Quinta, Maio 29
[three times]

As três histórias de Three Times são histórias de gente comum, a gente que interessa a Hou Hsiao-Hsien, tentando escapar de seu destino em três épocas diferentes. A premissa torna-se ainda mais interessante porque a mesma dupla de atores estrela todas os episódios, metabolizando esta busca por espaço e submetendo cada casal aos contextos de suas épocas. O primeiro é o mais bonito e o mais redondo. A história do soldado que se apaixona pela garota do bilhar tem a delicadeza do olhar de Hsiao-Hsien para o cotidiano, mas também representa um interessante estudo sobre o domínio do espaço quando o objeto de afeto desaparece e é rapidamente substituído. Desta vez, com mais cuidado. Do primeiro plano ao detalhe das mãos no final, esta história de encontros desencontros é um exercício de enquadramento e iluminação. Tão perfeita que daria um belo longa.
Talvez devesse ser o último episódio do filme já que as duas histórias seguintes ficam meio ofuscadas por sua beleza - embora guardem seu encanto. A segunda, situada em 1911, foi rodada como um filme mudo, de forma bem radical, com atores balbuciando e letreiros entrando em seguida. O diretor só se reserva o direito a colorir a tela. A terceira, que guarda uma coerência visual com o último filme dele, A Viagem do Balão Vermelho, traz o drama de um triângulo de amor para os dias atuais. Embora irregular, a coleção que Hou Hsiao-Hsien escolheu mostrar é de uma sensibilidade rara.
Three Times 


Zui Hao de Shi Guang (2005)
Hou Hsiao-Hsien
filmes citados:
A Viagem do Balão Vermelho (2007) 



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Comentários
Pois é, muitas mesmo. O filme é todo bonito, Ada, mas as duas últimas histórias não conseguiram me arrebatar como a primeira.
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péssimo 







