Quinta, Novembro 6
[mostra sp 2008: boletim 13]

Os Primeiros Anos de Wim Wenders 

, de Marcel Wehn
Num tempo em que os documentários buscam formas cada vez mais ousadas (o que nem sempre resulta em algo produtivo), assistir a Os Primeiros Anos de Wim Wenders é uma viagem no tempo. Marcelo Wehn, que fez do filme seu trabalho de conclusão de curso, usou um formato clássico: entrevistas, fotos, vídeos e trechos de filmes costuram o longa, que não tem narrador e é econômico em cenários. O diretor aposta basicamente em sua capacidade de questionamento, com a qual extrai alguns depoimentos quase invasivos sobre a vida do cineasta alemão. Wehn não tem medo de colocar Wenders contra a parede, de ultrapassar os limites da privacidade de seu objeto e de relacionar, com bastante competência, as informações que coleta através de uma montagem esperta. Um exemplo de ousadia de conteúdo, coisa que anda em falta nos docs de hoje em dia.

Ice 
, de Makoto Kobayashi
Makoto Kobayashi emula os animês de ficção-científica, mas fica anos-luz atrás de seus compatriotas Katsuhiro Ôtomo, de Akira, e Rintaro, de Metropolis, no desenvolvimento tanto de uma trama mais rebuscada quanto na inventividade visual. O filme amontoa imagens reprisadas, personagens caricatos e roteiro futurista-fatalista repleto de lugares comuns. É perfeito para amantes do gênero, mas eles bem que podem ficar entendiados.

Hanami - Cerejeiras em Flor 

, de Doris Dörrie
Doris Dörrie é uma das principais responsáveis por eu achar o cinema alemão dos anos 80 para cá chato, quase insuportável. Suas comédias dramáticas urbanas, como Preciso que me Amem, são irritantes. Por isso, quase não fui ver Hanami, que terminou sendo meu último filme da Mostra de Cinema de São Paulo de 2008. E, para minha surpresa, durante a maior parte de seu longa, Dörrie acertou a mão justamente no tom, um drama de despedida suave e delicado sobre um casal em que um dos cônjuges precisa lidar com a doença terminal do parceiro. Embora a caracterização dos filhos do casal tenha me parecido exageradamente cruel, a diretora sobre conduzir sua história com simplicidade, sobretudo no momento de virada da trama, bastante difícil por mudar de ponto de vista bruscamente. O filme ganha força através do trabalho de uma ótima atriz, Hannelore Elsner. As tintas de Dörrie me incomodaram um pouco na utilização do butô, espécie teatro japonês, para mostrar como a maneira de lidar com a ausência, mas isso não afeta o conjunto do filme.
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