Terça, Janeiro 27
[austrália]

Há que se admirar esse tal de Baz Luhrmann. Taí um cineasta sem medo ou pudor de arriscar. É preciso ter muita cara de pau para recriar um Shakespeare tropical e, cá entre nós, Romeu + Julieta funciona muito bem. É preciso ser mais ousado ainda para assumir o fake absoluto e criar um monumento kitsch multi-referencial como Moulin Rouge, filme que, mais uma vez cá entre nós, também se resolve muito bem. Luhrmann deu tempo ao tempo, desistiu de filmar a vida de Alexandre para não concorrer com Oliver Stone e, sete anos depois de seu último longa, resolveu voltar os olhos para seu país de origem para compor o épico esquizofrênico chamado Austrália.
O filme não é tão ruim como dizem por aí, mas também é o resultado mais irregular da curta carreira do diretor. Luhrmann quer dar conta de tanta coisa que termina não resolvendo nenhuma muito bem. Ao mesmo tempo em que é um épico sobre a formação de um país, o que rende comparações extremamente justas com ...E o Vento Levou, o filme ainda pretende ser uma história de amor gata-e-rato e uma aventura mística sobre aborígenes, suas crenças e sua cultura esfacelada pelo "homem branco". Some-se a isso o cenário de guerra que garante o lado sério e importante e oscarizável ao filme, além de servir de motivo para o uso de muitos efeitos visuais. Sim, Austrália tem efeitos de sobra.
Não seria nada demais se Luhrmann fosse capaz de coordenar todos os seus objetivos, mas isso não acontece. As intenções de sobra resultam num descontrole quase que completo, onde se atira para todos os lados, mas alvo que é bom passa longe. Os equívocos começam desde cedo. A introdução dos atores - Nicole Kidman histriônica, emulando Vivien Leigh ou Katherine Hepburn, e Hugh Jackman tentando ser Humphrey Bogart - é enfadonha e deixa o terreno esquisito, embora os personagens ganhem mais simpatia ao longo do filme.
Se aqui e ali há alguns acertos (as escalações de Bryan Brown, Lillian Crombie e Max Cullen; um capricho na direção de arte e figurinos; a costura de O Mágico de Oz à trama), esses pontos positivos não são suficientes para dar substância a Austrália. Mas o maior pecado de Luhrmann talvez seja não conseguir encontrar o lugar adequado para integrar a magia ao longa - e isso seria importante já que o protagonista Brandon Walters, agradabilíssimo, tem poderes sobrenaturais. A magia flutua à parte de todo o filme, não encontra seu espaço e, assim, termina por refletir o trabalho como um todo: Austrália não sabe para onde ir.
Austrália 

Australia, 2008, Baz Luhrmann
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Comentários
Leticia
Também escrevi sobre ele lá no blog ...
Brandon Walters é uma coisa fofa. Hugh Jackman também (ok, isso não vem ao caso =))O filme cansa pelo tamanho, não há quem aguente 2h30min de poeira e gritaria.
Mas no geral o resultado é bom. Avalio os filmes da seguinte forma: se quero ver de novo foi bom; se não, foi regular; parar no meio... Deus me livre.
Não quero ver Austrália de novo. Não por não ter gostado, mas por não achar que o filme mereça.
Mas a estoria é um pé no saco, aquele romancezinho bem ao estilo a dama e o vagabundo, o menino mago chato... aaaai... cansativo.
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péssimo 







