Quinta, Julho 31
[era uma vez...]

Morro acima, morro abaixo
A verdade do cinema de Breno Silveira é bem diferente das verdades mais celebradas do cinema brasileiro - ou de qualquer canto do planeta. Enquanto José Padilha aposta em mostrar como é a verdadeira vida no morro, Paul Haggis quer questionar os motivos verdadeiros que fazem os homens tomarem esse ou aquele caminho e Michael Moore tenta dissecar a verdade atrás de governos e grandes corporações, Breno Silveira tem objetivos muito menos pretensiosos. Seu cinema parece existir apenas em função de si próprio, como uma maneira de contar histórias simples da maneira mais, exatamente, verdadeira.
Eu fui ao cinema sem expectativa alguma para ver Era Uma Vez... porque o filme anterior de Silveira, 2 Filhos de Francisco, sempre me pareceu a celebração da limitação: não havia grandes interpretações, não havia uma grande história, não havia nada demais. Mas como tudo era bem feitinho, bonitinho, como a história daquela dupla sertaneja brega tinha sido contada de forma tão corretinha, parecia muito mais. Mas Era Uma Vez... me surpreendeu. Os clichês de histórias de amor impossível, do dueto cidade x morro, da vida na favela, estão todos lá, mas o diretor os filma com tanta convicção que eles parecem coadjuvantes de uma conjunção de talentos.
O maior deles é, sem sombra de dúvida, Thiago Martins, um ator raro, que usa muito de sua história pessoal (de morador de um morro do Rio de Janeiro) para tornar seu personagem, o jovem pobre, honesto e de bom coração - um clássico do lugar comum - num num herói romântico verdadeiro, e mais: num personagem absolutamente crível; num, para exagerar bem, exemplo. Mas Thiago não apenas parece transportar suas experiências para o protagonista deste filme. Cacos, expressões, timidezes, olhares e trejeitos são delicadamente calculados, colocados no lugar certo, funcionando em praticamente todas as cenas do rapaz. Um achado.
Esse talento, embora pareça estar um degrau acima do filme, é mais ou menos o que Breno Silveira parece caçar o tempo inteiro. Seus filmes acabam em si mesmos. Não levam a grande reflexão, nem são o que se chamaria de filmes importantes. São histórias pequenas, simples - e o que mais chama atenção nelas é como quem está por trás das câmeras se empenhou em contá-las da melhor forma possível. Pode ser até que esse diretor só acredite nas verdades de suas histórias até terminar de rodar seus filmes. Pode ser que, a cada novo projeto, ele mude de verdades e passe a trabalhar em outros focos, mas, até lá, até o fim de cada filme, as verdades desse diretor, banais e coerentes, simples e honestas, já vão ter sido um bom presente. Afinal, como deve ser uma história de amor? De verdade?
Era Uma Vez... 



Era Uma Vez, 2008
Breno Silveira
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garapa
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Comentários
Layo, eu gosto do desfecho, sim. Acho que evoca o conto de amor e que funciona. Pelo menos, pra mim, funcionou. E o epílogo, que poderia ter sido equivocado, também me agrada muito.
Eu já vi o Chabrol há um bom tempo. Deve ser meu próximo texto.
Eu tenho uma preferência pelo cinema nacional atual, pois a melhora em qualidade vem sendo vista e percebida, e tudo tem crescido a passos largos, talvez até para compensar o atraso que cercava as produções brasileiras até 1997 no mínimo. Soube, por intermédio de amigos, que esse filme "Era uma Vez..." é mesmo um achado, uma das produções feitas no país este ano que vale a pena dar uma conferida e que não cai no conceito da mesmice - conseqüência da popularização do cinema. O cinema feito descompromissadamente, apenas com a vontade de se contar direito uma história, é muito melhor do que aquele feito com olhos nos prêmios, pretensiosos. Esses soam falsos, ao ponto que os despretenciosos saem mais originais. Ainda não vi, mas agora, mais do que nunca, pretendo ver.
Um abraço.
P.S: primeira vez que comento aqui, perdão o incômodo.
Só um diretor bom pra fazer o Rocco atuar.
E o epílogo do final é absolutamente desnecessário.
Beijo.
Para mim, os filmes brasileiros são sempre iguais!
Por que a necessidade de mostrar a todos a violência nas favelas do Rio?
Acredito que todos os dias surge uma notícia de que o tráfico das favelas do Rio esta em guerra, e todos já estão cansados dessas noticias.
Confesso que me surpreendi pensando dessa forma...Era uma vez, foi sim um filme como os outros filmes brasileiros.Cenas que mostram a violência e a divisão de classes do país ja é uma característica forte do nosso cinema.Mas esse filme nao foi simplesmente isso.Ele vai além, porque a sua historia se faz de uma forma que os espectadores se envolvam ate o seu último segundo.O amor entre os jovens de diferente classes sociais valeu muito a pena ser mostrado.O filme é muito bom e o final para mim foi muito bacana.Todos esperam um final feliz, principalmente porque tudo indicava isso, mas infelizmente, a realidade não é essa.
a questão é que o final foi totalmente sem nexo e com uma imensa falta de coerencia.
o autor viajou na maionese, foi uma pena, pois, o filme prometia ...
o bom do filme é que ele emociona, envolve, faz pensar sim (com as limitações que eu já coloquei...) e tudo mais, assim como o 2 filhos de francisco.
::
E, além disso, achei o debate do filme paradoxal: critica o preconceito da sociedade para com o casal, porém, reforça-o com o final tragicômico (palavra perfeita para definir o desfecho do filme).
Existem milhares de releituras de Romeu e Julieta, por que mais uma? Se vivemos uma realidade tão dura, por que não mostrar o lado bonito e positivo de mudarmos a sociedade, mostrando um final bacana para uma história de amor quase impossível? Para que corroborar aquilo que já vemos todos os dias?
A fotografia, realmente bonita, e os atores estreantes com uma boa performance - meio novelística, é verdade -
é o que se salva esse filme. Ainda bem que paguei somente 2 reais para assisti-lo! rs
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péssimo 







