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Sexta, Março 13

[entre os muros da escola]

Laurent Cantet

Laurent Cantet

Laurent Cantet

Um dos "gêneros" cinematográficos mais fechados é o dos filmes passados em salas de aula. As peças parecem ser rígidas: uma turma problemática, geralmente pobre e ora violenta, e um professor geralmente durão, mas de bom coração, disposto a concluir sua missão e ajudar a mudar o futuro daqueles garotos. Sidney Poitier, Edward James Olmos e até Michelle Pfeiffer já tiveram sua chance de fazer uma boa ação. Agora é a vez de François Bégaudeau. Professor de verdade, ele escreveu um livro sobre suas experiências na sala de aula. A obra inspirou o cineasta Laurent Cantet (do ótimo A Agenda) a fazer Entre os Muros da Escola, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes no ano passado.

Cantet já desenvolvia uma trama sobre o assunto quando resolveu integrá-la a uma adaptação livre do livro de Bégaudeau. Entenda-se como adaptar livremente fazer uma versão 2.0 do livro: reproduzir as mesmas questões numa sala de aula formada por alunos não atores (até então) e captar as reações. Ou seja, havia um roteiro, mas ele deixava um grande espaço para a improvisação. É justamente por se afastar dos modelos tradicionais de narrativa (seja no gênero ou fora dele) que o filme se torna tão interessante. À medida em que quem assiste percebe esse liberdade (mesmo que vigiada de longe), ver o filme se torna uma experiência muito mais próxima da realidade, onde o imprevisto dita as regras.

O cineasta foi extremamente feliz na seleção de elenco. Bégaudeau assumiu muito bem o papel do professor, mas são os adolescentes que impressionam: os intérpretes de Esmeralda, Khoumba, Boubacar e Souleymane têm, cada um, momentos-solo surpreendentes. O mais curioso é que Cantet não tem propriamente uma meta, como nos filmes norte-americanos em que um ano letivo salva vidas. Seu objetivo (ou o mais perto disso) talvez seja retratar da maneira mais realista possível o cotidiano dentro de uma sala de aula. E o tom documental e a câmera digital cumprem seus papéis tanto aproximando a trama do espectador quanto apresentando o filme como um dos mais sérios a invadir esse universo.

Entre os Muros da Escola EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Entre les Murs, Laurent Cantet, 2008

P.S.: também estreia hoje em circuito O Visitante, belo filme de Thomas McCarthy.

posted by Chico Fireman at 02:22:45 | 23 comentários



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Comentários




Pois é, Chico, também comentei sobre Entre les Murs lá no blog, e tenho uma opinião muito parecida com a sua. Acho que o que mais impressiona no filme, além de seu elenco, é a forma como Cantet foge dos típicos "filmes de escola", como vc bem disse. Para mim é, até agora, um dos filmes do ano.
14.03.09 @ 18:26


Um dos meus também, Wallace.
15.03.09 @ 01:07


Assisti a esse filme ontem. Sem dúvida, excelente.
Fiquei impressionada com a carga dramática dos personagens justamente pelo realismo, legitimidade das cenas, dos diálogos e expressões.
Muitas vezes, no filme, revivi e relembrei momentos em que eu mesma fui rebelde, debochada e questionadora em sala de aula, com meus mestres.
Uma legítima Esmeralda, como tantas outras...

20.03.09 @ 10:49


Maravilhoso, mostra que tendo um bom roteiro, uma boa estória, bons atores e diretores é fácil fazer um filme excelente, sem grandes produções. O filme se passa praticamente dentro de uma sala de aula. Prima pelos diálogos entre professores e, principalmente, um certo professor e sua turma. Fantástico confronto entre um professor que consegue, até certo ponto, manter uma liberdade de expressão e ação entre seus alunos, mas o conflito surge a partir do momento que deve ser tomada uma decisão sobre a vida de determinado adolescente, até onde poderá chegar esta liberdade e a partir de quando o poder de autoridade deve começar.
Um momento bom do filme, é quando os alunos questionam o professor sobre sua sexualidade, o mestre consegue, sem em nenhum momento se intimidar, responder à classe, sem nenhum constrangimento, achei fantástico. Quero assistir novamente, tenho certeza que conseguirei captar outras idéias a respeito.
Tem alguns filmes, que você pode ficar horas discutindo a respeito, de tão ricos que são. Este com certeza é um deles.
20.03.09 @ 22:52


