Segunda, Julho 27
[inimigos públicos]



Depois de dois trabalhos consecutivos assinados pelo diretor de fotografia Dion Beebe, em Inimigos Públicos Michael Mann retoma a parceria com Dante Spinotti. A troca parece ter sentido. A câmera de Beebe, que compõe seus quadros a partir de suas distorsões e de seus planos etéreos, funcionou muito bem para filmes que permitem maior experimentação, como Colateral ou Miami Vice. Já Spinotti, um fotógrafo mais clássico, provavelmente pareceu mais adequado para traduzir um universo real, de personagens reais, num filme de época como este.
A mudança deu tom mais comportado para Inimigos Públicos. Desde as primeiras cenas, Mann se revela bastante preocupado em respeitar a história, os personagens e, mais ainda, o universo em que se passa seu filme. No entanto, mesmo mais contido, ele ainda é um dos maiores estetas do cinema contemporâneo, capaz de imaginar cenas belíssimas, como a conversa entre Dillinger e o policial atrás das grades ou a última imagem da sequência em que a personagem de Marion Cotillard é espancada, com o policial isolado.
Essa contenção se reflete na condução das interpretações. Johnny Depp, mesmo com um personagem que permitiria seu habitual overacting, está surpreendentemente sóbrio. Arrisco dizer que é uma de suas melhores performances. Tão discreta que Christian Bale - quase sem expressão, o que no caso dele é ótimo - nem chega a incomodar. Quem ilumina cada momento em que aparece é Marion Cotillard, uma atriz rara, que sabe emprestar a intensidade necessária à cada cena mesmo que isso possa parecer naturalista demais.
Por sinal, um diferencial do filme de Mann é como ele coloca a relação entre Dillinger e a namorada na espinha dorsal do longa, quase tão importante quanto a história policial. O Dillinger de Depp é um romântico convicto, um homem apaixonado, e isso transforma radicamente o perfil do personagem e dá um equilíbrio estranho e completamente particular ao filme. Inimigos Públicos pode não ser tão bom quanto Fogo Contra Fogo, nem tão plástico quanto Colateral ou Miami Vice, mesmo assim é um filme único.
Inimigos Públicos 



Public Enemies, Michael Mann, 2009
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Comentários
Agora, a maior surpresa foi descobrir que MIAMI VICE é considerado BOM por você: eu não vi por puro preconceito, darei uma chance a ele.
valeu!
abs,
Luiz.
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Luiz, eu gosto bastante de "Miami Vice", mas vá esperando o inverso do que vc esperaria de um filme do "Miami Vice".
Junior, entra, sim. E só perde para a Marisa Tomei.
Ailton, a montagem ta,bém me incomoda. E a fotografia mais escura, eu acho que tem a ver com querer dar o clima mais dark do mundo dos gângsters. Qunato à emoção, eu acho que tem bastante, sobretudo quando a srta. Cotillard entra em cena.
Isso certamente também. Eu, para ser bem sincero, acho que os filmes do Mann, para serem exibidos com qualidade, tinham que ter as cópias transformadas em película.
Pra mim Miami Vice é a ovelha negra da filmografia do Mann. Espero que Enemies siga a direção oposta.
De elenco, estão todos muito bem, Cotillard novamente brilha, Deep está sóbrio, como disseste - é um ator realmente habilidoso. Mas também gostei muito de bale, achei-o bem acima da média, reparem nas sutilezas, o ator defendeu muito bem seu personagem, que até por isso merecia um tratamento melhor do roteiro - especialmente no final.
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