Terça, Setembro 22
[indie 2009: post final]

Um Lago 



Un Lac, Philippe Grandrieux, 2008
Qual a chance do amor diante do completo isolamento? Para o jovem Alexi, seu objeto de paixão é o único que está por perto, o único possível. O amor não tem consumação para o personagem. Por isso, talvez, ele sinta tanto a necessidade do tato. Alexi toca, acaricia, sente a pele de quem está a sua volta. O cinema de Philipee Grandrieux é tátil. Um cinema de sensações. O roteiro de Um Lago é dos mais simples. O diretor, de quem eu guardava certo preconceito depois ver Sombra há exatos dez anos, na Mostra de SP, me venceu desta vez. Seu cinema é difícil. Esqueça o que você já viu de câmera trêmula. Poucas vezes uma fotografia foi tão nervosa quanto a desse filme. Mas tudo com sua explicação. Sempre pulsando.

Li Tong 


Li Tong, Nian Liu, 2009
O primeiro filme de Nian Liu é um Nenhum a Menos urbano. No lugar da professorinha adolescente que busca o aluno perdido, uma garotinha que perde seu passe de ônibus e decide ir para casa sozinha. Realizado dez anos após o filme de Zhang Yimou, Li Tong aposta na transformação da China, um país que vive a crise entre a utopia comunista e o crescimento capitalista. A menina cruza Beijing conhecendo, sobretudo, a miséria que a cidade esconde. Neo-realismo chinês.

Suzaku 



Sukazu, Naomi Kawase, 1997
Este filme praticamente revelou o cinema de Naomi Kawase para o mundo. A diretora escolheu uma família que mora numa vila na montanha para realizar seu longa de ficção mais pessoal, com toques autobiográficos. Kawase apresenta seus personagens com carinho, sobretudo os primos Ei e Yasuyo, que nutrem uma amizade pura e cheia de cuidados. O filme se entrega à memorabilia familiar com toda a delicadeza que se pode esperar de Kawase, que acompanha os personagens envelhecendo, os sentimentos mudando e as coisas buscando um novo espaço na vida.
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