Sábado, Novembro 29
[deserto feliz]

Deserto Feliz 

Deserto Feliz, 2007
Paulo Caldas
Boa parte do cinema brasileiro adora ter um compromisso social. Se o filme se passa no Nordeste é quase certo que tenha um certo espírito de denúncia. Deserto Feliz, primeiro filme solo do pernambucano Paulo Caldas (que co-dirigiu Baile Perfumado e O Rap do Pequeno Príncipe contra as Almas Sebosas), invade o universo da prostituição, mas embora tente repercutir tendências em voga no cinema mundial, parece ser um filme que não sabe se completar.
Há um certo esforço em dar substância à jornada da protagonista, cujo incômodo remete ao de Maggie Cheung em Clean ou, mais diretamente, à Hermila Guedes, em O Céu de Suely, filme que resolve brilhantemente o ciclo da vida de sua personagem. No entanto, a busca da inconformada da vez, a estreante Nash Laila - busca que ganha até algumas nuanças interessantes no primeiro momento - não aponta para lugar nenhum nem se perde na multidão. Parece simplesmente incompleta.
A câmera documental remete à maneira de filmar dos Dardenne, mas o roteiro não sabe se arredondar em torno da personagem ou de uma idéia sobre ela. Desta maneira, a errância da protagonista não ganha muita coerência e abre espaço para uma encheção de lingüiça que se manifesta em algumas situações e frases feitas irritantes, como "e puta pode ter sonho?". Alguns personagens não têm função, como o de Zezé Motta. Talvez pelo excesso de roteiristas (quatro), o Deserto Feliz não sabe muito bem para onde vai.
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