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Segunda, Fevereiro 16

[o casamento de rachel]

Anne Hathaway

Jonathan Demme

Jonathan Demme

Festa de família

Quando um cineasta faz somente um determinado tipo de filme, é muito fácil imaginar os caminhos que ele vai seguir em seu próximo projeto. Mas quando se trata de alguém como Jonathan Demme, diretor de De Caso com a Máfia (1988), O Silêncio dos Inocentes (1991) e Filadélfia (1993), filmes completamente diferentes entre si, o espectador sempre precisa estar pronto para a surpresa. E é exatamente isso o que é O Casamento de Rachel, uma enorme surpresa, em que o diretor abandona um formato mais convencional para pegar a câmera na mão e invadir a seara familiar, promovendo uma das melhores D.R.s que o cinema viu nos últimos anos.

Anne Hathaway deixa de lado as mocinhas inocentes que fizeram dela uma estrela e se revela uma atriz de primeira linha com uma personagem que deu uma pausa no rehab para ir ao casório da irmã, o que desperta os fantasmas adormecidos na família. É uma das performances mais elogiadas e ousadas do ano e que pode se converter num Oscar para a atriz. Anne não encarna a drogadita tradicional; está sempre revelando uma faceta nova de sua personagem,

A atriz está bem aparada pelo elenco de apoio. A Rachel do título é a ótima Rosemarie DeWitt, que faz o oposto complementar para a personagem de Anne, garantindo um duelo impiedoso do começo ao fim do filme. Uma das presenças mais fortes é a de Bill Irwin, que interpreta o pai das duas, um homem que parece estar sempre prestes a desmoronar. Debra Winger, que faz a mãe ausente, não está tão boa quanto gostaria, mas é dona de uma das cenas mais forte do filme.

O ótimo roteiro foi escrito pela filha do veterano diretor Sidney Lumet, Jenny, que debuta nesta profissão. O texto trata de inúmeras questões de família, mas sabe não se render a lugares comuns, com uma velocidade totalmente própria e soluções simples e inesperadas mesmo para temas explorados à exaustão. A opção de Demme foi por uma fotografia nervosa, o que poderia ter um resultado gratuito já que mexer a câmera virou clichê de cineasta moderninho, mas aqui tudo se justifica, tudo tem sua função. A câmera que não pára traduz a família em ebulição e a inconstância da protagonista, uma mulher que tem que lidar com suas inseguranças e seus limites na busca pelo próximo passo.

O Casamento de Rachel EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Rachel Getting Married, Jonathan Demme, 2008

posted by Chico Fireman at 02:34:30 | 8 comentários



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Comentários





Adorei o filme. Anne Hathaway está estupenda. Sempre apostei nessa menina :-)

Pensar que a Angelina Jolie ganhou o Oscar por aquela junkie caricata faz Anne merecer três estatuetas ao invés de só uma.

Este, e o Lutador, são meus preferidos do ano. Interessante ver a câmera na mão, que já parecia um recurso clichê de filme independente, voltar com força criativa ao cinema americano. Será que andaram vendo os filmes do Dogma novamente?
16.02.09 @ 11:14


Pois é, achei que Anne deu show mesmo. Fugiu do clichê junkie até com uma certa doçura, mas também soube mostrar o lado problemático.

Só achei que o filme poderia ter uns 15 minutos a menos. Confesso que dei umas cochiladas naquelas cenas longas, como a do discurso...
16.02.09 @ 11:44



A cena do discurso é grande mesmo, Gabriel, mas o filme, eu acho bem ágil até.

Drex, a câmera na mão bem utilizada me impressionou quase tanto quanto a Anne. Pode ser uma tendência, sim.

Recomendo que quem gostou deste filme veja "Half Nelson", com Ryan Gosling.
16.02.09 @ 12:49


Filme ágil? Com todas aquelas danças, bandas, escola de samba e etc... achei mto chato, só se salva mesmo a cena da lava-louça
16.02.09 @ 13:41



Eu acho bem fluido.
16.02.09 @ 14:23


O filme surpreendeu-me. Comecei a assistir mantendo um certo distanciamento (ah, mais um filme de família!), mas aos poucos a câmera na mão, Anne, Bill (excelentes atores), a narrativa me capturaram num formidável sem fôlego. Belo filme, muito além dos blockbuster do indigesto cinema-norte-americano-antenado-com-o-gosto-do-público.
23.03.09 @ 09:04


jan
concordo com suas observações, mas senti falta de comentários sobre a pegada musical do filme, que se justifica pela profissão do cunhado de kym. nunca vi no cinema um casamento tão bem cuidado em termos musicais...beijos!
18.04.09 @ 10:55



A trilha é bem bonita, Jan, mas realmente não conseguiria, hoje, fazer um comentário sobre ela.
22.04.09 @ 16:53


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