Sexta, Julho 24
[anima mundi 2009]
O Anima Mundi 2009 termina neste domingo, em São Paulo, mas as sessões competitivas foram exibidas até ontem, sábado. Minha prioridade, mais uma vez, foram os curtas. Consegui ver as 18 sessões competitivas. De uma maneira geral, a seleção deste ano foi bem boa. A maior parte dos filmes teve nota azul. E os destaques não foram poucos, incluindo algumas, perdão pelo trocadilho, pequenas obras-primas. Eis aqui um top ten para o Anima Mundi 2009:

(Brasil), de Marão

(França), de Bruno Collet

(Brasil), de Jansen Raveira

(Reino Unido), de Smith & Foulkes

(Reino Unido), de Nick Park

(França), de Jeremy Clapin

(França), de Fabrice O. Joubert

(França), Marc Crastre

(EUA), de Don Hertzfeldt

(França), de Cédric Villain
O primeiro filme que me impressionou foi o o francês Skhizein, de Jeremy Clapin, que mistura animação feita em computador com manipulação de objetos num dos melhores trabalhos gráficos do festival. O roteiro sombrio sobre um homem atingido por um meteoro também ganhou pontos. O brasileiro O Anão que Virou Gigante - baseado numa história real, como explicou o diretor Marão - soube falar sobre preconceito com humor e um traço simples. Já o britânico This Way Up, de Smith & Foulkes, narra a divertidíssima saga de dois homens para levar o caixão com o corpo de uma velhinha para o cemitério.
O mundo das misses ganhou um curta definitivo (e hilário): Como Comer um Elefante, do brasileiro Jansen Raveira, sobre uma candidata tentando fazer uma leitura relâmpago de O Pequeno Príncipe. O ótimo Meu Chinês, do francês Cédric Villain, desmonta com muito humor todos os clichês sobre a maior população da Terra. A volta de Wallace e Gromit em A Matter of Loaf and Death, do mesmo Nick Park, ganhou uma trama de suspense deliciosa.
O francês French Roast, de Fabrice O. Joubert, é um acerto completo: uma história simples - homem descobre que não tem dinheiro para pagar a conta - resolvida com inteligência e um visual clássico, todo criado em computador. O turco Malfunction, de Ayce Kartal, além do roteiro de ficção-científica, tem um visual tão bonito que é impossível não citá-lo. Já o norte-americano The Royal Nightmare, de Alex Budovsky, tem uma embalagem simples, que emula os jogos de sombra, mas é dono de um dos roteiros mais deliciosos do festival.
Outro norte-americano, I Am So Proud of You, de Don Hertzfeldt, foi um dos trabalhos mais hábeis em juntar a (aparente) simplicidade de seu visual com um texto nostálgico que costura memórias e experiências (e tem a maior cara de concorrente ao Oscar). O inglês Varmints, Marc Crastre, é outro exemplo de ficção-científica nos mais belos trabalhos do Anima Mundi. O lirismo e a aspereza do filme remte a Wall-E. Para terminar, Le Petit Dragon, do francês Bruno Collet, faz uma deliciosa homenagem-brincadeira ao mestre das artes marciais, Bruce Lee.



filmes vistos





French Roast (França), de Fabrice O.Joubert
I Am So Proud of You (EUA), de Don Hertzfeldt
Meu Chinês (França), de Cédric Villain
This Way Up (Reino Unido), de Smith & Foulkes
Varmints (França), Marc Crastre
Wallace & Gromit: A Matter of Loaf and Death (Reino Unido), de Nick Park




O Acidente (Portugal), de André Marques
Alma (Espanha/EUA), de Rodrigo Blaas
O Anão que Virou Gigante (Brasil), de Marão
Como Comer um Elefante (Brasil), de Jansen Raveira
Dog with Eletric Collar (Austrália), de Steve Baker
Les Escargots de Joseph (França), de Sophie Roze
For Sock's Sake (França/EUA), de Carlos Vogele
Golden Age (EUA), de Aaron Augenblick
Granny O Grimms - Slleping Beauty (Irlanda), de Nicky Phelan
The Heart of Amos Klein (França/Israel/Holanda), de Michal & Uri Kranot
Kudan (Japão), de Taku Kimura
Log Jam - The Log (Hungria), de Alexei Alexeev
Malfunction (Turquia), de Ayce Kartal
Il Naturalista (Itália), de vários
O Pequeno Dragão (França), de Bruno Collet
Presto (EUA), de Doug Sweetland
The Phantom of the Cinema (Holanda), de Erik Van Schaaik
The Royal Nightmare (EUA), de Alex Budovsky
Skhizein (França), de Jeremy Clapin
Variéte (Holanda), de Roelfof Van Der Berg
The Werepig (Espanha), de Sam