Assisti ao filme discutido.
Uma obra interessante, pois ressalta a realidade da educação no Mundo ( pro meu espanto!)
O que realmente vale ser citado é que o mais valioso do filme não é a atuação mágica e transformadora de um professor visionário,mas sim a persistência deseperada de um profissional diante de uma classe problemática.
22.03.09 @ 01:58


sidnei
Excelente.
Mas o professor tb revela suas falhas qdo chama o aluno de limitado e as repr de turma de vagabundas.
Alem disso, o Conselho de Disciplina mostra-se como um tribunal elitista, com o objetivo de expulsar da escola os alunos problemáticos, o que é uma contradição, pois é uma escola de alunos com problemas.
29.03.09 @ 21:30


Ana Melo
Um excelente filme, mesmo sendo simples, o conteúdo é riquissímo e leva a profundas reflexões,para nós educadores em formação ou formados.A triste e perturbadora realidade das escolas, não só no Brasil,mas em qualquer canto dom undo,é preocupante, precisamos encontrar caminhos que nos levem a trsnsformar essa situação, o mais breve possível.E olhando por este ângulo, o filme, é maravilhoso e serve como pauta para inúmeros estudos.Parabéns ao diretor!
12.04.09 @ 16:06


Daiane
Gostaria que alguém me ajudasse a fazer um resumo desse filme . É para amanhã se alguem puder me ajudar envia pro meu email hg.ane@hotmail.com
13.04.09 @ 19:07


CÍCERA MARIA DA SILVA DE FREITAS

Comentários de Cícera Maria

É uma historia que se passa basicamente dentro dos muros da escola. É o cotidiano escolar, com professores falando sobre os alunos em reuniões bimestrais.
O filme começa com o inicio do ano letivo e termina com o barulho dos alunos se divertindo no ultimo dia de aula, no pátio, juntamente com os professores, a sala vazia, a sala vazia e o ruído, apenas o ruído dos alunos rindo, e o vazio das salas...

Numa escola de ensino médio de bairro pobre professores se apresentam e falam rapidamente sobre o seu currículo profissional e combinam um encontro de confraternização na cantina. Logo em seguida passa a cena da turma entrando em sala e o professor, de nome François começando sua aula mandando os alunos dobrar uma folha de papel e escreverem seu nome nele. Há algumas contestações, mas todos fazem o que o professor pediu.
A turma é muito indisciplinada e com baixo rendimento escolar. A atuação do professor chama atenção pela forma como ele se dirige aos alunos, mas a forma de relação entre os alunos também não é assim tão harmoniosa, na sala há vários alunos de etnias diferentes.
É um filme simples, mas reflexivo. As falas das personagens nos levam a refletir sobre nossas ações enquanto profissionais do ensino, a nos colocar no lugar deles no filme e pensar em qual seria nossa atitude se fosse conosco. Também percebemos muita semelhança com a nossa realidade no Brasil.
Há uma cena no filme, dentre as tantas que me chamou a atenção, que o professor François compara a atitude das alunas que são como representantes de turma e participam do COC, com “atitude de vagabundas”, naturalmente as meninas se ofendem, embora se perceba que o que o professor quis falar não foi exatamente isso, e sim que eram bobas, ignorantes ou coisa parecida.
É um filme que deve ser visto e sobre ele e também com ele criar debates para auto avaliação de professores formados ou em formação, a fim de analisar a situação do ensino no Brasil, não só do ponto de vista das dificuldades dos alunos, a evasão escolar, as indisciplinas, mas também as atitudes dos professores, suas ações diante de tal situação, ou de inércia, ou de puro descaso, ou de muitos sonhos e quase nenhuma atitude, ou de superioridade, arrogância, enfim, é uma oportunidade de colocarmos em discussão todas essas questões e se não acontecer nenhuma conclusão, pelo menos levou a uma reflexão. Alguma semente foi plantada e alguma coisa tem que nascer daí.
O filme em questão recebeu várias criticas e comentários de críticos consagrados e expectadores comuns. É vencedor da palma de ouro...
20.04.09 @ 20:14


