Sábado, Maio 23
[a garota ideal]



A Garota Ideal é um daqueles filmes cujas chances de cair em armadilhas de roteiro são tão grandes quanto a expectativa pelo resultado final. A fórmula é perfeita para os detratores do cinema independente norte-americano, que hoje mais reproduz clichês de estranheza do que realmente inova ou incita. O filme é de um diretor estreante (Craig Gillespie), tem um protagonista que virou o queridinho dos indies depois que concorreu ao Oscar (Ryan Gosling), tem a coadjuvante de luxo de sete em cada dez filmes independentes (Patricia Clarkson) e uma história ao mesmo tempo simples e "ousada": rapaz tímido aparece com uma namorada nova, uma boneca. Mas o filme toma caminhos que surpreendem.
Primeiro: mesmo com um tema arriscado, não trata o espectador de maneira simplista, fugindo da decisão fácil de partir para a comédia idiota, que anda na moda, e evitando ao mesmo tempo outro lugar comum do cinema indie, um certo namoro com o grotesco, tentando vender o filme pelo esquisito, como faz boa parte da produção independente. Gillespie conduz A Garota Ideal de maneira diferente. Ele transforma a história nonsense num pequeno melodrama sobre um homem solitário e sabe trabalhar esse gênero com uma delicadeza raramente vista. Sem nunca ser pesado ou ter pretensões de profundidade, o filme de Gillespie ao mesmo tempo dá credibilidade e camadas a sua história estranha, como nos deixa encantados por seu porotagonista. Ryan Gosling é tão sutil em sua interpretação que é difícil pensar num ator novo tão bom quanto ele nos dias de hoje.
A Garota Ideal 


Lars and the Real Girl, Craig Gillespie, 2007
Posts similares:
half nelson
Bebop no Jazz nos Fundos
O Lanterna Verde escolhido?
Comentários
E Ryan Gosling é muito bom.
Mas quanto ao cinema independente norte-americano, já acho que são esses personagens "esquisitos" que dã a graça a esses filmes, que transpiram uma atmosfera comum à realidade. É só reparar nas ruas a quantidade de tipos esquisitos que andam por aí.
Pelo menos fogem à beleza e vida redondinha da maioria dos personagens de filmes maiores, a tal exigência de "realização pelas telas", que nem sempre é necessária.
Deixe aqui seu comentário:


péssimo 







