Terça, Março 31
[hunger]



Hunger nos carrega por cerca de trinta minutos até finalmente apresentar seu protagonista. É como se o diretor Steve McQueen, um estreante com nome de veterano, nos dissesse que uma história não tem apenas um lado e que mesmo que estejamos condicionados a escolher por quem torcer, isso não faz quem está do lado oposto ser um vilão. Partindo desse pressuposto, Hunger se torna um filme de denúncia sem denuncismo. McQueen faz questão de, ao lado das práticas violentas dos militares ingleses com os membros IRA, mostrar como os mecanismos internos e a lógica de guerra do próprio grupo também contribuíram para o que o filme relata.
A fotografia é impressionante. Num longa com pouquíssimos diálogos, a imagem é usada como instrumento de linguagem, coisa rara, já que a verborragia dos "autores" que surgiram nos últimos anos ajudou a criar a ideia de que um blablablá cheio de referências vale mais do que uma câmera bem utilizada. A narrativa de Hunger é completamente baseada nos diálogos visuais entre o filme e o espectador. Mas McQueen acerta mais uma vez quando transforma o único momento em que dois personagens realmente conversam na cena mais importante do filme. Ali, o filme interrompe sua locomotiva visual para introduzir a palavra e, de certa forma, nos apresentar à interpretação de Michael Fassbender. É nesta cena, que antecede a sequência naturalmente mais impactante do filme, que o protagonista se afirma e que conhecemos um grande ator.
Hunger 



Hunger, Steve McQueen, 2008
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Comentários
Bisou.
Manda a Ancine facilitar a distribuição e baixar o preço do ingresso... hehe.
beijo
Espero que seja lançado comercialmente no Brasil.
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péssimo 







