Terça, Setembro 29
[festival do rio 2009: post 4]

Marching Band 


Marching Band, Claude Miller, 2009
Um documentário sobre as bandas de duas universidades da Virgínia, estado-chave na eleição de Obama, antes e durante o pleito. Poderia ser mais chato? Certamente, sim. O francês Claude Miller cruzou o Atlântico para fazer um filme mais sobre os personagens, suas visões de mundo e suas expectativas do que sobre a eleição. O resultado é um doc vivo, com esmero visual e sonoro - a fotografia é muito boa - e bom de se assistir.

Distrito 9 



District 9, Neill Blomkamp, 2009
Este filme ganhou o status que tem por ser uma alegoria sobre segregação racial, preconceito étnico e atacar a indústria bélica. Isso tudo é realmente um imenso diferencial em Distrito 9, dirigido e escrito por um desconhecido, produzido com dinheiro neo-zelandês e sul-africano. Mas o filme é muito mais do que isso. Além de sua potente crítica a nossa sociedade, o filme é uma deliciosa aventura scifi com um punhado de momentos memoráveis e um humor nigérrimo em seu primeiro terço. O trabalho de fotografia evoca Cloverfield. Seu maior diferencial talvez seja apresentar um personagem de comportamento completamente questionável e, depois do espectador criar repulsa por ele, dizer: "este é o herói que você tem; é pegar ou largar".

Singularidades de uma Rapariga Loura 


Singularidades de uma Rapariga Loura, Manoel de Oliveira, 2009
Manoel de Oliveira exala frescor ao fazer uma adaptação livre de um conto de Eça de Queirós, com o apoio de seu séquito, que, se não participa da história central, ajuda a ornamentar o filme. Singularidades de uma Rapariga Loura é um singelo manifesto do cineasta à paixão e suas consequências. A história do amor de Macário pela loura da janela jamais poderia encontrar um tradutor mais certeiro no cinema.

35 Doses de Rum 


35 Rhums, Claire Denis, 2008
Claire Denis mergulha mais uma vez na herança africana da França em 35 Doses de Rum. O filme investiga o cotidiano de uma família negra, de origem africana, em Paris numa homenagem a Ozu e seu Pai e Filha. Este pai e esta filha moram sós depois que a mãe morreu. Há um vizinho por quem ela, a filha, está interessada. Há uma vizinha que se interessa por ele, o pai. A trama é mais ou menos isso aí. A diretora usa-a como estrutura inicial para observar o cotidiano dos dois, investigar sua relação e, a partir daí, dar-lhes movimento.

Julie & Julia 


Julie & Julia, Nora Ephron, 2009
Meryl Streep é uma atriz avassaladora. No papel da culinarista Julia Child, está excessiva, afetada e, por isso mesmo, perfeita. Ela é a alma e o corpo de Julie & Julia, mas seria injusto dizer o filme de Nora Ephron seja apenas isso. A rainha das comédias românticas consegue amarrar de forma sutil os elos entre as duas histórias, estabelecendo semelhanças e diferenças nos relacionamentos dos dois casais. Tudo é bem levinho, mas sem arestas. Amy Adams, cada vez mais estabelecida como atriz de primeira grandeza, também está muito bem e Stanley Tucci e Chris Messina fazem os contrapontos masculinos no exato tom conciliador que o filme pede.

Hotel Atlântico 



Hotel Atlântico, Suzana Amaral, 2009
Suzana Amaral sempre me pareceu uma artista de femininices. A Hora da Estrela e Vida de Menina, seus dois únicos longas em sua carreira bissexta de mais de vinte anos, invadem cada um a seu modo universos completamente femininos. A adaptação de um texto de João Gilberto Noll não parecia bem ser sua praia. Lêdo engano. A insólita viagem do protagonista de Hotel Atlântico segue um rumo totalmente diferente. Parte de um policial B impregnado de uma testoterona abstrata para se transformar num filme sobre encontro e comunhão que ignora sotaques. Júlio Andrade e João Miguel, provavelmente os dois melhores atores brasileiros surgidos nos últimos cinco ou seis anos, estão perfeitos.
Comentários rápidos e primeiras impressões no twitter.
Outros filmes do festival: (500) Dias com Ela, Aconteceu em Woodstock, Amália, The Bad Liutenant: Port of Call, New Orleans, Barba Azul, Brilho de uma Paixão, A Casa Nucingen, Cornucópia, A Criada, Doce Perfume, Erótica Aventura, Eu Matei a Minha Mãe, Eu, Ela e Minha Alma, Lake Tahoe e As Praias de Agnes, Ricky, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo.
Posts similares:
festival do rio 2009, post 2
festival do rio 2009: dia 1
festival do rio 2009: post 3
Comentários
Ah, e será que esse ano a Meryl leva seu terceiro Oscar? Bem, a Swank também pode chegar a marca de 3, né? Parece difícil, mas nunca impossível...
Mas o filme realmente ficou acima do esperado.
Este post tem 2 comentários aguardando aprovação...
Deixe aqui seu comentário:


péssimo 







