Quinta, Junho 26
[agente 86]

Eu, pra falar bem a verdade, não sou um grande entusiasta desta nova comédia norte-americana, da qual diretores como os irmãos Farrelly e atores como Will Ferrell estão entre os principais representantes. Geralmente, acho o humor bobo e as gags, ou velhas (sob a égide da tradição dos pastelões), ou apelativas (um tipo de riso sexual ou escatológico que nunca me interessou ou conquistou, culpa minha). Portanto, seria bastante coerente chegar aqui depois de ver Agente 86, que tem nomes dessa geração de comediantes na direção e no elenco, e escrever um texto sobre como ele fica à sombra da genial série original, da qual eu vi vários episódios. Na reprise, diga-se de passagem. Ou entã o falar sobre como o texto é datado. Ou ainda sobre como o mesmo texto é deturpado.
Mas não posso escrever nada disso porque o filme de Peter Segal é muito bom. Sua maior qualidade é manter o espírito ora inocente, ora ácido de sua matéria-prima, mas sabendo atualizar tanto seu contexto (e olha que os russos ainda são os vilões) quanto seu humor. É muito difícil administrar esse meio termo, com a tentação de cair na apelação da comédia física de hoje em dia onde um arroto ou um peido são o mais revolucionário que se consegue. E Segal faz isso com uma mão amarrada, deixando espaço para que o ator excelente que é Steve Carrell reinar, estabelecendo uma química impressionante com todo o elenco. Com Anne Hathaway, ele resgata a parceria perfeita de Don Adams e Barbara Feldon. Com Dwayne Johnson e a dupla de nerds, cria um clima íntimo delicioso. E com Alan Arkin, estabelece uma cumplicidade bem melhor do que a do insosso Pequena Miss Sunshine. Certamente, Carrell é a alma do filme. Mas ele só funciona nesse nível porque o filme sabe muito bem equilibrar contemporaneidade e História.
Agente 86 



Get Smart, 2008
Peter Segal
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