Quinta, Setembro 17
[circuito 2009]

Alexandra 

Alexandra, Alexander Sokurov, 2007
Sokurov testa os limites entre ficção e documentário num filme "quase iraniano" em sua proposta de verdade. A visita da protagonista ao neto militar não se justifica porque não representa mudança ou abalo nem para ela, nem para o batalhão que acabara de conhecer. Sokurov se afasta avidamente de sua plástica habitual (Pai e Filho e Moloch) e filma o mais seco que pode. O resultado é bem chato.

O Contador de Histórias 
O Contador de Histórias, Luiz Villaça, 2009
Minha teoria é que Luiz Villaça tinha o sonho de concorrer ao Oscar porque esta historinha de superação é tão limpinha que dá dó. A vida de qualquer adolescente norte-americano é super pesada perto do dia-a-dia dos meninos internos na Febem, se a gente levar este filme como exemplo. A única cena realmente forte, um estupro, é filmada com elegância, mas a coragem do filme morre por aí. E Maria de Medeiros esbanja simpatia... até demais.

Eu Te Amo, Cara 


I Love You, Man, John Hamburg, 2009
John Hamburg conseguiu o que seus outros colegas diretores de comédia tentam e conseguem só parcialmente: Eu Te Amo, Cara é realmente um filme delicado sobre e para homens. O diretor coordena muito bem o vai-e-vem entre o humor escrachado e a sensibilidade na relação entre os personagens de Paul Rudd e Jason Segel, que está inspirado. O filme não apela para escatologias ou mau gosto, apesar de nunca deixar de mirar no universo masculino básico. A participação de Lou Ferrigno é a cereja do bolo.

O Grupo Baader-Meinhof 
Der Baader-Meinhof Komplex, Uli Edel, 2008
O maior pecado é como Edel quer que seu filme seja importante - e ele até que conseguiu, o longa foi finalista ao Oscar de filme estrangeiro. Mas a tarefa era bastante ingrata mesmo: dar conta de toda a história de um grupo revolucionário que, ao passar dos anos, virou um mini-exército terrorista. A natureza da história afasta o espectador. Os protagonistas vão sumindo aos poucos e a identificação vai com eles. Com tantos personagens, a trama, que já era arrastada, começa a ficar confusa e surgem mais dúvidas do que explicações, o que me faz crer que a montagem não cumpriu seu trabalho muito bem.

O Guerreiro Gengis Khan 

Mongol, Sergei Bodrov, 2007
Bodrov já havia feito o ótimo O Prisioneiro das Montanhas, mas não acertou a mão nesta tentativa de épico-histórico que narra o início da vida de Gengis Khan (o diretor pensou - ou ainda pensa - numa trilogia!). O filme, em sua maior parte, é anódino, mesmo em suas áreas mais forte (fotografia, que mais parece um cartão-postal da região; cenas de batalha, todas ok, nenhuma memorável; e embalagem sonora, apenas correta). Também foi finalista ao Oscar. Não era para tanto.
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