Domingo, Outubro 4
[festival do rio 2009, post 8]

Viagem aos Pirineus 
Le Voyage aux Pyrenées, Arnaud Larrieu e Jean-Marie Larrieu, 2008
Começa como uma comédia despudorada, maluquinha, quase irresistível, com Sabine Azèma e Jean-Pierre Limousin entrando na brincadeira, em atuações inspiradas, mas em sua segunda metade cai na armadilha do exagero, fica enfadonho e perde a graça e o timing. Nem a dupla de atores consegue manter o equilíbrio do filme.

An Englishman in New York 

An Englishman in New York, Richard Laxton, 2009
O personagem certamente é bem melhor do que o filme, embora esta cinebio de Quentin Crisp - ou do período em que ele viveu no EUA - seja bastante honesta e correta. John Hurt, em atuação memorável, carrega o filme nas costas, mas o humor ácido e as história de vida do retratado sempre mantêm o interesse, mesmo quando o filme parte para avaliações didáticas, como no discurso da personagem de Cynthia Nixon.

Vincere 



Vincere, Marco Bellochio, 2009
O Festival do Rio deste ano é o festival das atrizes. Depois de Brenda Blethyn, Kim Hye-ja, Nisreen Faour e Meryl Streep - só para citar algumas - a performance de Giovanna Mezzogiorno, do ótimo O Último Beijo, entra para as melhores do ano. Ela é a protagonista deste filme, que conta uma história de bastidor do ditador italiano Benito Mussollini. A direção de Marco Bellochio é impecável: ele conduz o filme como uma ópera furiosa, com um uso excelente da trilha sonora e um talento inegável para reger os atores em cena. Na primeira meia-hora, os textos e as imagens de arquivo invadem a tela numa poesia brutal que quebra o classicismo do tom do longa. Com sua história estabelecida, Bellochio diminui o ritmo para criar planos belíssimos - e depois retomar sua marcha.

Mommo 


Mommo, Atalay Tasdiken, 2009
Este filme só entrou na minha programação para compor o dia e se revelou uma belíssima surpresa. Tenho uma queda natural para filmes adultos protagonizados por crianças e centrados no universo infantil. Este filme, baseado numa história real e estrelado por um casal de irmãos (dentro e fora da tela) narra a história de duas crianças abandonadas deixadas com o avô pelo pai que se casou de novo depois de ficar viúvo. O turco Atalay Tasdiken, em seu primeiro filme, se dedica a explorar a relação entre os dois, com foco no cuidado com que Ahmet trata a pequena Ayse. Com forte inspiração neo-realista e sem excessos melodramáticos, o diretor acerta o tom criando cenas cotidianas belíssimas, com o suporte de um bom gosto visual inegável.
Comentários rápidos e primeiras impressões no twitter.
Outros filmes do festival: 35 Doses de Rum, (500) Dias com Ela, Abraços Partidos, Aconteceu em Woodstock, Amália, Amreeka, The Bad Liutenant: Port of Call, New Orleans, Barba Azul, Uma Barragem contra o Pacífico, Boogie, Brilho de uma Paixão, A Casa Nucingen, Cornucópia, A Criada, Distante Nós Vamos, Distrito 9, Doce Perfume, Erótica Aventura, Eu Matei a Minha Mãe, Eu, Ela e Minha Alma, A Física da Água, Hotel Atlântico, Insolação, Julie & Julia, Lake Tahoe, London River, Marching Band, Mother, Nova York, Eu Te Amo, Pequeno Soldado, Politist, Adjectiv As Praias de Agnes, O Rei da Fuga, Ricky, Singularidades de uma Rapariga Loura, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo.
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