da Fuga, Ricky, Séraphine, Singularidades de uma Rapariga Loura, The Time That Remains, Tokyo!, Viagem aos Pirineus, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, Vincere, White Material.
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