Terça, Outubro 6
[festival do rio 2009, post 10]

Maradona 

Maradona by Kusturica, Emir Kusturica, 2008
Emir Kusturica é o diretor mais improvável para um documentário sobre Diego Armando Maradona e é talvez por isso que seu filme seja tão particular. Kusturica enxerga Maradona como um personagem de seus filmes e - embora force a barra em algumas comparações - o trata assim, como um personagem, evitando a comodidade conciliatória em que muitos documentários caem. Não que ele busque o conflito; seu filme é bastante pacífico, mas nunca está a serviço de seu objeto. Há momentos sublimes, como o jogador cantando com as filhas no karaokê e todas as aparições dos fiéis da Igreja Maradoniana. Kusturica abre bastante espaço ainda para os "discursos" políticos de Maradona. É neles que dá pra perceber o quão o argentino é mais interessante do que o rei Pelé. .

Carmel 
Carmel, Amos Gitai, 2009
Carmel é um daqueles filmes que nascem importantes. Como ignorar um "livro de memórias" de um dos mais importantes cineastas de um país em guerra desde que nasceu? Pois bem, Amos Gitai tinha um vasto material na mão (tanto cartas, fotos e filmes quanto lembranças e impressões), mas a colagem disso tudo não tem unidade, nem envolve o quanto pretendia. É um frankenstein que ataca para todos os lados e não chega a resultado algum..

Porco Cego Quer Voar 

Babi buta yang ingin terbang, Edwin, 2008
Um filme bem esquisito que não faz a menor questão de ser compreendido de uma maneira mais efetiva. O preconceito étnico motiva a trama, mas o diretor Edwin, bom encenador, não faz da trama o mais importante do filme. Porco Cego Quer Voar foge do preto-no-branco e apela para bizarrices que o deixam ora constrangedor, ora interessante, mas nunca menos do que particular. Confesso que senti pouco envolvimento com os personagens, o que me afastou do filme. "I Just Called To Say I Love You", cantada à exaustão pelos personagens parece ter significados além.

White Material 


White Material, Claire Denis, 2009
Um filme bastante maduro, com uma mis-en-scène elaborada. Claire Denis volta à África de seu primeiro filme, Chocolat, para mais uma história sobre estrangeirismos e, mais especificamente, os efeitos do colonialismo francês no continente. O longa trabalha com uma tensão rara no cinema de Denis, embora não seja especialmente um filme de clímaxes. Isabelle Huppert se repete e funciona. Christophe Lambert, por sua vez, vira bom ator.



Tokyo! 


Tokyo!, Michel Gondry (

), Leos Carax (

), Bong Joon-ho (



), 2008
O primeiro comentário que ouvi sobre Tokyo! foi de que o curta de Bong Joon-ho era tão bom que compensava os episódios de Leos Carax e Michel Gondry. Concordo com uma coisa: o trabalho do coreano é realmente muito superior, mas os três curtas que compõem este longa são bons exemplares de um cinema fantástico meio esquecido diante da produção atual. Michel Gondry cometeu o filme mais surpreendente. Parte de um roteiro urbano, metropolitano, comum para abraçar a fantasia como uma única solução possível para sua personagem. Faz isso de maneira ao mesmo tempo abrupta e leve, evocando um clima meio Além da Imaginação.
Já Leos Carax, de quem eu esperava o episódio mais sério por conta de sua filmografia, já adere ao devaneio assim que o filme começa. É o episódio mais bizarro e sem concessões - e também o filme que mais aposta no humor, no nonsense. A primeira sequência, com o passeio do Sr. Merde pelas calçadas da cidade parece um balé - que lembra a excelente cena inicial de Superman III, de Richard Lester, em versão macabra. É adorável.
Bong Joon-ho, por sua vez, fez de seu curta uma pequena obra-prima. O filme é de uma inteligência visual absurda, faz poesia com a imagem sem qualquer apelação. A concepção cenográfica da casa do protagonista, somada aos planos cuidadosos, embalam a história mais simples, com menos estripulias de roteiro, mas ao mesmo tempo com um refinamento que os outros filmes não têm. Delicadíssimo. Para rever.
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Outros filmes do festival: 35 Doses de Rum, (500) Dias com Ela, Abraços Partidos, Aconteceu em Woodstock, Amália, O Amor Segundo B. Schianberg, Amreeka, Antes que o Mundo Acabe, The Bad Liutenant: Port of Call, New Orleans, Barba Azul, Uma Barragem contra o Pacífico, Boogie, Brilho de uma Paixão, A Casa Nucingen, Coco Chanel & Igor Stravinsky, Cornucópia, A Criada, O Dia da Transa, Distante Nós Vamos, Distrito 9, Doce Perfume, An Englishman in New York, Erótica Aventura, Eu Matei a Minha Mãe, Eu, Ela e Minha Alma, A Física da Água, Hotel Atlântico, Insolação, Julie & Julia, Lake Tahoe, London River, Luisa, Marching Band, Mommo, Mother, Nova York, Eu Te Amo, Pequeno Soldado, Politist, Adjectiv As Praias de Agnes, O Rei da Fuga, Ricky, Singularidades de uma Rapariga Loura, Viagem aos Pirineus, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, Vincere.
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