(Libro) (Argentina), de Pablo Delfini
4 (França), de Edouard Salier
Abracadabra (Brasil), de Fernando Brandão de Braga
Arc (Hungria), de Ferenc Cakó
Aprés la Pluie (França), de vários
Arrosez les Bien! (França), de Christelle Soutif
Backwards (EUA), de Aaron Hughes
A Bicycle Trip (Itália), de vários
La Bete (França), de Justine Bonnard
The Black Dog's Progress (Reino Unido), de Stephen Irwin
Burning Stage (Coréia do Sul), de Sunwoo Yang
Camilla (Rússia), de Yulia Aronova
Companheiro Pop Up (Brasil), de vários
A Cozinha Maravilhosa (Brasil), de Juliano Reina
Cikorja an' Kafe (Eslovênia), de Dusan Kastelic
Le Couvre Chef (França), de Marie Delmas
Cyber (Alemanha), de Stefan Eling
Damaged Goods (Reino Unido), de Barnaby Barford
Dar Khane Ye-Ma (Irã), de Maryam Kashkoolinia
Dix (França/Reino Unido), de BIF
O Divino, De Repente (Brasil), de Fábio Yamaji
E.T.A. (Dinamarca), de Henrik Bjerregaard
Gary (França), de vários
Germania Wurst (Alemanha), de Volker Schlecht
Glow (Reino Unido), de Jo Lawrence
Greed (Suécia), de Alli Sadegiani
Hardcover & Paperback (Israel), de Uri Alonim & Moshe Servatka
The Hidden Life of the Burrowing Owl (EUA), de Mike Roush
Horn Dog (EUA), de Bill Plympton
How To Destroy The World 'Games' (Reino Unido), de Pete Bishop
How To Destroy The World 'Rubbish' (Reino Unido), de Pete Bishop
Ilo Irti (Finlândia), de Ami Lindholm
Jam (Japão), de Mirai Mizue
Jaulas (México), de Juan José Medina
Josué e o Pé de Macaxeira (Brasil), de Diogo Viegas
Kak Pomirilis' Solntse i Luna (Rússia), de Sergey Olifirenko
Krokodill (Estônia), de Kaspar Jancis
Laska (Polônia), de Michal Socha
Leitmotif (Dinamarca), de vários
Lehila Yesh Ketem al Hasimla (Israel), de Eran Flax
Lili (Estônia), de Riho Unt
Log Jam - The Snake (Hungria), de Alexei Alexeev
Lögner (Suécia), de Jonas Odell
Um Lugar Comum (Brasil), de Jonas Brandão
Manfred (Suíça), de Daniel Zwimpfer
Mankind, The Earth and the Universe (Itália), de Luca Frattini
Muragens - Crônicas de um Muro (Brasil), de Andrei Miralha Padilha Duarte
Muto (Itália), de Blu
No Corras Tanto (Espanha), de César Diaz Meléndez
No Place Like Home (Holanda), de Rosto
Notebook (Holanda), de Evelien Lohbeck
La Nostalgia del Sr. Alambre (México), de Jonathan Ostos Yaber
Ona Koja Mjeri (Croácia), de Veljko Popovic
Onde Wonderful Nature (Alemanha), de Tomer Eshed
Les Pieds sur Terre (França), de Franz Kirchner
Pig Me (Dinamarca), de vários
Portraits Ratés à Sainte Hélène (França), de Cédric Villain
Poshteboum (Irã), de Rouhollah Saadatmand
Project: Alpha (Dinamarca), de vários
Rabbit Punch (Reino Unido), de Kristian Andrews
Return (Alemanha/Polônia), de Anna Blaszcyk
The Rooster, The Crocodile and the Night Sky (Irlanda), de Padraig Fagan
Seconde Classe (França), de Boris Belghiti
De Si Prés (Bélgica/França), de Rémi Durin
Sparni un Airi (Letônia), de Vladimir Leschiov
Sperrholzpiraten (Alemanha), de Stefan Schomerus
Stopmo (França), de vários
The Surprise Demise of Francis Coopers Mother (Reino Unido), de Felix Massie
Le Thé de L'Oubli (França), de Sandra Desmazières
Traverser (França), de Hugo Frassetto
Unbelievable 4 (EUA), de Sukwon Shin
Urs (Alemanha), de Moritz Mayerhofer
Wanted (Canadá), de Line Severinsen





