Sexta, Julho 18
[nome próprio]

O surgimento dos blogues reinventou o poder sobre o texto. Sem editores, censores ou chefes, qualquer um podia escrever o que quisesse. Panfletos, críticas, xingamentos. Tudo, inclusive ficção. A tecnologia tinha golpeado não a literatura, mas o sistema editorial em cheio. As portas restritas para esse meio já nem eram mais importante porque quem quisesse poderia simplesmente abrir um blogue. Era a revolução, a quebra de paradigmas. No entanto, o início da era dos blogues era também restrito e os pioneiros ganharam status diferenciado. Sobretudo quem escrevia ficção. De espaço alternativo, a internet virou plataforma para que escritores wannabe pudessem divulgar seu material e chamar atenção.
Foi assim com Clarah Averbuck, um dos nomes mais famosos da etapa inicial da blogosfera brasileira. Seus blogues chamaram atenção e seus textos migraram do virtual para o velho e bom papel. Dois de seus livros, escritos a partir de anunciadas experiências pessoais, pariram o roteiro de Nome Próprio, filme de Murilo Salles. Uma verdadeira jornada entre suportes, eu diria. Mas o filme, apesar de um esforço visível de se mostrar antenado, nasceu datado. E o culpado disso é justamente o material original, o texto, que envelheceu, revelando suas fragilidades. No plural.
Primeiro, Nome Próprio é um amontoado de frases feitas, tentando misturar vestígios de uma cultura underground, de Fante a Bukowski, com uma visão limitada de mundo, aquela coisa pós-adolescente de achar que palavrões, metalinguagem ("ficção não acontece contigo o tempo todo? então me reescreve?") e mais um pouco de álcool e drogas fazem de algo, algo importante. A sensação é de que as frases são pensadas vinte vezes para que tenham um valor extra ("aqui escrevo, escrevo porque preciso"), para que signifiquem ("a dor são poros por onde transpira a escrita"), com maneirismos moderninhos que ficaram datados ("todo mundo já deve ter copiado, redirecionado"). E, sob o pretexto de não ter pudores, qualquer citação a sexo é banalizada. E isso já vem com a defesa acoplada de que quem não gostou deve ser careta.
O melhor do filme é Leandra Leal. Pensando bem, a única coisa boa do filme é Leandra Leal. Mas nem a interpretação da moça, bastante esforçada em dar credibilidade a sua frágil personagem, salva o longa de Murilo Salles, que confessou não ter muita intimidade com a internet e peca por um certo didatismo em relação à web. A idéia das sobreposições de texto funcionam até a segunda página, depois ficam com cara de coisa velha. Como a rebeldia pré-fabricada do texto ("O problema é eu fico achando que caos é ordem"). Mas, numa certa altura, a própria protagonista avisa (e lava as mãos): "não gostou? não lê". Mas para saber que não se gosta, tem que dar uma espiadinha, não é?
Nome Próprio 
Nome Próprio, 2007
Murilo Salles
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Nome Próprio, de Murilo Salles
Comentários
Mas a resenha é boa, e já verei o filme com outros olhos que não a de uma guria deslumbrada...
Bacana demais ,naturalíssima.
Mas estranho e que depois de certo ponto o diretor parece abandonar o estilo e assumir uma livre narração de um blog, e segundo ela, “se não gostou: não lê”. Bom, eu não gostei. A vida de Camila é daquela tipicidade de viver loucamente, como quiser, sem interferência do meio: o tipo de pseudo-único, que hoje é comum, típico ridículo.
Mesmo que haja cenas boas, situações interessantes, essa são elementos disfocais, rotineiros, e assim são apresentados. Embora a idéia seja promissora, o resultado não saiu dos melhores.
Bom, há Leandra Leal. Em certo momento, também está uma inspirada Rosanne Mulholland, mas “Nome Próprio” se deve à Leandra Leal, atriz que vem calçando uma carreira genial, em papéis que prepara cada vez melhor. O roteiro do longa é recheado de frases feitas que você encontra na blogosfera, a estilização boca-suja e os verbetes pretensos únicos, a necessidade pedia á atriz dar força a essas pronuncias de um forma difícil: não parecer calculada e parecer calculada. Dar normalidade aos diálogos, mas deixá-los soar forte como uma marca registrada, robótico. E de fato consegue, é possível ver no próprio trailer do filme, um dos melhores “Merdas” já pronunciado. Leandra Leal ainda esculpe bem os tiques da garota e deixa-a parecer em outro plano, como se Camila tivesse saído da rede para visitar o mundo físico com data marcada para voltar. Momento quebrado apenas em um boa cena: “Não quero te conhecer de verdade, você vai estragar a imagem que eu já criei na minha cabeça”.
Ao fim “Nome Próprio” vai se tornando vazio, culmina na cena final com algo á dizer que é óbvio, mas que assim como faz Camila, adquiri profundidade pseudo.
Resenha de 01h58m28s
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péssimo 







