Quinta, Agosto 7
[fast cinema]

Arquivo X: Eu Quero Acreditar 
The X-Files: I Want to Believe, 2008
Chris Carter
O que mais impressiona em Arquivo X: Eu Quero Acreditar é como tudo parece reciclagem barata e nada funciona, o que é extremamente frustrante para alguém que, como eu, já foi fã fiel da série. O filme de dez anos atrás, de Rob Bowman, era infinitamente mais interessante - ainda mais por se tratar do grande assunto da série, aliens -, além de ser muito melhor dirigido. Chris Carter, além de ter arrumado um motivo chinfrim para retomar Mulder e Scully, não soube dar direção para o filme, que infelizmente deve encerrar - mal - essa história, que trata o duelo entre fé e descrença da maneira mais rasa e clichê possível.

Uma Garota Dividida em Dois 


La Fille Coupée en Deux, 2007
Claude Chabrol
Chabrol é o cineasta que melhor consegue operar certas revoluções narrativas que, se caíssem em outras mãos, certamente não encontrariam o tom adequado. Uma Garota Dividida em Dois não foge à regra, sobrevivendo num limite entre o exagero e o sóbrio que me parece uma característica do cinema do francês. A mudança de rumo deste filme poderia facilmente parecer manobra de romance barato de banca de revista, mas Chabrol sabe tornar essas decisões de roteiro mais do que dignas, brilhantes. O trio de atores está excelente, com destaque para o afetado Benoit Magimel, (quase um dândi) mimado, descontrolado e impiedoso.

Meu Irmão é Filho Único 


Mio Fratello è Figlio Unico, 2007
Daniele Luchetti
Saudado como uma retomada de um cinema italiano engajado, Meu Irmão é Filho Único é tudo, menos uma retomada já que os filmes italianos nunca deixaram de lado seu viés político. No entanto, é um belo filme que sabe administrar conflitos ideológicos com talento. A primeira parte é brilhante, com o protagonista interpretado pelo excelente Vittorio Emanuele Propizio, um dos melhores timings dos últimos tempos. Mas quando o personagem cresce - e muda de intérprete - as coisas se estabilizam em algo que fica pouco acima da média, sempre filmado com certa destreza, mas sem grandes bônus. O final arrendonda bem a história.

O Segredo do Grão 

La Graine et le Mullet, 2007
Adbellatif Kechiche
O Segredo do Grão me parece um daqueles filmes feitos para enganar pela sua simplicidade extrema. Como tudo é corretinho, cria-se a expectativa de uma obra que vá dissecar sobre conflitos étnicos ou familiares, mas eles não chegam a aparecer. Seu tom quase documental parece se pretender como estudo sociológico, mas não levanta uma questão sequer. A história é cheia de espaços vagos onde a única intenção parece ser a de transformar o filme num filme longo (filmes longos sempre parecem mais importantes do que realmente são) já que os tais espaços não têm função narrativa, estilística ou formal.
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Comentários
O filme do Chabrol 'e o melhor do ano para mim, junto com I'm Not There.
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péssimo 







