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Quarta, Junho 18

[20 filmes para os 100 anos de imigração]

Hoje faz cem anos que os primeiros japoneses chegaram ao Brasil. Foi o marco zero da imigração oriental para o país. Por conta da data, resolvi fazer uma seleção de vinte filme produzidos na terra do sol nascente desde que o cinema é cinema. Não são os vinte melhores nem os vinte mais importantes, mas são vinte filmes que tanto os japoneses quanto os brasileiros deveriam ver pelo menos uma vez.

Rashomon

Akira

A Rotina Tem Seu Encanto

A Viagem de Chihiro

Filho Único

Filho Único (1936), de Yasujiro Ozu

Uma das tramas mais simples entre as tramas simples de Ozu. A demonstração de amor de uma mãe pelo filho é de fazer rachar (e depois pisar em cima) de qualquer coração.

Rashomon (1950), de Akira Kurosawa

O filme que revelou ao mundo o cinema japonês é uma caçada pela verdade. Kurosawa sobrepõe suas entrevistas num jogo de cena que faz a história ser reconstruída aos poucos.

Vida de Casado (1951), de Mikio Naruse

Naruse fez de um romance inacabado uma declaração de amor ao amor. Um filme belo e singelo que retrata com singularidade o perfil da classe média japonesa da época.

De Onde se Avistam as Chaminés (1953), de Heinosuke Gosho

O filme de Gosho invade a vida cotidiana de um casal que tenta acertar a relação e termina como retrato de um Japão que tenta se encontrar no mundo.

Contos da Lua Vaga Depois da Chuva (1954), de Kenji Mizoguchi

De um retrato histórico ao primeiro olhar, Mizoguchi rompe as barreiras do fantástico e nos entrega um conto de amor fantasmagórico e desilusão.

A Rotina Tem Seu Encanto (1962), de Yasujiro Ozu

A família e o choque de gerações, mais uma vez, são o centro de tudo. O réquiem do mais generoso cineasta japonês é também o filme-síntese de tudo o que ele fez.

A Mulher da Areia (1964), de Hiroshi Teshigahara

Clássico da nouvelle vague japonesa e um dos maiores filmes de terror psicológico de todos os tempos. A beleza das imagens equivale à porrada do roteiro.

Onibaba - A Mulher Demônio (1964), de Kaneto Shindô

O Japão medieval despedaçou lares e embruteceu as pessoas. Matar, de pecado, vira sobrevivência e o medo de perder o pouco que restou se torna egoísmo e tem preço.

Um Trato em Canção Japonesa Pornô (1969), de Nagisa Oshima

Oshima ousa com seu cinema-invenção de pretensões sociais. Engajado e radical, não se prende a uma narrativa convencional e renega o conformismo.

Ran (1985), de Akira Kurosawa

As cores invadem os campos num dos filmes mais visuais já feitos. Kurosawa leva Shakespeare para o Japão medieval e nos dá o verdadeiro sentido do termo espetáculo.

Tampopo - Os Brutos Também Comem Spaghetti (1986), de Juzo Itami

Estranho e singelo. Itami leva a proagonista para uma viagem gastronômica improvável e faz dela um painel sobre os hábitos de um povo.

Akira (1988), de Katsuhiro Ôtomo

O maior de todo os animes. Ôtomo adaptou sua graphic novel como um grandioso espetáculo de imagens caóticas, apresentando um futuro próximo e assustador.

Tetsuo - o Homem de Ferro (1989), de Shinya Tsukamoto

Um filme que vai do imaturo ao ousado, do perturbador ao excessivo, mas que nunca passa despercebido. E que tem um raro tratamento sensorial para com quem o assiste.

Black Rain - A Coragem de uma Raça (1989), de Shohei Imamura

A maior ferida de um país, rememorada com uma fotografia espetacular. Raspas, restos, sombras e ecos nas mãos de um diretor sóbrio, mas emocionado.

Audition (1999), de Takashi Miike

Miike deixa o tom cômico de lado para trabalhar com o insólito da forma mais surpreendente. Uma investigação que vai do amor ao terror.

Verão Feliz (1999), de Takeshi Kitano

Um homem, um menino. E uma viagem pela frente. Foi meu primeiro filme de Takeshi Kitano, um diretor que tem o tom exato entre o circo e o sentimento.

Pulse (2001), de Kiyoshi Kurosawa

A melhor seqüência final de um filme de terror em muito tempo. O segundo Kurosawa da lista filma o medo como poucos e suas imagens são assustadoramente belas.

A Viagem de Chihiro (2001), de Hayao Miyazaki

O mundo mágico existe e Miyzaki sabe disso como nenhum outro. Aqui as lendas e a cultura nipônica ganham sua tradução mais honesta e seu defensor mais árduo.

Dolls (2002), de Takeshi Kitano

O amor em três tempos, com destaque para o casal enlaçado. Kitano, um homem de força, faz a tela se encher de cores para nos falar do sentimento do homem.

Ninguém Pode Saber (2004), de Hirokazu Koreeda

O segredo em nome da honra. A arte de assumir a responsabilidade. Um filme triste, mas lindamente defendido pelo exército de pequenos que o diretor reuniu.


Outros fimes: Oharu - Vida de Cortesã (1954), de Kenji Mizoguchi, O Intendente Sansho (1954), de Kenji Mizoguchi, Os Sete Samurais (1954), de Akira Kurosawa, Flor do Equinócio (1958), de Yasujiro Ozu, Bom Dia (1959), de Yasujiro Ozu, Império dos Sentidos (1976), de Nagisa Oshima, Vamos Dançar? (1996), de Masayuki Suo, Depois da Vida (1998), de Hirokazu Koreeda, Meu Deus, Meu Deus, Por Que Me Abandonastes? (2005), de Shinji Aoyama, .

posted by Chico Fireman at 00:35:01 | 6 comentários



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Comentários




Eu ia ficar muito brabo se não encontrasse um filme do Hirokazu Kore-Eda! Ufa, foi o último da lista com sinopse... Mas fiquei chateado por que não tem nenhum filme de desenho animado pra adultos... Recomendo Hotaru no Haka - Cemitério de Vaga-Lumes, também do Hayao Miyazaki. COnheço muita gente que não chegou ao fim deste desenho. Parabéns pela inspiradora lista de filmes! Sucessos sempre! Um beijo!
18.06.08 @ 08:22


Na realidade, Cemitério de Vaga-Lumes é do Isao Takahata. Por ser do Studio Ghibli todo mundo acha que é do Miyazaki.

Tenho muita vontade de ver esse filme.

Do Miyazaki, recomendo também Princesa Mononoke.
18.06.08 @ 12:05


Meu filme japonês preferido de todos os tempos é de Masaki Kobayashi. O diretor eu sei, mas o filme não consigo decidir: Rebelião ou Harakiri?

O sensacional é que há tantos filmes, tantos diretores, que a gente podia ficar para sempre vendo filmes do Japão.
19.06.08 @ 10:38


Shima, tô com "O Túmulo dos Vagalumes" aqui pra ver. "Mononoke" também, Gabriel.

Saymon, eu tb tô com o "Harakiri" no gatilho. E ainda "Kwaidan".
19.06.08 @ 17:48


Francisco,

Obrigado por lembrar Dolls e Akira.
30.06.08 @ 23:53


Ah proposito meu nome nao e Francisco. Francisco e você.
30.06.08 @ 23:54


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