Sexta, Outubro 9
[festival do rio 2009, post 14]

Sede de Sangue 

Thirst, Chan-wook Park, 2009
Um filme decepcionante. Não dá pra acreditar que o Chan-wook Park tenha feito tanta besteira com um plot tão genial (um padre vampiro). O roteiro não tem a medida certa para dosar o humor negro que o filme pretende ressoar e o resultado é que, para cada cena boa - e há algumas ótimas, como a sequência final ou o momento em que o protagonista resolve "fazer" uma companheira - há umas três ou quatro cenas ruins, em que o diretor abusa do pastelão e o resultado fica desequilibrado. O filme tem uma bela embalagem visual e sonora, marca do cineasta, mas na maior parte de sua (longa) duração é oco.

Bastardos Inglórios 



Inglorious Basterds, Quentin Tarantino, 2009
Quentin Tarantino parece estar preso para sempre a um tipo de cinema que se baseia em violência, humor e citações, mas esse diretor ao mesmo que é tão fiel ao estilo que ajudou a desenhar é completamente hábil em fazer sua engrenagem funcionar que não há um só de seus filmes que não seja muito bom. Bastardos Inglórios é um Tarantino clássico, mas apurado. O diretor já tem 18 anos de carreira e filma melhor a cada novo trabalho que apresenta. A cena inicial deste filme é uma citação explícita à cena que abre Os Imperdoáveis (revelação feita pelo rapaz que estava na fileira atrás de mi no cinema, que eu acho que era o Peerre). Revi a cena do filme de Clint Eastwood hoje e me arrepiei. Esta imagem inicial conduz o filme, em pouco mais de cinco minutos a uma daquela clássicas sequências de diálogos dos filmes de Tarantino, a conversa entre o fazendeiro e o coronel interpretado por um majestoso e impecável Christoph Waltz. O texto, ultra-preconceituoso, é tão articulado (e bem interpretado pelos dois atores) que a teoria do nazista desce fácil. A sequência se encerra com mais um dos espetáculos tarantinescos de violência e uma fuga perfeita.
O filme não havia chegado nem ao primeiro quarto e já havia muito para guardar na memória, mas Tarantino não para por ali e nos apresenta a seu esquadrão classe A, a concessão humorística a sua história "séria". Surgem Brad Pitt, Eli Roth, Til Schweiger e trupe, cada um com sacadas geniais na caracterização de seus personagens. Curiosamente, este filme é o que guarda a montagem mais comportada da editora Sally Menke, que cortou todos os longas do diretor. As peripécias estruturais se resumem a flashbacks que apresentam os personagens. No mundo de Tarantino, a história de vingança encontra a História e não há qualquer preocupação de se a segunda poderia confinar a primeira a qualquer aprisionamento. A História está a serviço do cinema do diretor. Ele faz uso dela da maneira com quer, sempre com inteligência que garante substância ao filme. A afirmação final do personagem de Brad Pitt pode não ser a verdade. Mas isso pouco importa. Bastardos Inglórios não foi feito para ser um marco no cinema de Tarantino. Mas não deixa de ser curioso que seu filme mais formal seja, por razões outras, seu filme mais ousado.

Aquário 


Fish Tank, Grã-Bretanha, 2009
Andrea Arnold amadureceu bastante desde seu primeiro e irregular filme, Marcas da Vida. Este Aquário visita um universo suburbano a la Mike Leigh (as locações lembram muito as de Agora ou Nunca, obra-prima do diretor), mas o tratamento que Andrea dá aos personagens é bem diferente do de Leigh. Ela troca a tristeza solitária do filme do cineasta por uma agressividade defensiva que mora não só na protagonista, mas nas três mulheres de seu filme. A personagem principal - mais uma adolescente irritante? - termina por ganhar contornos bastante honestos, mesmo com seu comportamento de vilã. Kierston Wareing e Michael Fassbender, a mãe e o namorado dela, estão impecáveis.

As Ervas Daninhas 



Les Herbes Folles, Alain Resnais, 2009
O texto do novo filme de Alain Resnais é um de seus maiores méritos, um achado, de uma leveza e uma fluidez impressonantes até mesmo quando ganha contornos dramáticos. O diretor se alimenta de cada palavra para construir o perfil do personagem de André Dussolier, excelente; um personagem que se transforma incessantemente. Transformações ousadas, mas que nunca fazem o personagem perder sua humanidade. Pelo contrário. As transformações se misturam à própria estrutura e narrativa do filme, que muda à medida que o papel de Dussolier ganha um novo contorno. Resnais, no entanto, conduz esse passeio por gêneros, formatos, brincadeiras, chamem como quiserem, com uma naturalidade que não se perde nem quando o filme se afasta da verossimilhança. O resultado é único.
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Outros filmes do festival: 35 Doses de Rum, (500) Dias com Ela, Abraços Partidos, Aconteceu em Woodstock, Adam, Amália, O Amor Segundo B. Schianberg, Amreeka, Antes que o Mundo Acabe, The Bad Lieutenant: Port of Call, New Orleans, Barba Azul, Uma Barragem contra o Pacífico, Boogie, Boy, Brilho de uma Paixão, A Casa Nucingen, Coco Antes de Chanel, Coco Chanel & Igor Stravinsky, Cornucópia, Corações em Conflito, A Criada, Deuses, O Dia da Transa, Distante Nós Vamos, Distrito 9, Doce Perfume, An Englishman in New York, Erótica Aventura, Eu Matei a Minha Mãe, Eu, Ela e Minha Alma, A Física da Água, A Fita Branca, Hotel Atlântico, Insolação, Julie & Julia, Lake Tahoe, London River, Luisa, Mais Tarde Você Vai Entender, Maradona, Marching Band, The Messenger, Mommo, Morrer como um Homem, Mother, Nova York, Eu Te Amo, Pequeno Soldado, Politist, Adjectiv, Porco Cego Quer Voar, As Praias de Agnes, O Rei da Fuga, Ricky, Sedução, Séraphine, Singularidades de uma Rapariga Loura, The Time That Remains, Tokyo!, Viagem aos Pirineus, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, Vincere, White Material.
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Comentários
Que decepção ... tinha uma enorme expectativa em cima desse
Acho que aquilo é uma sequência de cenas e não uma só, Mauricio.
Amauri, eu adoro o filme, mas acho que "Kill Bill 1", por exemplo, é melhor.
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péssimo 







