Segunda, Junho 8
[grey gardens]



Este documentário é um fruto do acaso. Os irmãos Maysles pretendiam rodar um filme sobre a irmã de Jacqueline Kennedy Onassis, quando conheceram a história da tia e da prima da ex-primeira dama. As duas, que já foram frequentadoras da alta sociedade nova-iorquina, moravam à época numa mansão caindo aos pedaços. Mãe e filha estavam falidas, isoladas e viviam de seu passado. Ou das cinzas dele. Esta história ganhou a catapulta de um escândalo: sem limpeza, o lugar começou a feder e incomodar os vizinhos. A prefeitura deu um ultimato para as duas: ou limpam ou saem. A imprensa fez festa e Jackie Kennedy ajudou a dar um tapa no lugar. É aí que entram os Maysles. Quando descobriram a história, desistiram do projeto anterior e embarcaram neste saborosíssimo mundo.
Os irmãos conquistaram a confiança de Big Edie e Little Edie e passaram dias e dias filmando o cotidiano das duas. À mesma medida em que mostravam a decadência da família, acompanharam a degradação psíquica de mãe e filha. O documentário adota uma política pouco intervencionista em relação a seu objeto. A equipe tenta interferir ao máximo no dia-a-dia das duas e as informações sobre sua história, a não ser por uma breve sequência de recortes de jornais, saem das bocas perturbadas das retratadas. A opção tem duas consequências imediatas: por um lado, as entrevistadas ficam mais livres e tecem sua própria narrativa sobre os 50 anos em que viveram naquela casa e os desdobramentos de suas vidas. Por outro, falta informação.
Sem intermediadores - os Maysles falam com elas pouquíssimas vezes -, as Bouvier Beale costuram sua própria história por conta das memórias perturbadas. Contam o que querem contar e percebem claramente quando estão agradando, então, seu mundo paralelo entra em cena deixando completamente incertas as versões dos fatos. A ideia dos cineastas provavelmente era a de deixar este mundo vir à tona. Uma mãe e uma filha loucas, presas numa dimensão à parte, são certamente bem mais interessantes do que duas ricaças decadentes, mas a desordem causada pela falta de elementos mais palpáveis para basear a história incomoda. No final, o trabalho dos Maysles não tem nada de muito especial. Sua importância foi apenas a de nos revelar as personagens e deixar elas falarem por si.
P.S.: o filme ganhou uma versão ficcionalizada patrocinada pela HBO - e em cartaz no canal a cabo - com Jessica Lange e Drew Barrymore... logo agora que eu diminuí meu pacote da NET!
Grey Gardens 


Grey Gardens, Albert Maysles, David Maysles, Ellen Hovde, Muffie Meyer, 1975
Posts similares:
história de família
Stella, a astronauta (e escritora, e roqueira...)
Quero ser "apenas" uma mãe
Comentários
Mas nunca vi para alugar. Só passa na tv a cabo?
Fred, o que passa na TV a cabo é a versão ficcional. O documentário, acho que só baixando.
Ibertson, também fiquei doido pra ver o que as duas fizeram com as personagens. O visual delas é impressionante.
Excelente o seu blog. Visite o meu: eanavevai.blogspot.com
Abraços, Patrícia
Para locação na HM Vídeo
Praça Vilaboim, 20
São Paulo - tel. 3667-8192
Deixe aqui seu comentário:


péssimo 







