Terça, Junho 24
[violência gratuita]

Imagino como Violência Gratuita deve ter um forte impacto em adolescentes. Primeiro, há aquele clima de maldade inteligente - e inteligência sempre parece ser uma boa justificativa. Além disso, temos a tal violência e o sadismo, que despertam atração natural. Para completar, existem as brincadeiras metalingüísticas, que conferem tanto um 'extra' à história quanto tentam a) ratificar a palavra jogo, do título original, e b) criar uma sensação cômoda ao afastar o filme à condição de filme, de truque. No entanto, há muitos questionamentos a serem feitos sobre o longa que deixou Michael Haneke famoso.
Se o objetivo é - e esta parece ser a resposta mais fácil para um defensor do filme - analisar como a violência é banal nos dias de hoje, onde está a parte da análise? Elefante, de Gus Van Sant, mesmo sem nunca dar palavra final sobre nada, consegue ser muito mais profundo na tentativa de retratar o vazio do jovem atual. Se a questão era estabelecer um ambiente de tensão e desespero - o que Haneke sabe fazer melhor -, Sob o Domínio do Medo, de Sam Peckinpah, feito 26 anos antes, vai muito mais além e com um impacto bem maior.
Quanto ao uso da metalinguagem, parece que o filme tenta se sabotar o tempo inteiro. O sadismo, então, era uma brincadeira? Se encararmos assim, estamos diante do filme para fazer papel de bobos? Vimos tudo aquilo, mas... "era de brincadeirinha"?. Se era recurso estilístico, qual a novidade se até em Curtindo a Vida Adoidado, de John Hughes, o ator fala com o espectador? No fim, o filme se assemelha a estes filmes de tortura tão em voga hoje em dia. Se era esse o objetivo de Haneke, por que não fazer mais um e mais outro. Ah, é verdade, o segundo da série até já está pronto.
Violência Gratuita 

Funny Games, 1997
Michael Haneke
Posts similares:
Violência Gratuita, de Michael Haneke
Mais adrenalina!
a tortura do medo
Comentários
Te recomendo o primeiro filme do Haneke, "O Sétimo Continente".
Muito bem, sr. Ricardo, tô careca de saber que é uma refilmagem, o que', a meu ver, é ainda pior. Mas, enfim, até o Hitchcock se refilmou, deixa o seu Haneke tb... Verei os outros em breve, mas este me decepcionou muito.
Ailton, acho que difere desses filmes porque tenta ser inteligente e faturar em cima disso.
Eu acho que está lá também por este objetivo. Até acho que haja uma reflexão, Diego. Mas apenas um rascunho de uma discussão. "Vamos por a culpa no espectador que tá tudo bem"... Muito fácil pensar assim. "E depois a gente volta no tempo. Vai ficar engraçadinho". Uhu!
Eu vejo um filme claramente discutindo a cumplicidade do público ávido por mais e mais violência, consumindo filmes, jornais e revistas, gerando assim (e justificando tb) mais um punhado de violência, gratuita.
Acho o filme ótimo.
abs,
De qualquer jeito, acho que é um filme que estabelece "tensão e desespero" de maneira exemplar E está atento sobre sua própria condição de ficção, e do efeito disso nas pessoas. Não é questão de reivindicar autoria ou originalidade sobre isso: é fazer bem feito.
E também não é o caso de jogar a culpa no espectador. Não é o caso de joar a culpa em ninguém. Haneke já disse que seus filmes são sobre culpa e resposnabilidade, e a gente sente isso sem que ele precise apontar o dedo. Ele é bem mais sutil do que vc faz ele parecer, acho.
Mas, no fim das contas, não acho um grande filme, como A Professora de Piano ou Caché. Ainda assim, é impressionante.
ñ gostei mto tb ñ, eu estava até achando bom pela estranheza e tensão inicial do filme, mas depois q senti q ele parecia me atacar por vê-lo (rs), passei a detestar...
e pode-se dizer q nele a violência é mais gratuita q nos filmes q haneke supostamente quer criticar, já que em sua produção a violência (ok q ñ é explicitamente mostrado muita coisa) é um truque/recurso, ñ tem sentido, justificativa ou 'desculpa' p/ acontecer/existir ou ser mostrada, o q até os piores filmes de ação e similares têm (eu entendo q o herói nesses filmes 'tenha' q matar/atirar/bater)...
parece q haneke tem formação em psicologia, então esse lado de tese/análise do filme me irritou um pouco...
Deixe aqui seu comentário:


péssimo 