Vanessa Sossélla
Há vários meses percebo que a vida é simplesmente desse modo que ela realmente se apresenta. É só isso. Não há nada a ser decifrado. Existe apenas um aglomerado de possíveis interpretações que não servem para nada. Nada mudará o andamento dela. Ninguém perdurará. Por mais bonito que façamos, deixaremos de existir sem saber por que passamos por aqui. Não há um porquê. Cotidianamente se irá e virá, assim como sempre foi. Assistir ao filme "Entre os Muros da Escola" deu-me mais uma vez certeza de que tudo isso não passa de viver uma vida cada vez mais crua, com significados apenas insignificantes.
06.05.09 @ 23:48


Natália
Bom, realmente esse filme foge do padrão de peliculas sobre mestres e alunos. É impressionante a interpretação dos adolescentes no filme, no momento em o sinal toca quase me levante da poltrona, parece bobo, mas o o enredo tem a capacidade de nos transportar para um universo de coincidencias, déjà vus e ate mesmo de encontro com semelhanças do nosso sistema educacional (e falho). Um verdadeiro documento, que é fiel as transfomações contemporaneas, num lugar comum que é a escola.
Meu sonho é ser professora (pobre de mim) e no desenrolar do filme pensei em desistir (me pareceu mais um pesadelo do que um sonho no final), mas tbm desisti dessa ideia... talvez porque a imagem final com aquela sala vazia ainda ecoe na minha cabeça.
Maravilhoso!
18.05.09 @ 01:32


Marta Betanes da Silva · http://martabetanes@yahoo.com.br
Um filme surpreendente para ser assistido mais de uma vez. Muitas são as cenas que merecem uma análise profunda no que tange a aspecto didático, metodológico de uma sala de aula. Porém o que mais chama a atenção é o fato de num mesmo espaço da sala de aula se encontrarem tantas diferenças culturais devido aos diversos grupos ali matriculados. Como é difícil administrar numa sala de aula as diferenças, todovia como é importante que estas diferenças estão no chão da escola. Das diferenças reconhecemos que somos também limitados enquanto professores e que temos muitas vezes somos promotores mais de conflitos na sala de aula do que de aprendizagem.
20.05.09 @ 19:58


Marta Betanes da Silva · http://martabetanes@yahoo.com.br
Um filme surpreendente para ser assistido mais de uma vez. Muitas são as cenas que merecem uma análise profunda no que tange a aspecto didático, metodológico de uma sala de aula. Porém o que mais chama a atenção é o fato de num mesmo espaço da sala de aula se encontrarem tantas diferenças culturais devido aos diversos grupos ali matriculados. Como é difícil administrar numa sala de aula as diferenças, todovia como é importante que estas diferenças estejam no chão da escola. Das diferenças reconhecemos que somos também limitados enquanto professores e que muitas vezes somos promotores mais de conflitos na sala de aula do que de aprendizagem.
20.05.09 @ 20:02


Ricardo
Ola galera se vc puder enviar um pequeno resumo sobre este filme, Entre os muros da escola, ficarei muito grato, envie pelo meu e-mail,.

r_capixaba2012@hotmail.com

se for possivel irei preisar para o dia 03/06/2009, obrigado!!
01.06.09 @ 17:09


Carolina
Moro em Ubatuba, sou psicóloga e desenvolvo um trabalho com professores, gostaria de saber onde encontro este filme, quais locadoras, se é que já está em locação ? Obrigado.
30.06.09 @ 13:54


amilton santos
boa noite ???? sou amilton , sou auditivo , estudo bilingue de pedagogia para LIBRAS ESCOLA INES , AS VEZES EU ENTENDO POUCO MAS FRANCES PROFESSOR PROBLEMA REVOLTADO ALUNO DESRESPEITO MUITO OK ME AJUDAR EXPLICAR BEM ABRACO AMILTON
02.07.09 @ 00:16


puts, não achei nada demais nesse filme, bem meia boca
27.10.09 @ 16:45


Eloisa
O filme nada mais é do que a realidade em nossas salas de aula, obviamente da rede pública de ensino, estudei em escola pública nos anos 80 e era exatamente o que vi no filme, só não existia tantas etnias, mas embora o filme trata de uma escola da França, não vi diferença das escolas públicas do Brasil. E a pergunta está:como mudar isso? Como fazer com que o professor chegue na sala de aula e seja motivado a dar o melhor de sí para o seus alunos, porque embora o professor do filme está interessado em ensinar, me parece que falta motivação por parte dos professores daquela escola, todos muito preocupados com as regras da escola, me parece que todos só estão alí para cumprir uma obrigação. Mas o filme é muito bom, no momento que acaba o filme, a gente se pergunta "ser professor pra que?" parece que o filme é contagioso. Mas amanhã é outro dia e sol brilhará!
29.10.09 @ 14:39


