Segunda, Abril 27
[x-men origens: wolverine]



A sensação que X-Men Origens: Wolverine me deixou foi parecida com a que o primeiro filme baseado nos meus personagens favoritos das HQs me passou: funciona, é correto, mas não passa muito disso. A notícia, na verdade, é boa já que assistir ao terceiro longa dos mutantes foi uma experiência extremamente decepcionante. Mas o resultado deste novo filme, apesar de dar novo fôlego à série, não chega nem aos pés de X-Men 2, único longa que consegue reproduzir a essência dos personagens num trabalho sensibilíssimo de direção e roteiro. Wolverine fica no basicão: defende sem concessões a forma de filme de ação e funciona quando não se exige muito.
Os fãs de HQ, no entanto, tem dezenas de motivos para não gostar do filme: ele utiliza a mesma tática de rearrumar a introdução de personagens, fatos e biografias para montar novas cronologias, deslocando-os impiedosamente de tempo, de espaço e, principalmente, de função. Numa história tão fragmentada e confusa como a do Wolverine, que nas HQs foi construída ao longo de décadas, imagina o caos que isso provoca. Exemplos: Ciclope e Gambit são alguns dos mutantes capturados por William Stryker para os projetos secretos, o que nunca aconteceu nos quadrinhos. Mas nem foi isso o que me incomodou mais.
É bem mais chato, por exemplo, como o material original é diluído e, em alguns casos, mal aproveitado. A minissérie Origem, uma obra-prima que conta os primeiros anos do personagem, foi resumida aos 5 minutos antes da abertura. O impacto da história e da surpresa reservada para o final foi completamente esvaziado. O arco Arma X sofre dezenas de alterações, mas pelo menos mantém boa parte de seus efeitos. Outra modificação importante é a de como Logan perde suas memórias, numa invenção meio forçada, mas que não chega a ser um furo de roteiro como quando o personagem, cujo faro é imbatível, confunde uma pessoa desacordada com uma pessoa morta. Faltou estudar um pouquinho o protagonista.
Bom elenco, personagens mudados
De uma maneira geral, houve muito acerto na escolha do elenco: Hugh Jackman poderia estar mais selvagem, mas adota o tom do filme e dá conta direitinho do personagem como das outras vezes. Os dois personagens que ganharam novos intérpretes, William Stryker e Dente-de-Sabre, são os mais beneficiados. Danny Huston substitui o ótimo Brian Cox à altura, dando ainda mais credibilidade ao coronel, um vilão fundamental à história dos X-Men. Já Liev Schreiber está impressionante. Domina seu personagem majoritariamente muscular e o enche de nuances. É possível crer e temer Dente-de-Sabre pela primeira vez. E o Gambit de Taylor Kitsch, em quem eu não apostava muito, é bem legal.
Boa parte dos personagens sofre alterações físicas. Algumas bem-vindas. Outras sem muita explicação. O Agente Zero (ou Maverick), um alemão nos quadrinhos, ganha os traços de um oriental. OK, não chega a ser um efeito colateral, mas por quê? Raposa Prateada, originalmente uma índigena canadense, vira um morena com cachos, irmã de Emma Frost, loira e rica. Deadpool, um dos personagens mais modificados funciona muito bem visualmente, mas perde a verve de humor (ele era o mercenário falastrão) por causa de uma estranha opção de transformação física. Ryan Reynolds não faz feio. O personagem mais fiel ao visual das HQs é o Blob, bem resolvido, embora pareça uma versão loira do Eddie Murphy em O Professor Aloprado.
Algumas cenas criadas apenas para amarrar o roteiro terminam funcionando muito bem, como a do encontro de Logan com o casal de velhinhos, mas, em sua maior parte, a história é eclipsada em prol da ação. Alguns destes momentos são eficientes, outras viram porrada por porrada. A escolha de Gavin Hood para dirigir o filme pareceu estranha, mas no fim das contas ele funcionou como um operário eficaz. A frase não parece animadora e nem é pra ser mesmo porque Wolverine é redondinho, mas não é nada demais. O maior mérito do filme é que ele tem um potencial bem bom para fazer bilheteria, embora meio mundo tenha visto a cópia incompleta dele na internet. E isso já deve garantir aos X-Men, juntos ou separados, uma boa sobrevida no cinema.
X-Men Origens: Wolverine 


X-Men Origins: Wolverine, Gavin Hood, 2009
P.S.: não sei qual foi a ideia da decisão, mas a Tempestade criança, que aparecia no trailer (a 1 minuto e 53 segundos), desapareceu na versão final do filme. Limaram a Ororinho, gente, uma pena!
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Comentários
Claro que não se trata de dizer que tudo deveria ser igual, mas sim que a adaptação deveria ser boa. E ser uma boa adaptação requer que traços fundamentais da história não se pervertam, o contrário do que a meu ver se vem fazendo nos filmes...
O problema do 'Origins' é que o terceiro filme não deixa margem para continuação. Eles tiveram que inventar uma história paralela que foge à história criada anteriormente. Isso realmenete deixa os fãs desapontados.
Olha, Andrizy, que iriam mudar bastante coisa, isso já era esperado. O problema é mudar coisas fundamentais. Tipo, a mulher era uma índia, agora é uma branca de olhos claros.
Pois é, Catatau, se desvirtuam demais, as coisas perdem o sentido.
No primeiro filme, me irritou muito terem transferido a relação paternal entre o Wolverine e a Kitty Pryde pra Vampira. Gosto da personagem, mas não precisavam fazer isso.
Mas não tinha mesmo necessidade de colocá-la só por colocar.
Gostei da crítica e do blog. Engraçado que o foco muda: enquanto você deu ênfase a detalhes da adaptação da história (que não conheço nos HQs), eu já fiquei reparando em quesitos mais técnicos, como os efeitos, atuação, direção e trilha. Trilha, por acaso, que dá todo o chão pro filme, já que em diversos momentos o filme perde ritmo e é ela que o sustenta.
Abç, Chico! Te linkei e voltarei mais vezes!
Acho que se pusessem um filme fiel aos quadrinhos ficaria caricato demais, acabaria como "O Motoqueiro Fantasma"(prefiro nem comentar) e "Demolidor"(só valeu a pena pra mim porque gosto do Ben Affleck) e ninguém gostaria, nem o público das HQs nem o de fora e seria um tremendo fracasso nas bilheterias.
Deve-se assistir X-men Origins como se fosse um filme normal, nem com olhar de fã nem com olhar de crítico, simplesmente veja como um telespectador normal.
Tirando a modificação de descendência de Raposa Prateada/Keyla e o pouco aproveitamento do ótimo Ryan Reynolds como o também ótimo Deadpool/Wade Wilson o filmé vale a pena.
Atenção em Liev Schreiber como Victor Creed(passei a gostar do Dentes-de-Sabre depois da atuação dele, que faz com que o público adquira certa simpatia pelo personagem), o já mencionado Ryan Reynolds como Wade e Taylor Kitsch como Gambit(meu personagem preferido dos X-men a propósito), fiquei com medo de estragarem Gambit mas até que não o fizeram, graças a Deus, embora sua participação pudesse ter sido melhor.
Isso em outras palavras para mim significa: FILME RUIM!! Eu nunca li o livro O senhor dos Anéis, e mesmo assim achei o filme muito bom! Filmes que vc tem que assistir como se fosse uma criança novamente, não passam de filmes FRACOS DE HISTÓRIA COMO HA3.
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