Domingo, Maio 25
[veneno]

Todd Haynes é um dos cineastas mais sui generis surgidos nas últimas décadas. Em mais de vinte anos de carreira, fez apenas cinco longas para o cinema, ora ousando na temática (o mal do mundo moderno, em A Salvo), ora homenageando o clássico (os melodramas de Douglas Sirk em Longe do Paraíso). Diretor de videoclipes do Sonic Youth, invadiu o mundo do rock duas vezes. Na primeira, mais convencional, retratou o glam e o amor gay em Velvet Goldmine. No ano passado, reformulou a biografia musical com Não Estou Lá, obra que esquarteja a narrativa convencional ao tentar registrar as múltiplas faces de Bob Dylan.
O primeiro dos cinco longas de Haynes é um dos filmes experimentais mais consistentes que eu já vi. Veneno, baseado em novelas de Jean Genet, é o encontro de gêneros cinematográficos mais abusado do últimos tempo. As três histórias paralelas (Herói, Horror e Homo) são contadas, cada uma, de forma particular. Temos um documentário-reportagem, uma ficção-científica B dos anos 50 e um teatro filmado, com direito a flashbacks fellinianos . A mistura improvável funciona por causa da sobriedade na conversa entre estilos tão diversos e, mais ainda, por sua unidade de discurso. Os protagonistas de Haynes são párias, geralmente guiados pelo desejo, mesmo que nem sempre estejamos tratando de sexo.
Temos o menino que matou o pai e, segundo a mãe, saiu voando pela janela; o cientista que se transforma em criminoso depois de um acidente no laboratório; e o prisioneiro gay. Veneno dá início ao cinema de Haynes, onde os personagens são movidos por seus impulsos, o que costumam colocá-los numa situação de confronto com o status quo. Com sutileza, o diretor insinua como a sociedade costuma construir leprosários invisíveis para condenar o que enxerga como diferente, uma conseqüente ameaça à ordem. Com um tema tão complexo, o filme poderia ganhar ares de cinema-panfleto ou mesmo pecar pelo excesso nos experimentos formais, mas Veneno tem o tom certo. Os primeiros passo do grande cineasta que viria por aí.
Veneno 



Poison (1991)
Todd Haynes
filmes citados:
A Salvo (1995) 



Velvet Goldmine (1998) 



Longe do Paraíso (2002) 



Não Estou Lá (2007) 



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Comentários
Vi no Telecine, que passou alguns longas dele. Tem um feito pra TV que ainda vai passar: 'Dottie Gets Spanked'. Quero muito ver o da Karen Carpenter, feito com Barbies.
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