Sábado, Setembro 26
[festival do rio 2009, post 2]

Eu, Ela e Minha Alma 
Cold Souls, Sophie Barthes, 2008
Sophie Barthes não é Spike Jonze, muito menos Charlie Kaufman. Então por que diabos ela quis fazer uma cópia tão descarada de Quero Ser John Malkovich? Esta comédia pretensamente insólita sobre tráfico de almas conseguiu juntar no elenco Paul Giamatti, que interpreta a si mesmo, Emily Watson e David Strathairn. Todos tentam dar certa dignidade a seus papéis, o que garantiu a estrela solitária para o filme, mas isso não salva o longa de ser uma experiência constrangedora para todos envolvidos nele.

Doce Perfume 


Tatarak, Andrzej Wajda, 2009
Este filme é um experimento curioso. Krystyna Janda, em momento especial, vive uma mulher de meia idade que sofre com os filhos mortos na Segunda Guerra e enxerga numa paixão platônica um novo sopro de vida. O filme seguiria esta história, comum, caso o diretor de fotografia e marido da protagonista, Edward Klosinski, não tivesse morrido durante as filmagens. Janda sugeriu a Andrzej Wajda a inclusão de inserções suas, em primeira pessoa, narrando o progresso da doença do marido, pontuando a história principal. O resultado fez o filme crescer, transformando-o numa dolorosa experiência sobre encontros e despedidas. E com uma grande atriz.

Brilho de uma Paixão 



Bright Star, Jane Campion, 2009
Olá, Quentin Tarantino, onde é que eu assino?
Há alguns dias, a imprensa noticiou que o autor de Pulp Fiction escreveu uma carta para a diretora Jane Campion, parabenizando-a por Brilho de uma Paixão. Se essa carta virasse um abaixo assinado, eu gostaria de participar dele. O filme parte de um roteiro original para narrar a história de amor entre o poeta britânico John Keats, morto aos 25 anos, e a jovem Fanny Brawne. Imbuída do espírito romântico de Keats, Campion deixa o filme impregnado com sua poesia, mas o absolve da tristeza. Brilho de uma Paixão é conduzido com leveza e luminosidade pela diretora, interpretado com delicadeza por Abbie Cornish, cotada para o Oscar, e Ben Wishaw, e tem na performance de Paul Schneider, viva e impiedosa, seu maior acerto.

A Criada 


La Nana, Sebastian Silva, 2009
Este filme chileno poderia facilmente cair na armadilha de transformar a protagonista em vilã ou condená-la à loucura, mas à medida em que a história cresce, a personagem ganha contornos cada vez mais detalhados e é humanizada mesmo em suas perversidades. A atriz Catalina Saavedra, está impecável.

Erótica Aventura 
À l'Aventure, Jean-Claude Brisseau, 2008
A coisa mais insuportável no cinema de Brisseau são os ganchos frágeis que ele encontra para apresentar e justificar os textos que os atores dirão a seguir. Eles ou são muito didáticos ou são muito artificiais, o que compromete o resultado. Neste filme, ele vai além: na pretendida busca pelo êxtase supremo, lança teorias ora óbvias, ora ridículas sobre desejo, traição, casamento, relacionamentos e criar cenas absolutamente comuns de dominação e sexo grupal.

A Casa Nucingen 
Nucingen Haus, Raoul Ruiz, 2008
Raoul Ruiz parece aqui querer fazer algo parecido com Drácula de Bram Stoker, um filme que sabe usar e abusar das imagens kitsch do cinema te horror barato, transformando-as em arte. Mas fica só na intenção porque A Casa Nucigen é tão frágil que provoca risos ao invés de sustos. A fragilidade não é apenas no material de horror, mas na própria encenação. Ruiz parece comandar os atores numa brincadeira. Há uma cena em particular em que isso fica claro: o doutor e Willy estão no jardim quando vêem Leonore ao longe. O doutor se levanta do banco e dá alguns passos para se posicionar melhor e vê-la. Quando chega ao lugar desejado, dá um pulinho, como numa marcação teatral de comédia. Certamente a projeção num horroroso DVCAM prejudicou, mas o filme realmente deixa bastante a desejar.
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Outros filmes do festival: (500) Dias com Ela, Aconteceu em Woodstock, Amália, Barba Azul, Cornucópia, Eu Matei a Minha Mãe, Lake Tahoe e As Praias de Agnes.
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