Domingo, Junho 8
[sex and the city]

Sex and the City, o filme, é assim... bem Sex and the City, a série. Eu não acompanhei de muito perto o material original, mas cheguei a ver um bom número de episódios. Confesso que achava que o roteiro tinha belas soluções para histórias geralmente rasas, mas havia algo interessante em como aquelas quatro atrizes funcionavam tão bem juntas. Este longa provavelmente surgiu apenas da expectativa de nostalgia que o reencontro geraria. E, pelo resultado na primeira semana de bilheteria, deu certo.
Um ponto a favor é o fato de se respeitar o lapso temporal entre o fim da série e o longa, o que favorece o ar de continuismo. A reintrodução das quatro personagens é bem simpática e o nível do texto é razoável, se você não se importa que a matéria-prima seja um mar de futilidade. Mas isto é Sex and the City. A celebração do inútil, do rasteiro e do supérfluo. Sempre foi. Criticar isso é bobagem, meio chover no molhado. O filme é sobre comprar sapatos, assistir a desfiles, reverenciar o luxo. E sobre amizades verdadeiras, mesmo que elas sejam entre mulheres fúteis.
O que o filme - e a série antes dele - estabelece é a relação entre Carrie, Miranda, Samantha e Charlotte. Elas são quatro peruas que se amam. É aí que mora a questão. Os laços entre as personagens ganham, com este filme, a força do tempo. Novamente elas são submetidas a situações em que precisam umas das outras e cada uma delas está lá quando a outra necessita. O hiato entre o fim da série e o longa faz o expectador trabalhar com um material não filmado, suposto, desenhado pela cabeça de cada um. Essa construção abstrata fornece uma camada bastante palpável para o filme. Dá para acreditar no que se vê.
Novamente, estamos diante de um mundo onde glamour e futilidade caminham juntos. O diretor e roteirista Michael Patrick King, que comandou vários episódios da série, tenta enquilibrar o material com um roteiro bem acabado, correto na função de administrar as tramas e bem eficaz no timing e na inserção das piadas. A única que é de extremo mau gosto é a sobre a comida mexicana. As demais funcionam principalmente porque todos os envolvidos, diretor e atrizes, usam-nas para rir daquele mesmo universo que parecem simplesmente exaltar.
Sex and the City é um filme conservador, mas brinca com isso o tempo todo. A série sempre projetou um desejo esnobe que mora em boa parte das mulheres. Termina sendo um passo além de seriados feitos para mulherzinha, como Dawnson's Creek ou Gilmore Girls. O filme continua rindo do universo que retrata. Provavelmente vão dizer que parece um episódio maior da série de TV, mas sempre falam isso das adaptações - é muita falta de criatividade. A meu ver, isso não é ruim. Defeito maior é ser longo demais. De resto, o melhor a fazer é tentar extrair o que o material tem de mais legal. Num país tão chato como os Estados Unidos, ter uma personagem tão espírito-livre como Samantha Jones já merece meu respeito.
Sex and the City 


Sex and the City (2008)
Michael Patrick King
...
Ei, alguém aí me explica Primer, do Shane Carruth? Ah tá, ninguém entendeu...
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