Sexta, Abril 3
[valsa com bashir]

A ideia geral que se estabeleceu é de que Valsa com Bashir é um documentário. E, a partir disso, como é feito em forma de animação, um documentário inovador, inteligente, alternativo. O povo ficou burro ou o quê? Há alguma dúvida sobre o que é documentário? Desde quando ser baseado em fatos reais virou sinônimo de documentário? Bashir é, sem dúvida, um filme documental, mas não passa muito disso. Primeiro ponto.
Segundo: animações com temas sérios, adultos ou confessionais geralmente, já de partida, garantem o respeito por onde passam. Esse é o caso desse filme, através de qual o diretor Ari Folman faz um acerto de contas com seu tempo como soldado no Líbano. Há que se dizer que existem belas cenas, sim. No entanto, Folman, como outros diretores de animações sérias, adultas ou confessionais, peca por dois motivos principais. Em deles é contar em animação, sem explorar as possibilidades do suporte, uma história que poderia ser narrada de qualquer outra maneira, que não justifica a escolha do formato.
O segundo é escolher um modelo narrativo ordinário para contar sua história. A interpretação do sonho do soldado, mola mestra para o longa, ganha uma incômoda explicação di-dá-ti-ca no fim do filme. Folman parece querer deixar bem claro, em palavras, seu recado, como se sua animação não fosse capaz de explicar a que veio. Para completar a negação a seu suporte, o diretor se utiliza se imagens "reais" para encerrar o longa. É como se ele dissesse ao espectador: 'olha, você viu um desenho, mas eu estava falando sério'. Decepcionante.
Valsa com Bashir 

Vals Im Bashir, Ari Folman, 2008
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leonera
Comentários
Acabei de assistir o filme e não concordei com você...pelo menos não totalmente.
Achei que só seria possível assistir esse filme porquê ele foi feito assim. Como animação séria. Achei interessante o filme ter sido classificado como documentário, (parte de memórias da guerra) e me pareceu inusitado desenvolver um tema tão denso, real e sério como esse, na forma de animação. Me comoveu o esforço de elaboração do diretor, se é que isso é possível.Finalmente, eu não afirmaria com tanta certeza que conhecemos bem a diferença entre documentário e ficção, até porquê estamos num momento em que é preciso aprofundar essa reflexão e ir além! Um abraço,
Se o diretor viveu tudo aquilo me parece que podemos chamar de documentário, mesmo porque, nos créditos finais há o agradecimento aos entrevistados. E não creio que o fato de ter sido feito no formato de animação tenha tornado a obra menos louvável. Acho que o diretor necessitava fazer esse filme como se fosse uma confissão ou um desabafo e o fez na forma de animação para amenisar um pouco todo aquele desvarío.
Saí sem palavras,perplexa.
As atrocidades que o ser humano é capaz de fazer sempre me deixam assim.
Obrigada.
Decepcionante é essa sua visão.
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péssimo 