Anima (França), de vários
The Cat Piano (Austrália), de Eddie White & Ari Gibson
Checkoo (Suécia), de Erik Rosenlund
Chytte Ho! (Eslováquia), de Boris Sima
Cornelis (Japão), de Ayaka Nakata
La Dernière Feuille (França), de Edouard Labrosse
Draw Poker (Dinamarca), de vários
Engel zu Fuss (Alemanha), de Jakob Schuh & Saschka Unseld
Good Man (Coréia do Sul), de Kim Dong-Hee
How to Destry the World 'Transport' (Hungria), de Pete Bishop
Kaasasündinud Koshustused (Estônia), de Rao Heidmets
Jazzed (Bélgica/Holanda), de Anton Setola
I Live in the Woods (EUA), de Max Winston
L.E.R. (Brasil), de João Angelini
Log Jam - The Rain (Hungria), de Alexei Alexeev
Machu Picchu Post (França), de vários
Morana (Croácia/França), de Simon Bogojevic Narath
Thé Noir (França), de Serge Elissalde
O'Moro (França), de Christophe Calissoni e Eva Offrédo
Um Outro (Brasil), de Chico Liberato
Pirogues (França/Irlanda), de Alice Bohl
A Princesa e o Violinista (Brasil), de Guto Bozzetti
Sapmi (Alemanha), de Signe Baumane
Spontaneous Generation (EUA), de Andy Cahill
Sur le Fil (França), de Benjamin Dupouy
The Stressful Adventures of Boxhead and Roundhead - Brothers in Arms (EUA), de Elliot Cowan
You Are My Hero (Alemanha), de Tobias Bilgeri

Bonus Level (França), de Florian Piento
Dhalia (EUA), de Michael Langan
Facteur Mineur (França), de vários
Line Dance (EUA), de David Ehrlich
La Peste (França), de vários
Postalolio (Canadá), de Marv Newland
The Seed (Reino Unido), de Johnny Kelly
Yankee Gal (França), de vários

Birth (EUA), de Signe Baumane
Cômodo (Brasil), de Rogério Vilela


Entre os longas, assisti a apenas dois filmes. O primeiro foi a co-produção ucraniana-inglesa O Bom Soldado Shweik, de Robert Crombie, baseado num romance tcheco sobre um homem comum convocado para a guerra, já adaptado outras vezes para o cinema. As limitações de uma animação bem tradicional ganham o contrapeso do humor inteligente do personagem principal, algo entre o idiota e o sarcástico.
O segundo foi o norte-americano Immigrants - L.A. Dolce Vita, outro exemplo de como fazer comédia ácida, crítica e irônica sem apelar para o vulgar comum. O filme mostra de forma bem humorada as agruras diárias de imigrantes ilegais em Los Angeles. A direção é de Gabor Csupo, o mesmo do lindão Ponte para Terabítia e de vários trabalhos com os Rugrats, de onde importou o visual dos personagens.
E como um pouco de história não faz mal a ninguém, meus top tens das duas últimas edições do Anima Mundi. Curiosamente, os dois primeiros colocados concorreram juntos ao Oscar deste ano. O japonês ganhou:
top ten 2008
1 La Maison en Petits Cubs (Japão), de Kunio Kato
2 Tôt ou Tard (Suíça), de Jadwiga Kowalska
3 Post! (Alemanha), de Matthias Bruhn e Christian Asmussen
4 De Zwemles (Bélgica), de Danny De Vent
5 24 Frames (EUA), de Brad Pattullo
6 Wanted (Coréia do Sul), de Woonki Kim
7 Ms. G. (República Tcheca), de Michal Zabka
8 Sainte Barbe (Canadá/Suíça), de Cédric Louis e Claude Barras
9 John & Karen (Grã-Bretanha), de Matthew Walker
10 KJFG No. 5 (Hungria), de Alexei Alexeev
top ten 2007
1 Lavatory-Lovestory, de Konstantin Bronzit
2 The Danish Poet, de Torill Krove
3 Lapsus, de Juan Pablo Zaramella
4 Wanted, de Damien Bapst, Dan Créteur e Somin Cuisnier
5 Vida Maria, de Marcio Ramos
6 The Cleaner, de Dustin Rees
7 Moya Lyubov, de Aleksandr Petrov
8 Recto Verso, de Gabriel Jacquel
9 Liebeskrank, de Ute Dilger
10 Caution, The Doors Are Opening!, de Anastasia Zhuravleva
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Comentários
Quadrinhos num blog que fala de psicologia? Pois é. Conversava hoje com o Chico Fireman sobre a tal da arte seqüencial e sobre cinema, e sobre a maravilha que é a graphic novel X-Men: Deus Ama, O Homem Mata....
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