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Domingo, Fevereiro 15

[operação valquíria]

Tom Cruise

Consideração número um: a História é escrita pelo vencedor. Então, fazer um filme sobre derrotados é algo um tanto ousado. Consideração número dois: o final da história relatada em Operação Valquíria todo mundo conhece. Então, criar uma estrutura de suspense sobre algo que o espectador teoricamente já sabe como vai terminar é ainda mais arriscado. Mas Bryan Singer e Tom Cruise queriam contar essa história, a de um grupo de oficiais alemães que planejam matar Hitler, e, mesmo que a intenção deles fosse apenas recuperar o prestígio como profissionais sérios, a dupla fez um bom trabalho.

O filme é o primeiro do cineasta depois de anos se dedicando a super-heróis. E é a tentativa mais séria de Cruise para se recuperar o desgaste causado por seus excessos desde que virou um messias daquela seita de meia-tigela. O resultado não acertou no Oscar, uma das prováveis miras dos dois, nem fez sucesso de crítica, mas é um trabalho de respeito, dirigido com a reconhecida habilidade de Singer, que o estrutura como um daqueles filmes de tom documental sobre eventos grandiosos, com cronologia marcada na tela, grande número de personagens e suspense, muito suspense.

Não deixa de ser uma contradição oferecer esse suspense para o espectador, mesmo estando diante de uma resolução anunciada. Esse tom é concedido tanto pela música, uma bela melodia que fica entre o épico e o discreto, quanto pela montagem acertadíssima, sempre disposta a deixar a passagem entre as cenas mais interessante, como na despedida da esposa do oficial, que ganha forma de flashback apenas visual, com o som da cena seguinte. Talvez o fato de que o mesmo John Ottman assine música e montagem explique a harmonia entre as duas e no filme de uma maneira geral.

Outro ponto positivo é que o roteiro - Singer voltando a trabalhar com Christopher McQuarrie, de Os Suspeitos - tenta não arredondar demais o personagem de Cruise, mostrando-o em certo momento com um baixinho arrogante, disposto a convencer os outros do que nem ele mesmo tem certeza. Cruise, por sinal, é uma surpresa. Seus filmes sérios geralmente esbarram em suas limitações como ator, com cenas que pontuam alguma canastrice, mas em Operação Valquíria ele passa incólume, sem tentar fazer estardalhaço, correto e sem incomodar.

E olhe que o elenco do filme é de primeira. Cruise e Singer devem ter assistido A Espiã, de Paul Verhoeven, porque roubaram de lá pelo menos três atores: o bom Christian Berkel, faz um dos oficiais rebeldes, e as ótimas Carice van Houten e Halina Reijn. A primeira, grande atriz, está perfeita no papel minúsculo de esposa de Cruise. A segunda, dona de uma cena final comovente, faz a secretária do coronel. E há espaço para Kenneth Branagh, em participação limitada, Terence Stamp, um ótimo Bill Nighy e um excelente, como de praxe, Tom Wilkinson.

Se a intenção de Cruise e Singer foi mudar de ares, eles conseguiram direitinho, sem fazer alarde.

Operação Valquíria EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha
Valkyrie, Bryan Singer, 2008

posted by Chico Fireman at 03:00:54 | 15 comentários



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Comentários




Tiago
Chico, não sei se é tão arriscado assim contar essa história. Na Alemanha, o coronel interpretado pelo Cruise virou até nome de rua e a trajetória da resistência é amplamente conhecida. No mais, quantos filmes não foram feitos sobre a Guerra do Vietnã, por exemplo?

Criar suspense com uma história que tem um desfecho conhecido? Também não me parece algo extremamente corajoso. O que me espanta, no caso, é que não consegui ver esse suspense funcionar (talvez tenha sido um problema meu, enfim, mas não consegui).

E Chico, você deu 3 estrelas... Quais seriam os problemas do filme, na sua opinião?
15.02.09 @ 11:03



Arriscado no sentido de que as pessoas esperam que o Tom Cruise se dê bem, né? Há muita expectativa em relação a isso. Mesmo que o personagem seja conhecido na Alemanha, no final, o que importa é o que o público dos EUA quer. Não sei se dar pra comparar com o Vietnã, maior trauma da história dos EUA.

Não falei que, pelo fato de o final ser conhecido fazer o filme seria "extremamente" corajoso. Acho arriscado, apenas isso, manter essa estrutura de suspense. Um filme histórico, sem a preocupação com criar clima, funcionaria como registro. Buscar essa estrutura de suspense aposta num "embarque" do público.

Sobre as três estrelas, é apenas um grau de avaliação. O filme me cativou até o ponto de eu o considerar "bom" (cotações ao lado). Nem mais, nem menos.
15.02.09 @ 13:15


Tenho uma impressão bem parecida com a sua. Gostei do filme, apesar de amá-lo, e a forma como Singer conduz o suspense é merecedora de aplausos. É muito boa sua volta aos thrillers.
15.02.09 @ 13:45



De "não" amá-lo, né?
15.02.09 @ 14:51


Tiago
Mas, no fim das contas, o Cruise continua o velho herói de sempre, não? O desfecho é bem claro nesse sentido, acho.

Bem, o que aconteceu é que eu não "embarquei" no suspense. Deve ter sido isso. Passei duas horas me beliscando pra não cair no sono.
15.02.09 @ 21:49



Eu acho que esse herói funcionou.
15.02.09 @ 22:39


ótima crítica, parabéns.
16.02.09 @ 14:11


Leandro Caraça · http://buchinsky.zip.net/
Vamos combinar assim. A partir de agora o Singer só vai filmar roteiros do Christopher McQuarrie.
16.02.09 @ 17:12



Isso quer dizer que você gostou, né, Caraça?
16.02.09 @ 18:04


Marlos Ápyus · http://www.apyus.com
A curtição de repetir os atores de A Espiã em papeis semelhantes me fez imaginar que reprisavam inclusive os personagens. Que ele não acha a esposa via telefone porque a mesma estava trabalhando de espiã. Ou que o rebelde na festa da noite anterior estava tocando piano e comendo alguma alemã nos bastidores.

Gostei do filme. Não so Cruise queria se redimir. Bryan vem do semi-fiasco chamado Superman. É bom que este filme faça uma boa bilheteria mesmo.
19.02.09 @ 06:48


Luiz Felipe
Prezados, nas explicações finais do filme e de acordo com a real história fica claro que Hitler não morreu na explosão e sim suicidou nove meses após. Poderiam então me informar para que serviu o dispositivo colocado na boca do ministro instantes antes de ouvir sua voz de prisão?
24.02.09 @ 01:47



Ele iria se suicidar para não ser preso.
24.02.09 @ 02:25


DUNHA
Caro Luiz Felipe, o dispositivo ao qual vc se refere é um tipo de veneno, desenvolvido pela inteligência nazista, q é capaz de matar em segundos. Acredito q a intenção de Goebels era se matar caso fosse realmente preso.
04.03.09 @ 02:41


Jéssica Coutinho
Chico,ñ descordo de nenhuma virgula do q disse sobre esse filme.

Tom Cruise estava mto bem neste filme [Apesar de começar a desgostar mais ainda dele depois a trilogia do missão impossivel, no qual achei q ele foi superfulo!]

Mto bom o post.
01.07.09 @ 10:45


dunha²
meu livro favorito é valkiria decide morrer espero que o filme saje incrivel
05.12.09 @ 18:49


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