Quarta, Setembro 16
[festival do rio: primeiros comentários]



Além dos filmes divulgados ontem pela organização do evento, um e-mail da Sony Pictures prevê o oscarizável An Education, de Lone Scherfig, e a esperadíssima ficção-científica Distrito 9, entre os filmes selecionados para o Festival do Rio 2009. A California Filmes confirmou, também por e-mail, a exibição de, entre outros, Tokyo!, de Michel Gondry, Leon Carax e Bong-Joon-ho. É justamente deste coreano, diretor da obra-prima O Hospedeiro, um dos filmes que mais me interessam no Festival, Mother.
O longa estava na mostra Um Certo Olhar, do Festival de Cannes deste ano, que mandou vários de seus filmes em competição. O vencedor da Palma de Ouro, The White Ribbon, de Michael Haneke, lidera uma lista que inclui Bastardos Inglórios, com a presença do diretor Quentin Tarantino, e Abraços Partidos, de Pedro Almodóvar. Além deles, Cannes também exportou Les Herbes Folles, do mestre Alain Resnais, Brilho de Uma Paixão, de Jane Campion, e Aconteceu em Woodstock, de Ang Lee, previsto para a abertura do Festival.



A francesa polemicista Catherine Breillat traz seu novo Barba Azul, e outro polêmico, Michael Winterbottom, vem com A Doutrina de Choque, co-dirigido por Mat Whitecross. A Casa Nucingen, do grande Raoul Ruiz, que travou na péssima exibição digital na Mostra de SP, também está prometido, assim como os novos de Claire Denis (35 Doses de Rum), Agnès Varda (As Praias de Agnes), Emir Kusturica (Maradona), este no mínimo curioso. Depois de Foi Apenas um Sonho ficar pelo caminho em sua intenção, Sam Mendes traz seu trabalho mais recente, Distante Nós Vamos. A julgar pelo trailer, Coco Antes de Chanel, de Anne Fontaine, é medíocre.
Bem mais interessante deve ser (500) Dias com Ela, de Marc Webb, cotado para concorrer ao Oscar de roteiro. Está prometido também a incursão de John Woo no gênero artes-marciais-com-chineses-voadores, A Batalha dos Três Reinos (como são dois filmes no original e só se anuncia um, é bem capaz de que esta versão seja uma condensada que andou circulando por aí). O Desinformante!, de Steven Soderbergh, pior título nacional do ano, foi adiado para entrar na seleção, que ainda tem a coletânea Nova York, Eu Te Amo, com curtas de, entre outros, de Mira Nair, Fatih Akin, Allen Hughes, Shekhar Kapur, Natalie Portman e Brett Ratner. Ahn?



O novo filme do centenário Manoel de Oliveira é um dos mais esperados: Singularidades de uma Rapariga Loura. Outro que pode ser interessante é London River, de Rachid Bouchareb. A seleção do festival traz de volta o sueco Lukas Moodysson, de Bem Vindos, com seu novo Corações em Conflito, o francês Ricky, de François Ozon, cineasta que sempre guarda seu interesse, e Doce Perfume, novo título do polonês Andrzej Wajda. Davis Guggenheim, cujo Uma Verdade Inconveniente ganhou o Oscar de documentário há alguns anos, chega com It Might Get Loud, onde invade o rock'n'roll.
Julie & Julia, de Nora Ephron, que deve dar mais uma indicação ao Oscar para Meryl Streep, também está na lista do Panorama, junto com Che 2 - A Guerrilha, de Steven Soderbergh, que está previsto para estrear em São Paulo neste fim de semana, e Mais Tarde, Você Vai Entender..., de Amos Gitaï, já exibido no ano passado na Mostra de SP. A mostra Expectativa 2009 traz o grande vencedor do César, o Oscar francês, deste ano, Seraphine, de Martin Provost. Outros que me despertaram meu interesse foram o indonésio Porco Cego Quer Voar, de Edwin, o canadense Eu Matei a Minha Mãe, de Xavier Dolan, e o francês A Terceira Parte do Mundo, de Eric Forestier.



