Segunda, Junho 23
[cinturão vermelho]

No universo notadamente masculino de David Mamet, os homens estão no centro de tudo. Muito da obra do cineasta-dramaturgo se desenvolve a partir da relação do homem com o que está a sua volta. Seus temas são rígidos, brutos e clássicos - e seus filmes assumem esta forma. Cinturão Vermelho, mesmo no meio de suas dicotomias, é um exemplar bastante maduro dessa filmografia. O personagem de Chiwetel Ejiofor, um ator de primeira grandeza, é algo como o último homem à moda antiga, diante de um mundo onde tudo e todos parecem seguir conceitos pervetidos de honra e justiça. Sua perplexidade diante de arranjos e tramóias é a perplexidade de uma criança à medida que descobre as maldades da vida. Mas Mamet não dá ao protagonista um tom ingênuo ou pueril, dando uma difícil densidade a suas questões morais, coisa rara em filmes deste tipo. Desta forma, o dilema não se torna banal, apesar de haver traços de maniqueísmo aqui e ali, como na caracterização dos brasileiros ou do universo do jiu-jitsu, retratados de forma bem questionável. Alice Braga está bem e Rodrigo Santoro, correto, quase beira o overacting, talvez tentando dar mais peso a seu personagem pequeno. Apesar de ter a forma de um filme de superação, Cinturão Vermelho está um passo além: é uma das obras mais recentes a defender com mais afinco seus princípios morais.
Cinturão Vermelho 


Redbelt, 2008
David Mamet
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Comentários
Fiquei então me perguntar se o caráter dos brasileiros retratados no filme é a visão de Mamet com relação aos brasileiros em geral, ou de uma família brasileira em particular? Pois como se sabe o Ultimate Fight, o lucrativo espetáculo de luta livre da TV americana teve seus direitos originais vendido por um dos membros do clã Gracie.
De qualquer forma, apesar desses detalhes especulativos, Cinturão Vermelho me deixou no final de tudo com uma sensação de decepção.
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