Cleuzelene
Entre os muros da escola nada mais é que o retrato da sala de aula hoje. Independente se a escola é pública ou particular, a realidade é a mesma. Me vi na posição do professor de Francês ministrando minhas aulas de Português. Todos aqueles alunos ali no filme, um dia estiveram próximo de mim.
Estou um pouco angustiada mas um pouco feliz: vejo que os problemas que vivemos dentro dos muros da escola, hoje já estão universalizados.
05.12.09 @ 21:54


aurimar eduardo de oliveira
1) Como prof. aposentado,revivi momen-
tos muitos semelhantes nas escolas pú-
licas de nossa Cidade,tinha que ser o
testemunho de um ex-professor como é.Ex-
tremamente sério,corajoso,oscilando entre a ficção(?) e o documentário,é um
filme para os educadores vocacionados de
fato. A cena final,a sala vazia,o alari-
do de fora, as carteiras meio desarruma-
das,puxa,a saudade(!) umedece os olhos... Aurimar.
27.02.10 @ 01:00


Ana Cristina
Sou acadêmica do curso de Pedagogia e assisti ao filme. Percebi que o professor comete erros e acertos, tenta ouvir os alunos, mas ao final impõe sua opinião. Não seria exigir demais de um professor que ele seja capaz de dar atenção à tantos alunos de culturas tão diferentes? Ou isso é possível? Esse cenário é comum apenas as escolas públicas?Percebi também que os bons alunos como o chinês do filme, são sempre elogiados e todos os professores ficam orgulhosos dele, como se fosse um mérito do professor, quando é do próprio aluno e da família que o apoia. Quando a escola consegue chegar até a família, como na cena em que o professor conversa com os pais dos alunos, é mais fácil de identificar os problemas. Vêjo que ser professor requer vocação realmente, paixão pela profissâo, amor pelas pessôas, porque sem isso é provável que sejamos todos profissionais frustados.Não é possível agir mecânicamente, e ser indiferente aos alunos e suas realidades. O filme retrata bem tudo isso e nos faz ver que nem sempre o professor esta certo que os alunos tinham suas razões em questionar e que isso é comum a esta faixa etária ( não aceitar repostas prontas) o que deve haver é o respeito e o professor deve se fazer respeitar, respeitando os alunos.
08.03.10 @ 09:12


Pilar
Não consegui ver esse professor como O CARA, não. Para mim ele mais queria aparecer frente aos colegas, (que aliás não estavam nem ai para os alunos), que tentar manter o respeito para com sua turma. Aquela parte no final onde ele pede aos alunos o que aprenderam no ano, é reveladora. Um responde que gostou de uma matéria-não lemnbro extamante o que, mas isso não importa, e o professor diz: "e oque tem de importante aprender isso?" desmerecendo o aluno, e o aluno responde: "se não era importante porque ensinou?" É bem isso mesmo. A outra aluna não aprendeu nada, mas leu Sócrates, fora da escola. O outro foi expulso, mas o professor ficou impune, mesmo escondendo o seu deslize. Todos comovidos com o chinês que ia ser deportado, porque era quieto e falava bem o francês, e jogaram na vala o outro, que pedia socorro através da indisciplina. Gente! aluno rebelde está pedindo socorro!
Enfim, se o que ensinam nas universidades nãoa for apenas discurso vazio, este filem mostra que os professores tem muito a aprender. A alteridade, principalmente.
14.09.10 @ 22:32


Marcia
Só mesmo quem é professor consegue entender a profundidade retratada pelo filme. Quem não vive esta realidade no dia-a-dia não comprende os problemas que surgem numa sala de aula e acha que tudo é culpa do professor e acabam fazendo comentários idiotas. Os problemas que o filme traz à tona não são específicos da escola pública. Tem escolas particulares com problemas até mais graves, não devido à pobreza, mas a intolerância, desrespeito e desinteresse dos estudantes.
02.10.10 @ 21:48


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