Terça, Setembro 22
[indie 2009: brillante mendoza]
A programação do Indie 2009 guardou alguns belos presentes para o espectador. Um dos maiores foi a retrospectiva quase completa da obra dop filipino Brillante Mendoza. Kinatay, que deu ao cineasta o prêmio de melhor diretor em Cannes, já havia me surpreendido por como Mendoza sabe tomar para si e ordenar elementos díspares e dissipados. Vendo outros cinco filmes, a impressão sobre o diretor só viria a melhorar.

Massagista 


Masahista, Brillante Mendoza, 2005
Massagista, de 2005, seu primeiro filme, é uma semente do que o cineasta viria a fazer no futuro. Estão lá a narrativa circular, a montagem paralela, a preocupação visual e, sobretudo, o cinema de cunho social, marca do diretor. Num filme sobre uma casa de massagens, Mendoza não apela para imagens gratuitas e sabe alternar uma visão cruel do realidade de seu país com um certo lirismo empregado a cada personagem.

Kaleldo 


Kaleldo, Brillante Mendoza, 2006
Já Kaleldo, de 2006, como afirmou o próprio Mendoza, foi sua concessão a um cinema mais comercial. É seu blockbuster. Mas mesmo mirando nas massas, o cineasta deixa suas marcas. De comédia de costumes, o filme rapidamente para à condição de elaborado mosaico dramático sobre uma família, com requinte plástico e um punhado de boas interpretações. Destaque para a ótima Cherry Pie Picache, como a irmã lésbica.

John John 


Foster Child, Brillante Mendoza, 2008
A atriz é a estrela de John John, o filme mais simples e menos pretensioso do diretor. Cherry Pie é uma mulher pobre que participa de um programa em que pega crianças para preparar sua adoção. O John John do título é o filho da vez. Narrado num tom documental mais acentuado do que os outros filmes do diretor, o filme segue correto até o final, quando Mendoza e Cherry Pie nos brindam com um arroubo de emoção.

Tirador 



Slingshot, Brillante Mendoza, 2007
Para o diretor, o cinema tem função social. Todos os filmes dele lidam, de uma maneira ou de outra, com a realidade e a miséria do país. Tirador, que passeia pelas favelas de Manila com tanta intimidade quanto quem anda pela própria casa, é o maior exemplo. Começa como um retrato de pessoas que vivem de seus pequenos furtos, mas ganha nova dimensão a cada cena e termina como um ensaio sobre a corrupção e a desonestidade que fazem parte do cotiadiano do país.

Serbis 



Serbis, Brillante Mendoza, 2008
Serbis é o filme mais polêmico de Mendoza. Talvez porque contenha cenas explícitas e o sexo dos atores. Mas nada me pareceu gratuito nesse inventário da decadência de uma família, que mora num imenso prédio sujo onde funciona um cinema pornô, que a matriarca da família (Gina Pareños, intensa) chama de sua última "casa de cinema". Mendoza tem um talento impressionante para fazer os corpos ocuparem seus espaços no cenário. Então, o garoto andando de velocípede pertence àquele lugar tanto quanto os garotos de programa que buscam clientes. A atriz Jaclyn Jose, que administra a "casa" é excepcional. Assim como o cinema de Brillante Mendoza.
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