Segunda, Junho 15
[apenas o fim]



Apenas o Fim é um filme de fácil comunicação. Um exercício de simpatia. Isso explica o enorme sucesso do longuinha (80 minutos) nos festivais e o boca-a-boca que o filme gerou com sua estreia em circuito. Um verdadeiro hit indie. O roteiro apresenta um casal no momento em que a garota decide terminar a relação e sumir no mundo. Flashbacks e encontros com amigos durante a conversa de despedida ajudam a formatar o contexto. O diretor estreante, Matheus Souza, provavelmente não tinha grandes ambições quando reuniu um punhado de amigos para fazer o filme. E esse foi seu principal acerto.
Desde o começo, Apenas o Fim não nega sua natureza pós-adolescente. Foi filmado quase artesanalmente, com uma câmera digital, aproveita o campus de uma universidade como cenário e vomita a maior sequência de referências pop dos últimos anos, da Vovó Mafalda até os Super Mario Bros. É impossível ter sido um adolescente nos anos 90 e não ter qualquer porcentagem de identificação com o filme, cujo tom improvisado, efêmero e universitário ajuda a cativar o público.
A empatia do casal principal completa a fórmula: Érica Mader é linda e parece aquela menina adorável que todo cara quer encontrar e Gregório Duvivier, a melhor tradução do nerd simpático, é uma metralhadora de frases engraçadas e citações de todos os tipos. Em poucos minutos, o espectador já torce por eles. Mas se a despretensão é o maior acerto do filme, é também seu maior pecado. Érica tem momentos bem superficiais e Gregório parece ser ele mesmo na maior parte do tempo. A própria premissa, de que a garota vai embora, é desacreditada pelo roteiro, que trata a situação como um jogo, uma brincadeira. Isso faz com que a história nunca seja levada a sério. Parece novelinha da MTV.
Por outro lado, maior aposta dos realizadores, os diálogos e as referências não funcionam o tempo todo. Muitas piadas parecem velhas, sem graça ou cansativas e parecem só estar lá para garantir o riso e preencher espaço. A sequência em que o casal encontra os colegas filmando é totalmente desnecessária, mas tem pretensões auto-referenciais (os personagens procuram um diretor chamado "Matheus") e lúdicas (Gregório passa por uma sucessão de personagens com motivações circenses ou algo assim). Nada disso funciona, mas curiosamente este parece ser o momento em que o filme procura amarrar as pontas e partir para o final. Apesar de ser todo simpático, engraçado e bonitinho, a falta de substância incomoda em Apenas o Fim. Por enquanto, ele não passa muito do rascunho. Um rascunho agradável.
Apenas o Fim 

Apenas o Fim, Matheus de Souza, 2008
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Comentários
"Gregório Duvivier, a melhor tradução do nerd simpático, é uma metralhadora de frases engraçadas e citações de todos os tipos".
porque ele é isso, mas é muito mais : é fofo, inteligente, sensível, estilinho e bem gatito (óculos e camisa de vóv's, minha cara).
eu casava com ele.
rsrs
beijo.
Os filmes brasileiros insistem em retratar apenas as mazelas da sociedade, esquecendo de focar a cultura, as piadas inteligentes e divertidas que convivem com o dia a dia do brasileiro... Por isso um filme nacional assim é bem-vindo. Tenho certeza que muita gente se identificou, assistiu e da mesma maneira qe eu, recomendam.
Felipe, eu gosto do filme, achei bem gostoso de assistir, mas não concordo com as pessoas que vêem nele o futuro do cinema brasileiro. Acho ele bonitinho e simpático, bem feitinho e agradável.
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péssimo 







