Sábado, Abril 12
[o sol]

O Sol continua o ciclo do russo Aleksandr Sokurov para os grandes líderes do século passado com um belíssimo réquiem para o imperador japonês Hiroito. O personagem ganhou um intérprete soberbo em Issey Ogata, que entendeu tudo o que o filme exigia. Seu protagonista esconde no discurso aleatório o imenso senso de responsabilidade que guarda sua função, seu posto. Sokurov não julga o imperador. Pelo contrário, o tratamento é de respeito. O encontro de Hiroito com o General MacArthur é de um estranhamento notório, que seria melhor definido como uma tentativa de entendimento.
Ao contrário de Adolf Hitler no fantástico Moloch e Lênin no correto Taurus, o isolamento do imperador japonês não tem os mesmos cenários imensos, a câmera 'gigante' ou os planos abertos dos outros dois filmes. A bela fotografia do último filme, desta vez assinada pelo próprio cineasta, privilegia espaços menores, condenando Hiroito a uma claustrofobia incômoda. A cena do bombardeio de Tóquio é magnífica.
O Sol 


de Aleksandr Sokurov
The Sun/Solntse, Rússia/Itália/França/Suíça, 2005. Roteiro: Yuri Arabov e Jeremy Noble. Fotografia: Aleksandr Sokurov. Montagem: Sergei Ivanov. Direção de Arte: Yelena Zhukova. Música: Andrei Sigle. Produção: Igor Kalenov, Marco Muller e Andrei Sigle.
Elenco: Issey Ogata, Robert Dawson, Kaori Momoi, Shirô Sano, Shinmei Tsuji, Taijiro Tamura, Georgi Pitskhelauri, Hiroya Morita, Toshiaki Nishizawa, Naomasa Musaka.
Próximo capítulo: A Família Savage, de Tamara Jenkins.
Posts similares:
a família savage
fantasmas do passado
serras da desordem
Comentários
Esse filme passou por aqui num festival mas não tive ''coragem'' (ou seria vontade?) de assisti-lo. Parece que cometi um equivoco. Sua resenha me deixou interessado. Um abraço.
Só uma coisa, acho que O sol não encerra essa saga do Sokurov, porque ele faz parte de uma tetralogia e ainda falta um filme para está estar completa, ou estou enganado?
De qualquer forma eu também vi esse filme e achei ele maravilhoso é impressionante como o tempo é trabalhado e os contrastes também são animais!
Verdade. Corrigi. Pior que eu sabia disso e na hora de escrever me passou. Acho que a palavra trilogia já vem com uma carga de final. Deve ter sido isso.
Deixe aqui seu comentário:


péssimo 







