Segunda, Março 23
[the spirit]



The Spirit é frustrante. E isso é a coisa mais simpática que se pode dizer sobre ele. Frank Miller que me perdoe, mas, numa época em que os filmes baseados em HQ ganham consistência, seu trabalho é um dos mais ocos. Pra começar, o longa é completamente escorado em seu visual e isso é um problema. Primeiro porque nas obras anteriores que utilizaram um pacote estético semelhante havia um bom motivo para se fazer isso: Sin City (Sin City, 2005) e 300 (300, 2007), ambos, por sinal, baseados em graphic novels de Miller, tentavam se aproximar dos grafismos das HQs que as inspiraram. The Spirit não.
A embalagem visual não tem nada a ver como as obras originais. É um sub-produto que pega carona no impacto que os outros filmes tiveram. E aí surgem mais dois problemas. O primeiro: não há mais novidade. O segundo: em boa parte de seus mais de 100 minutos, o visual do filme é de gosto bastante duvidoso. Miller parece não saber como controlar essa opção pelo fake e, talvez na intenção de se aproximar do humor de Will Eisner, entre o sarcástico e o inocente, conduz os atores em interpretações farsescas que quase nunca funcionam (quem se sai melhor é Eva Mendes, mas mesmo assim não há muito o que comemorar). A dupla formada por Samuel L. Jackson e Scarlett Johansson parece querer recriar o dueto Lex Luthor e Srta. Teschmacher do primeiro Superman. Mas a época é outra e o resultado, pífio, tem muito daquela tentativa de Jeremiah Chechik de recriar Os Vingadores (The Avengers, 1998). Tudo no lugar errado.
The Spirit 

The Spirit, Frank Miller, 2008
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Comentários
Já o Spirit, não dá para esquecer – é uma pisada de bola total.
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