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Sábado, Setembro 19

[indie 2009: naomi kawase]

Naomi Kawase

Naomi Kawase

Naomi Kawase

Shara EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Sharasojyu, Naomi Kawase, 2003
Nanayo EstrelinhaEstrelinha
Nanayomachi, Naomi Kawase, 2008
Koma Estrelinha
Koma, Naomi Kawase, 2009

Uma das homenageadas da edição 2009 do Indie, a japonesa Naomi Kawase alterna ficções e documentários em filmes que sempre invadem universos intimistas. Da retrospectiva da cineasta, vi três filmes. O mais antigo deles, Shara, de 2003, é o melhor. O longa tem como ponto de partida o desaparecimento repentino de um dos gêmeos da família Aso. Mas a diretora recusa a idéia mais óbvia de investigar o sumiço do garoto. A ela interessa o que acontece com quem ficou. Depois do prólogo, filmado com maestria, a narrativa é retomada cinco anos depois. Kawase, que também interpreta a mãe grávida, escolhe o gêmeo restante, Shun, para continuar sua investigação sobre a família. Shun é o protagonista de uma história que explora o cotidiano: as aulas de arte, o interesse pela vizinha, a ajuda ao pai na organização de um festival de dança, a preocupação com o bebê que a mãe carrega. Sua timidez e discrição somente explodem quando existe a possibilidade de o passado ressurgir e abalar a vida que ele criou para si. Mas a ameaça não está nos planos de Kawase. Ela refuta trabalhar com maneirismos e segue o caminho menos fácil.

Nanayo, de 2008, é um filme sobre a comunicabilidade. Ou a falta dela. Sua protagonista, uma japonesa, vai para a Tailândia, onde é abrigada numa casa local, onde também mora um francês (Gregoire Colin, de Antes da Chuva). Lá, ninguém fala o idioma do outro, o que torna difícil o entendimento. Aqui, Kawase acerta quando mostra a aproximação gradual entre os personagens, mesmo quando eles não conseguem explicar um ao outro quem são e o que querem. Mas não teve a habilidade de administrar situações mais extremas, como a cena da massagem, que parece querer imprimir um humor esquisito, tipicamente japonês, ao ambiente, mas não sabe muito bem por onde começar. Ou, mais grave, na cena da briga, onde a sucessão de agressões nunca parece se justificar mesmo que os diálogos pareçam ter dado conta disso. Soa artificial e não extremista, como a diretora pretendia.

Já o mais recente dos filmes, o curta-metragem Koma, deste ano, é o menos interessante. O filme parte de uma ideia simples, bem tradicional: um neto realiza o último desejo de um avô, devolver a um amigo um presente que ganhou no passado. A partir daí, a diretora tenta costurar uma trama que liga as duas famílias e justifica encontros e aproximações. É um filme com um quê mais metafísico do que pessoal, que quase nunca consegue substância ou verossimilhança.

posted by Chico Fireman at 05:35:06 | 2 comentários



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Comentários




João Paulo
Por que esse festival não vem ao RJ? Tinha muita vontade de conhecer esta cineasta...
21.09.09 @ 19:33


Nossa, se Shara é o melhor, então os outros dois filmes devem ser um horror... hehehehe
22.09.09 @ 12:00


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