Minha amiga Dolores Orosco, do G1, adorou Chuva, da argentina Paula Hérnandez, que já tinha feito o bom Herencia. O curioso O Presente de Pachamama, de Toshifumi Matsushita, falado em quechua, co-produção Bolívia-Japão, passou na Mostra de SP em 2008. Na lista tem ainda a animação argentina Boogie, de Gustavo Cova.
Nas mostras Geração e Brasil do Outro, tudo é aposta. Já na Première Latina, algumas coisas interessantes: os argentinos A Próxima Estação, de Fernando E. Solanas, e O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella, diretor de O Filho da Noiva. O peruano Deuses, de Josue Mendez, e o chileno A Criada, de Sebastian Silva, me chamaram a atenção. Devo passar bem longe de As Viagens do Vento, de Ciro Guerra, por causa do medonho último filme dele, A Sombra do Andarilho.
A mostra dedicada à atriz Isabelle Huppert é decepcionante. Seus dois filmes novos (e inéditos em circuito) passam esta semana no Cinesesc, mas ficaram de fora do Rio. Na seleção Imagens da Turquia, dois outros filmes da Mostra de SP, o elogiado A Caixa de Pandora, de Yesim Ustaoglu, e Leite, de Semih Kaplano lu. O francês A China Continua Distante, de Malek Bensmail, parece o mais interessante da mostra Dox. Nada das mostras Fronteiras e Meio-Ambiente conseguiu me animar.



Na mostra Mundo Gay, o destaque é o documentário que ganhou o Oscar em 1984 Os Tempos de Harvey Milk, de Rob Epstein, que conta a trajetória do personagem real que fez Sean Penn ganhar seu segundo Oscar. Outros que parecem interessantes: o chinês de Hong Kong O Fim do Amor, de Simon Chung, o inglês An Englishman in New York, de Richard Laxton, o português Morrer como um Homem, , de João Pedro Rodrigues, e o filipino Boy, de Auraeus Solito.A seleção desta mostra traz dois brasileiros: Homens, de Lucia Caus e Bertrand Lira, que pode ser o mesmo curta documentário que foi exibido no Festival de Curtas neste ano, em São Paulo, ou, quem sabe, uma versão estendida dele. O filme acompanha vários homens gays no interior do Nordeste. Alguns personagens são muito bons, mas os diretores não sabem muito bem o que fazer com eles. O outro é Depois de Tudo, de Rafael Saar.
Na lista dos Midnight Movies, o porquê de Sede de Sangue, que Park Chan-wook dirigiu sobre um padre vampiro, ter tido sua estreia adiada em circuito. Estava marcado para a próxima sexta. Martin Scorsese também está na seleção, com o documentário American Boy: o Retrato de Steven Prince, assim como o japonês esquisito O Clone Volta para Casa, de Kanji Nakajima, também exibido na Mostra de SP de 2008, e o fraco e (quase) divertido Matadores de Vampiras Lésbicas, sensação do SP Terror, dirigido por Phil Claydon. Esta seção traz ainda Vogue - a Edição de Setembro, de R.J. Cutler, que agitou o mundo da moda neste ano; Tyson, de James Toback; A Gruta, que me ganhou pelo nome, de Filipe Gontijo; When You're Strange, de Tom DiCillo; e o coreano The Chaser, de Hong-jin Na. A Coréia do Sul sempre tem coisa interessante.
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Comentários
Certamente, Paulinha. Vamos ver pelo menos uns dois filmes juntos.
The Chaser eu já vi e vale a pena ser conferido. Que atraso, hein, para variar.
Senti falta aí do Un Prophète, do Jacques Audiard.
Fará uma cobertura sobre o festival?
Uma pena eu ter vindo pro Rio para a Bienal do Livro (que está ótima!)...vou perder o Festival de Cinema.
Acompanharei por aqui as notícias!
Em tempo: O Desinformante...hahaha!
Abraço.
Ibertson, planejo fazer posts diários do festival.
Alexandre, vc que inspirou esse post.
Ainda bem que A Hole in My Heart não parou o Lukas Moodysson. Certamente, um dos cineastas mais interessantes surgidos na década de 90.
Valeu, Henrique. Eu espero que ele faça metade do que fez em "Bem Vindos". Já vai valer.
O Henrique cantou a pedra ai em cima: Lukas Moodyson é um cara bem interessante também.
abs
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